NOTA (CMR): Dado não ter sido possível
afixar aqui a entrevista completa, a mesma será enviada, em formato PDF
(tamanho 4 Mega), a quem o solicitar.
Bastará mandar um e-mail para medina.ribeiro@gmail.com indicando, em assunto, entrevista ao 'i'.
segunda-feira, 28 de outubro de 2013
domingo, 27 de outubro de 2013
Luz - Madrid, Plaza Mayor, Jogo de luz e sombra
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Esta bela praça virá do século XVII, mas realmente do XVIII. Vem do tempo do Habsburgos. Está situada na Madrid de los Austrias, como eles lhe chamam. Apesar da confusão, das hordas de turistas, dos vendedores de tudo e nada, dos carteiristas e dos grupos de escolas, é um local encantador, bonito e muito equilibrado. Não fora o barulho e o rebuliço, seria um local formidável para o descanso, a leitura, a conversa, o namoro, a reflexão, a admiração do belo… (2012)
domingo, 20 de outubro de 2013
domingo, 13 de outubro de 2013
domingo, 6 de outubro de 2013
domingo, 29 de setembro de 2013
Luz - Barcelona, persianas nas Ramblas
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A fotografia falhou… A ideia era a de jogar com a ilusão e “despir” as meninas: retirar-lhes, com as persianas, os vestidos pretos. Mas o meu erro decorreu dos velhos hábitos. Quando se fotografa com máquina digital de ecrã a diferença de perspectiva relativamente à altura dos olhos é pequena, mas existe. Com as antigas máquinas, de visor, era mais seguro. Assim… as meninas ficam decentemente vestidas… (2012)
quinta-feira, 26 de setembro de 2013
Presente no Futuro - Portugal europeu. E agora?
ESTE É para nós, na Fundação Francisco Manuel dos Santos, um dia grande. Um dia em que realizamos uma das nossas tarefas prioritárias: convidar os cidadãos a debater livremente! E confesso que temos orgulho nesta espécie de serviço público que pretendemos prestar aos nossos contemporâneos.
(…)
ESTE ENCONTRO anual ocupa um lugar especial nas actividades da Fundação. Com efeito, é uma tentativa, na qual queremos insistir, de discutir coisas sérias, mas de maneira aberta, com participação alargada e em tom acessível, isto é, de modo a que os que querem possam compreender. Por isso fugimos ao academismo excessivo, sem beliscar o rigor. Mas também por isso queremos evitar a linguagem codificada, o estilo tecnocrático, o lugar-comum político e a mera propaganda que tanto contribui para a desvalorização da inteligência e da democracia.
Este Encontro é também um local onde se procura cultivar a liberdade na expressão de opiniões sobre os nossos problemas comuns. A liberdade é a missão da Fundação. A liberdade está no centro dos seus objectivos. É, no essencial, a sua missão. É para a liberdade que queremos contribuir. A liberdade dos Portugueses e de todos quanto vivem em Portugal. A nossa parte é talvez modesta, mas nela colocamos forças e empenho. O nosso propósito é o de proporcionar o debate. Porque dele pode resultar uma opinião livre e informada. Há certamente fundamentos sociais, políticos, jurídicos, culturais e económicos da liberdade. Mas uma das suas condições é a opinião informada de cada indivíduo. A opinião que se exprime sem medo e sem receio de represálias.
Hoje, a liberdade passa por aqui. A liberdade exige atenção e cuidado. Precisa de ser constantemente renovada. A liberdade alimenta-se do Direito, das leis e das instituições. Mas também do saber e da opinião. Daí o lema da nossa Fundação: “Ser Livre. Ter Opinião!”.
O tema deste Encontro é o “Portugal europeu”. Depois da análise que fizemos há uns meses, com a ajuda de um prodigioso trabalho que encomendámos a Augusto Mateus, perguntamo-nos simplesmente: “E agora?”. Na verdade, após mais de 25 anos de pertença à União, depois de termos conhecido progresso, desenvolvimento e liberdade, vivemos um tempo difícil de crise e de aparente retrocesso. Há quem se pergunte se valeu a pena. Há quem pense que é preferível tomar outros caminhos. Como há quem acredite que não há alternativa. As diferenças são naturais. Assim como as divergências. O importante é, todavia, que a vontade seja colectiva. E que resulte de uma discussão livre. Queremos reflectir sobre o que vem a seguir. Ou antes, sobre o que vamos fazer a seguir. Porque precisamos de fazer e não esperar que nos façam ou que alguém faça por nós.
A Fundação não tem um programa político, mas tem valores e princípios. A Europa e a sua cultura, com diversidade e coesão, fazem parte do nosso património. Não obstante a União ter cometido erros de construção e ter hoje dificuldade em corrigi-los, é melhor estarmos dentro. Apesar de a União se encontrar em crise, como actualmente, a nossa presença é vantajosa. Mesmo numa União sem vontade colectiva clara, é melhor trabalhar com os nossos vizinhos e parceiros do que vaguear em solitário.
Portugal pode viver e sobreviver fora da Europa. Podemos viver sem a União. Posso viver sem a Europa. Posso, mas não quero!
E seria excelente que a Europa, na forma da União presente ou de qualquer outra no futuro, fosse uma escolha dos Portugueses, sentida e pensada, em vez de uma necessidade ou um pretexto. Seria excelente que os Portugueses, a quem nunca perguntaram, também pudessem dizer “Podemos viver fora da Europa, mas não queremos!”.
-Fundação Francisco Manuel dos Santos
Liceu Pedro Nunes
Lisboa, 13 de Setembro de 2013
Sessão de abertura
domingo, 22 de setembro de 2013
Luz - Finca cafetera, perto de Pereira, Colômbia
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Uma quinta produtora
de café. Fica numa região chamada El eje cafetero. Foi aqui que se
produziu e desenvolveu a cultura do café. Foram estas terras que fizeram
da Colômbia um dos principais produtores de café do mundo. Foi aqui que
se produziu uma das importantes riquezas da Colômbia (café, ouro,
esmeraldas, petróleo e droga). Durante duas horas, os guias da “finca”
ensinam os turistas a plantar, cultivar, colher, secar, moer, preparar e
beber café. Tem que se lhe diga. É mais complexo do que a breve bica ou
o inocente cimbalino! (2013)
quinta-feira, 19 de setembro de 2013
Entrevista dada ao «Público» em 1 de Setembro de 2013
NOTA (CMR): Dado não ter sido possível afixar aqui a entrevista completa, a mesma será enviada, em formato PDF, a quem o solicitar. Bastará mandar um e-mail para medina.ribeiro@gmail.com indicando, em assunto, entrevista ao 'Público'.
domingo, 15 de setembro de 2013
Luz - Bogotá, Museo del Oro
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Só atrás desta vitrina, estão centenas de peças em ouro maciço. Este museu é mesmo especial. Tudo anda à volta do ouro, antigo e moderno, mas sobretudo o antigo, dos tempos pré-colombianos. São milhares e milhares de peças em ouro, pequenas, médias e grandes, altares, figuras humanas e animais, moedas e imagens sagradas, há de tudo em quantidades a perder de vista e de conta. Só de pensar que a maior parte dos artefactos de ouro tenha sido saqueada pelos colonos espanhóis e outros! Foi por causa deste ouro que os conquistadores e futuros colonos procuraram toda a América Latina e liquidaram inteiras civilizações, como as dos Incas, dos Azetecas ou dos Maias. Andavam à procura de um reino mítico, El Dorado ou Eldorado, onde tudo era de ouro… (2013)
domingo, 8 de setembro de 2013
Luz - Barcelona, A furgoneta vermelha
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Uma tarde de sol e muito calor. Ao passear numa Rambla, vejo este jogo de vermelhos. A camisola do senhor deitado parece fazer parte do conjunto. Não saberemos nunca se este adormecido cidadão faz parte da furgoneta ou se tudo aquilo é um acaso. Os vidros fumados do automóvel, assim como as cortinas numa das janelas, criam mistério. (2012)
domingo, 1 de setembro de 2013
Luz - Barcelona, Gran Teatre del Liceu
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É o teatro de ópera de Barcelona. Fica na Rambla. Foi fundado em 1847. Hoje, pertence evidentemente ao governo da Catalunha e à Câmara de Barcelona. É um dos grandes teatros de Ópera da Europa e do mundo. Foi, no século XIX, durante um período, com mais de 3.500 lugares, o maior teatro de ópera do mundo. Parece ter vivido em regime de concessão durante mais de cem anos. Só recentemente, nos finais do século XX, é que por várias razões (falta de viabilidade financeira, falta de emprenho dos concessionários, orgulho da região autónoma…), se criou uma fundação pública para gerir e administrar aquele que é seguramente um dos símbolos da vaidade catalã. Em 1994, o teatro ardeu completamente. A emoção foi grande. O desgosto também. Mas, pelos vistos, não faltou a energia. Cinco anos depois, em 1999, o teatro reabriu. Totalmente reconstruído. Por um lado, fachadas, por exemplo, igual ao que era antes. Por outro, maquinaria cenográfica, dispositivos e equipamentos os mais modernos do mundo. Os melhores cantores do mundo vão a Barcelona, como não poderia deixar de ser. Por temporada, entre óperas, concertos, recitais e sessões para crianças, o Liceu oferece cerca de 50 produções e mais de 130 espectáculos. (2012)
domingo, 25 de agosto de 2013
Luz - Madrid, Pull and Bear
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Nesta
montra, o jogo entre a menina de fora e os manequins de dentro
interessou-me. Só em casa reparei que o nome da loja estava
discretamente inscrito no vidro. Ao que me dizem, esta loja faz parte de
um gigantesco grupo que inclui a Zara, a Pull and Bear, a Massimo
Dutti, a Springfield, a Bershka, a Stradivarius e outros. Cada nome,
cada marca, cada estilo e cada preço tem um destino próprio: a idade, a
classe social, o país, a cidade, a região e a profissão. O que eles
chamam um “target”. São as técnicas modernas de venda que nos
ultrapassam, mas que tão eficientes se revelam! (2012)
domingo, 18 de agosto de 2013
Luz - Barcelona, Saída da Igreja
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Numa pequena transversal das “Ramblas”, nesta pequena e bonita Igreja, repete-se uma cena comum na iconografia ocidental de “costumes” e “paisagens”: um ou vários mendigos sentado no chão, a pedir, enquanto fiéis saem (ou entram) na Igreja. Há gravuras assim, com estes motivos, desde finais do século XVIII. Em livros de viagem do século XIX, por terras do “Sul”, ilhas e países do Mediterrâneo, é imagem muito frequente. Em certos casos, no Próximo Oriente e na Índia, diante de mesquitas e de templos hindus, nas imagens que os ocidentais traziam (especialmente fotografias desde os anos 1860 ou 1870), lá vamos encontrar os mendigos sentados no chão. A primeira fotografia que fiz com um motivo similar foi em Ponta Delgada, ilha de São Miguel, nos Açores. No ano de 1975! Só muito mais tarde percebi que tinha “repetido” essa imagem em vários países e diversas cidades. Incluindo, de novo, Ponta Delgada, mais de trinta anos depois. (2012)
domingo, 11 de agosto de 2013
Luz - Barcelona, Mistérios numa avenida
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Há fotografias assim: escondem mistérios. Por vezes, mais do que aquele que o fotógrafo tinha detectado. É raro conseguir desvendar o mistério, sobretudo quando se rata de fotografias de rua, ao acaso do passeio ou da espera. Nesta avenida de Barcelona, a senhora do primeiro plano surpreendeu-me e intrigou-se. Tantos embrulhos, tantos sacos. Mudança? Despejo? Separação? Pobreza? Compras? Caridade? Desemprego? Distribuição? Entrega a uma loja de segunda mão? Nunca saberei. Fica a interrogação sobre o modo como ela vai sair dali e levar aqueles sacos todos… Mas avanço o olhar e, no segundo plano, vejo um casal estranho, pelo volume dos corpos, pela pose de um (que parece homem), pelo gesto do outro (que parece mulher) … Mais longe ainda, já em casa, descubro um terceiro grupo de pessoas, que olham para cá, de frente, talvez para o casal, quem sabe se para a mulher e seus sacos, ou porventura para outro sítio qualquer! Será tudo de uma total banalidade? Haverá mais do que isso, drama ou sofrimento? (2012)
sexta-feira, 9 de agosto de 2013
A Europa e a Liberdade são mestiças
Quando se sente europeu?
QUANDO ouço Felipe II, rei de Espanha e de Portugal, filho do imperador Carlos V do Sacro Império Romano Germânico e de Isabel de Portugal, casado três vezes com uma rainha inglesa, uma princesa portuguesa e uma princesa francesa, cantar, na Ópera Don Carlo, de Verdi, sobre libreto de Joseph de Méry e de Camille de Locle e drama original de Friedrich Schiller, a área na qual prevê ser enterrado sozinho no Escorial, sei que estou na Europa.
Quando, na Polónia, visito Auschwitz, campo de concentração construído por alemães, no qual foram assassinados alguns milhões de polacos, russos, romenos, judeus, alemães, ciganos, húngaros, ucranianos, comunistas, socialistas, testemunhas de Jeová, homossexuais e outros, sei que estou na Europa. ++Quando visito uma aldeia perdida na Toscânia chamada Borgo di Sansepolcro e deparo, no Museo Cívico, com a Ressurreição, de Piero della Francesca, sei que estou na Europa.
Quando, na Polónia, visito Auschwitz, campo de concentração construído por alemães, no qual foram assassinados alguns milhões de polacos, russos, romenos, judeus, alemães, ciganos, húngaros, ucranianos, comunistas, socialistas, testemunhas de Jeová, homossexuais e outros, sei que estou na Europa. ++Quando visito uma aldeia perdida na Toscânia chamada Borgo di Sansepolcro e deparo, no Museo Cívico, com a Ressurreição, de Piero della Francesca, sei que estou na Europa.
Quando passeio pela Normandia e visito uns tantos cemitérios da segunda guerra mundial onde estão enterrados 1.000 Polacos, 15.000 Britânicos, 5.000 Canadianos, 16.000 Americanos e 42.000 Alemães, sei que estou na Europa.
Quando me passeio entre os bardos de vinhas do Douro, que produzem um dos grandes vinhos do mundo, dito do Porto, feito por lavradores portugueses, trabalhadores galegos, comerciantes escoceses e transportadores holandeses e ingleses e bebido por toda a gente, sobretudo franceses, sei que estou na Europa.
domingo, 4 de agosto de 2013
Luz - Barcelona
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Numa passagem de peões, duas crianças brincam. Ou será que treinam? … (2012)
sexta-feira, 2 de agosto de 2013
Respostas a perguntas de o «Expresso»
- No final da ditadura, o que mais nos distanciava dos restantes países
europeus?
A pobreza. A ignorância. A saúde pública. A falta de liberdade. Era o
que nos distinguia dos europeus, em todo o caso da maioria dos europeus. Os
últimos dez a quinze anos de ditadura tinham no entanto mudado muita coisa. Em
resultado da integração europeia (EFTA), da emigração para a Europa, da guerra
em África e do turismo, havia desenvolvimento industrial, muito investimento
externo, praticamente pleno emprego, oportunidades de trabalho na cidade e na
indústria e alguma pressão liberal ou democrática. O período que vai de 1960 a
1974 é o período de maior crescimento económico da história de Portugal. Foi
pena não ter havido desenvolvimento político. Foi nesse período que surgiu o
início daquela que vai ser a classe média. Frágil. Recente. E dependente do
Estado.
- Quais foram as maiores conquistas da sociedade portuguesa desde então?
As liberdades públicas. O sistema democrático. O Estado de protecção
social (saúde, educação e segurança social universais). A presença da mulher no
espaço público. Um formidável melhoramento do nível geral de bem-estar e
conforto. A integração europeia. E, com excepção dos últimos anos de crise, a
diminuição das desigualdades sociais e económicas.
- Quais foram os maiores falhanços?
A dependência em que Portugal se colocou perante o estrangeiro e os
credores. A incapacidade do sistema democrático para gerar desenvolvimento
económico. A demagogia da maior parte dos dirigentes políticos e partidários. O
sistema eleitoral amigo do despotismo. A mediocridade ineficiente e atávica do
sistema judicial. A partidarização da Administração Pública. A incapacidade
para conduzir a reconversão económica, designadamente industrial, agrícola,
silvícola e marítima. Na verdade, com a guerra colonial, o estertor da
ditadura, a revolução, a contra-revolução e a demagogia democrática, perdemos
talvez vinte a trinta anos!
- O que é preciso fazer diferente para corrigir esses falhanços?
Mudar o sistema eleitoral. Mudar a Constituição. Alterar o sistema
político, colocando um termo ao famigerado semi-presidencialismo. Reforçar os
poderes do Tribunal de Contas. Criar uma poderosa Inspecção-geral da
Administração Pública. Revogar o regime de autogestão da magistratura. Abolir o
sistema da Administração Pública de “confiança política”.
- Considera que o país está hoje a retroceder nas conquistas feitas? Em
que áreas?
Está a retroceder, com certeza. Há dez anos que o produto decresce e que
nos afastamos da Europa. Os Portugueses têm hoje menos coberturas sociais
(saúde, educação, segurança social) do que tinham há dez anos. A criação de
emprego e de oportunidades está no mais baixo há várias décadas. A emigração
para o estrangeiro retomou há quase dez anos. As expectativas das gerações
jovens são pobres e desoladoras. O sistema político está desacreditado. O
sistema democrático, tal como existe entre nós, não merece confiança.
In «Expresso» de 13 Jul 13
In «Expresso» de 13 Jul 13
domingo, 28 de julho de 2013
Luz - Boston Public Library
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Cerca de um ou dois meses antes do ataque à bomba contra os corredores e espectadores da Maratona de Boston. Uma semana depois da enorme tempestade que se abateu na região. Ainda as ruas estavam quase desertas de pessoas e carros, mas cheias de neve gelada! A Biblioteca Pública de Boston é, há muitos anos, um das minhas favoritas! Estive lá pela primeira vez há trinta anos. Tem dois edifícios, um antigo e original, outro moderno e recente. No último, onde é tirada esta fotografia, estão sempre dezenas ou centenas de pessoas a consultar livros e jornais, CD e DVD, computadores e televisões… Muitas salas são de total acesso livre, sem identificação nem registo. Eu próprio passeei-me por estas salas, podendo mesmo fotografar, sem ser incomodado nem assediado por contínuos! As estantes, nesta parte da biblioteca, são de acesso directo e livre, sem catálogo nem requisição! Esta imagem traduz o sossego e a tranquilidade do ambiente de trabalho. Os atentados terroristas ocorreram em frente a esta Biblioteca! A meia dúzia de metros!
domingo, 21 de julho de 2013
Luz - No pain, no gain, Barcelona
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Uma tradução livre poderá ser “nada se consegue sem sofrimento”. Ou qualquer coisa como “sem dor, não se ganha”. A divisa pertence a uma loja de jóias, pins, emblemas, distintivos, insígnias, crachats e colares, mas também da prática de piercing e de tattoo. E não faltam ajudantes de prazer, dispositivos SM, chibatinhas e outros artefactos com usos improváveis e não reconhecíveis à primeira vista. Ao fundo, à direita, as escadas levam a misteriosos pisos superiores e a estranhos laboratórios. Não se trata de um sex shop, em moda nos anos sessenta e setenta, mas sim destes shops muito mais modernos, mais atrevidos e muito menos focados no sexo. Saber em que estão realmente focados é mais difícil. Considerar que estes divertimentos e esta cultura são marginais é certamente perder de vista a realidade. Nas praias e na televisão, sobretudo no Verão, as classes médias, os profissionais liberais, os jovens gestores, os universitários, os artistas, os VIP e as celebridades que usam e praticam a tatuagem e o piercing estão muito longe de serem marginais e minoritários. (2012)
domingo, 14 de julho de 2013
Luz - Entrada da Sagrada família, Barcelona
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Esta é a entrada da famosa catedral chamada “Templo Expiatório da Sagrada Família”, em Barcelona. Da autoria de Antoni Gaudi, arquitecto catalão (1852 – 1926), este é certamente o mais conhecido dos monumentos de Barcelona e um dos mais visitados de toda a Espanha. Além deste, podem contar-se, naquela cidade, outros edifícios curiosos e estranhos que atraem visitantes e estudiosos (Casa Batlló e Casa Milà, por exemplo). De estilo pessoal muito próprio, reflecte várias influências e inspirações, do neo-gótico à arte nova, do orientalismo e do neo-mourisco ao modernismo catalão. A loucura barroca, o excesso onírico e a fantasia naturalista estão presentes. Em poucas palavras, trata-se de uma arquitectura escultórica única. Francamente, não gosto. Está ausente o que por vezes os crentes e os não crentes procuram numa catedral: o despojamento, a depuração, a tranquilidade, a meditação e a introspecção. A exuberância tropical, a banda desenhada escultural e uma espécie de caos operático chamam turistas em grandes quantidades. Tanto na Sagrada Família como nos outros edifícios mais famosos, são utilizadas dezenas de materiais de construção e decoração: cimento, ferro, tijolo, calcário, granito, telha, cerâmica, madeira, argamassas, gesso, ferro forjado, bronze, mosaicos, azulejos, vidro e tudo quanto estava à mão! Gaudi é um herói nacional, espanhol e catalão. Está em curso, no Vaticano, um processo de beatificação. (2012)
domingo, 7 de julho de 2013
Luz - Freira em limpeza de convento, Madrid
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Foi um acaso de sorte. Do género daqueles de que vivem tantas vezes os fotógrafos, amadores ou profissionais. Não houve espera, não houve procura, nem sequer tempo ou saber para haver curiosidade. De repente, ao dobrar de uma esquina, entre duas ruas, enquanto circulavam pessoas e carros, uma porta abre-se por uns segundos e deixa ver uma freira a tratar da limpeza do convento! Quase não tive tempo! A imagem tem uns pequenos defeitos técnicos e formais. Paciência! O momento e a cena valiam tudo. Segundos depois, a porta estaria fechada, não sei por quanto mais tempo! (2012)
domingo, 23 de junho de 2013
Luz - Barcelona, loja Apple
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Dias depois do lançamento de um novo iPad. Numa das praças mais famosas e mais caras da cidade, esta loja estava aberta quase 24 horas por dia. Eram três andares de aparelhos. Ambiente depurado, decoração mínima e formas simples. Materiais nobres, madeira e vidro. A força de atracção destes aparelhos e a energia mítica desta marca são suficientes para chamar pessoas, criar clientes obsessivos, manter fiéis e despertar as maiores invejas consumistas que se possam imaginar. Andei por ali uma ou duas horas, a ver e a fotografar. Reparei que quase ninguém comprava aparelhos. Informavam-se. Discutiam. Pediam esclarecimentos. Falavam com os técnicos prestáveis e vendedores solícitos. Tiravam notas e apontamentos. Os elevados preços destas máquinas aconselham reflexão, com certeza. Mas algo é diferente. A Apple e suas criações, iPod, iPad, iPhone e o que mais se verá, não são como os outros. Não são como toda a gente. Têm algo de especial. Não há nada mais difícil de conseguir… (2012).
domingo, 16 de junho de 2013
Luz - Madrid, Violinista de rua
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Numa rua da cidade, um violinista dá o seu espectáculo à procura de umas moedas. (2012)
domingo, 9 de junho de 2013
Luz - Barcelona, El Liceu, 2012
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Diante deste magnífico teatro de ópera construído em meados do século XIX e destruído por incêndio em 1994, mas já fiel e totalmente reconstruído. Uma senhora faz-se fotografar pelo marido ao pé de um cartaz do “Cosi fun tute”, com um subtítulo pelo menos tão provocador: “elas também se querem divertir”. Infelizmente, não fiquei em Barcelona o tempo suficiente para verificar o que era realmente este “fun”… Que de qualquer maneira se reclamava de Mozart. O teatro reconstruído passou no meu exame… Reconstrução, mais modernização. Excelentes condições visuais e acústicas. Conforto em tudo o resto, salas, bar, “foyer”, livraria, quiosque, etc. E programação. Um só pequeno problema: toda a gente recusa falar espanhol! Só catalão! Em alternativa, inglês. Ou antes, o que eles julgam ser inglês, uma língua aos pedaços e com sotaque ainda mais estranho que o catalão propriamente dito!
quinta-feira, 6 de junho de 2013
25 ANOS DE PORTUGAL EUROPEU - E, no entanto… a Europa!
(…) PARECE paradoxal: nunca, como hoje, nos sentimos tão inundados de informação. E nunca, como agora, soubemos tanto e tão bem o que se passou. Mas nunca, como hoje, os cidadãos se sentem perdidos no meio de tantos dados, tantos números, tantos factos e tantas medidas! A crise actual é responsável por esta situação. As dificuldades são tais, que a informação não gera necessariamente conhecimento; e nem sempre o conhecimento permite a compreensão.
Com este trabalho sobre os “25 anos de Portugal europeu”, quer a Fundação Francisco Manuel dos Santos olhar para esta dimensão essencial da nossa história recente. As perguntas são simples: Que fez a Europa de Portugal? Como reagiu Portugal a este seu novo estatuto? O que mudou em Portugal? Para melhor ou pior? Que outras influências conhecemos nós durante estes anos?
A Europa não foi para nós apenas a União. Foi certamente a geografia e a cultura. Foi o continente, mas foram também as suas nações. Foi a Comunidade, mas também a União e o Euro.
Sabemos agora que a nossa integração europeia teve as suas fases, os seus ciclos. Sabemos hoje que foram três ou quatro, a começar pelo desejo e pela esperança dos anos sessenta e setenta. E sabemos que a primeira fase foi euforia, acompanhada de oportunidades e de crescimento. Mas que a estes sucederam a inquietação, a incerteza e a crise.
Os últimos anos, com a sua crueza de crise e austeridade, revelaram uma Europa que, há trinta anos, não ambicionávamos e que, há vinte, não esperávamos. Foi uma má surpresa, mas a face escondida da Europa esteve sempre lá. Só que a não víamos. Hoje quase só a vemos. E se é para a Europa que olhamos, para exigir responsabilidades, também é para a Europa que nos dirigimos para reclamar coesão.
A Europa foi um excesso de aspirações. É hoje um desapontamento desmesurado. Mas nem tudo se deve à Europa. Nem tudo o que de progresso se verificou nos anos sessenta a oitenta se ficou a dever à Europa. Nem tudo o que de crítico ocorreu nos anos noventa e nos primeiros do século XXI foi por causa da Europa. Os nossos erros, as nossas políticas desajustadas e os nossos defeitos são seguramente os principais responsáveis.
Na crise, procuramos as origens. Insuficiência estrutural? Deficiências políticas? Fragilidade inultrapassável? Estudar o que se passou é indispensável para corrigir e preparar os próximos ciclos. Nas nossas dificuldades, será sempre indispensável saber onde estão as reais responsabilidades. Nas políticas internas? Nas circunstâncias externas? Nos comportamentos das famílias e das empresas? Nas atitudes dos interesses?
Sabemos agora melhor que quase todos os indicadores progrediram na primeira metade deste período que nos ocupa. E quase todos os indicadores pioraram na segunda metade. Portugal aproximou-se dos seus vizinhos e convergiu com a União Europeia na primeira parte deste tempo. Mas afastou-se e divergiu na segunda parte. O contraste entre a primeira metade e a segunda é tal que as dificuldades presentes conduzem muitos a pôr tudo em causa, o euro, o mercado único, a União e a Comunidade.
Não é ilegítimo tudo querer discutir e contestar. O debate livre é o que admite todas as hipóteses. Mas também é o que se faz com algumas certezas. Ora, a Europa é uma delas.
Nem tudo é mensurável no impacto da União em Portugal. Podemos contar os fundos estruturais e acrescentar as comparticipações nacionais. Podemos calcular o retorno de muitos destes investimentos. Como podemos avaliar prejuízos e faltas de rentabilidade. É igualmente possível contabilizar, aqui e ali, o investimento externo motivado pela pertença à União. Ou os benefícios e os prejuízos nos termos de troca e na evolução do comércio externo, seja dentro do mercado único, seja nos movimentos com terceiros. Muitos outros benefícios e riscos, vantagens e inconvenientes, podem ser detectados. Mas há factores de ambiente, questões de cultura, efeitos de proximidade e consequências de pertença a uma comunidade que dificilmente se quantificam, mas que são indispensáveis para avaliar globalmente estes 25 anos.
Valores, ideias, costumes e comportamentos têm inestimável valia para a construção da vida colectiva e para o estabelecimento de regras de convívio. A democracia, cuja solidez tem evidentemente relações com o desenvolvimento económico e social, tem outras origens e outros fundamentos que não são apenas do domínio do vigor económico. O gosto pela liberdade, a procura da verdade, a atracção pela ciência e a inclinação para a expressão artística podem ser mais fáceis ou mais acessíveis com o bem-estar económico, mas a sua génese está noutro sítio, é de uma outra natureza. A tolerância, o respeito pelos outros, a solidariedade e a compaixão poderão ser mais reais quando a escassez e a luta pela sobrevivência estão ultrapassadas, mas também aqui se trata de valores que não resultam directamente do desenvolvimento material ou da fortuna.
Todos estes valores, nas suas versões históricas ou actuais, vêm em grande parte da Europa, aqui nasceram, aqui se desenvolveram. Apesar dos períodos negros e mau grado a guerra, a violência e o despotismo que, periodicamente, a Europa alimentou e exportou para o resto do mundo, a verdade é que foi neste continente que uma boa parte da civilização contemporânea e da decência humana encontrou raízes. Foi tudo isto que fomos também buscar à Europa, continente para o qual tínhamos já tanto contribuído, no passado, mas do qual nos afastámos durante longas décadas, séculos talvez.
A proximidade cultural e geográfica. A tradição científica e moral. As implicações religiosas e políticas. A raiz humanista e tolerante. A democracia e a liberdade: eis razões suficientes para que o mundo europeu seja o horizonte do nosso futuro. Mesmo se quisermos olhar e sentir os outros povos e o resto do planeta, melhor o faremos a partir da Europa. O destino português, como nação, como Estado ou como parte de uma comunidade mais vasta, exige vizinhos e parceiros. Sem eles, a solidão é o resultado. Sozinhos, espera-nos uma fragilidade impensável e talvez uma pobreza inimaginável. Quem sabe se também não nos esperam a intolerância e o despotismo.
Será possível, com o que sabemos hoje, imaginar uma nova maneira de estar na União? Evitar os erros das políticas públicas e corrigir a nossa política diante dos nossos parceiros? Será possível imaginar uma União refeita e repensada, capaz de resolver muitos dos problemas que ela própria criou? Podemos conceber uma União que limite e contrarie as ambições hegemónicas? Podemos idealizar uma Europa com inteligência suficiente para formular uma política de coesão? Existe a possibilidade de criação de uma União forte e menos vulnerável a agressões políticas, culturais e financeiras? A todas estas perguntas, respondo afirmativamente. Não é seguro, mas é possível.
Não faço exercício de optimismo. Antes faço profissão de fé europeia. Não conheço continente, mundo, região, cultura ou civilização que mais e melhor nos possa dar e para a qual mais sejamos capazes de contribuir. Como é então possível que, depois de termos visto, nestes últimos anos, a derrapagem europeia e a pusilanimidade da União, ainda possa sobrar energia para preferir a Europa? Pela mesma razão que, depois de conhecermos os erros dos Portugueses, não desistimos de Portugal.
Apesar de tudo, apesar das pretensões de hegemonia, mau grado a luta entre as grandes potências europeias, não obstante a quase ausência de solidariedade entre países membros da União, apesar de tudo, a Europa!
Apesar do egoísmo e da fragilidade, da desigualdade de Estados e da ambição dos interesses, apesar de tudo, a Europa!
Apetece dizer, pensando num grande europeu do Renascimento, “e, no entanto, a Europa”!
-Fundação Francisco Manuel dos Santos
25 ANOS DE PORTUGAL EUROPEU
Lisboa, 30 de Maio de 2013
domingo, 2 de junho de 2013
Luz - Oxford canal, 2004
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Em Oxford, corre o Tamisa. Mas, naquela snob cidade, tem outro nome: Ísis! Além do rio principal, há uns canais que asseguram a navegação entre esse rio importante e outros nas redondezas, que aliás comunicam com o resto do país. O canal mais importante, com comportas e pontes, chama-se simplesmente Oxford Canal. Fica em port Meadows, o baldio da cidade. (2004)
quinta-feira, 30 de maio de 2013
Portugal europeu: 25 anos - Valeu a pena?
QUASE trinta anos: é tempo mais que suficiente para formarmos um juízo sobre a integração europeia de Portugal, ou antes, sobre a nossa pertença por inteiro à União Europeia. Distingo deliberadamente uma e outra. Na verdade, a integração europeia de Portugal é fenómeno mais vasto e iniciou-se, para todos os efeitos (enquadramento, trocas, circulação e convergência), nos anos 1960. Formalmente, com a adesão à EFTA (European Free Trade Association), de que fomos fundadores em conjunto com a Áustria, a Dinamarca, a Grã-Bretanha, a Noruega, a Suécia e a Suíça. Um pouco mais tarde, em 1972, Portugal assina um acordo de associação com a Comunidade Económica Europeia. Em 1986, Portugal torna-se membro de Comunidade Europeia, ulteriormente designada União Europeia. Finalmente, em 2002, Portugal integra o grupo que adopta o euro como moeda comum e única. Economicamente, a integração processa-se com rapidez a partir dos anos sessenta, graças à EFTA, com o desenvolvimento do comércio dentro deste conjunto (e mesmo fora dele com outros países europeus), assim como o crescimento de investimento estrangeiro (especialmente industrial) no nosso país. Antes mesmo da descolonização e da fundação da Democracia, em 1974, já as trocas comerciais com a Europa mostravam um excepcional vigor, superando as relações tradicionais com os países africanos então colónias. Humana e socialmente, a integração data também dos anos sessenta: a emigração, em cerca de quinze a vinte anos, de quase um milhão e meio de Portugueses para os países europeus é facto que fica a marcar indelevelmente a história social portuguesa. Quase ao mesmo tempo, o crescimento rápido do turismo veio completar os quadros de contacto humano. Politicamente, enfim, o início da integração europeia pode colocar-se em 1986, data da adesão à CE (depois EU). Foi a partir de então que o entrosamento institucional, jurídico e político se foi realizando até chegarmos ao ponto de hoje.
Esta distinção é para mim importante. Na verdade, obriga-nos a estudar as economias e as sociedades durante cinco ou seis décadas e não apenas duas ou três. Por outro lado, permite-nos ver que estes fenómenos de integração internacional têm outras dimensões poderosas, como as migrações, o trabalho, as empresas, as trocas, a ciência e a cultura que muitas vezes se adiantam aos quadros políticos desenhados pelos governos. Finalmente, ajuda-nos a perceber que, em Portugal, neste meio século, a principal fonte de mudança é externa. Parece que o nosso país não encontra dentro de si próprio energias suficientes para provocar a mudança e a inovação.
Esta visão alargada não se destina a subestimar a integração na EU, mas apenas a sublinhar factos históricos indesmentíveis: a adesão à então Comunidade Europeia inscreve-se absolutamente no desenvolvimento histórico e nas tendências fortes de evolução da sociedade e da economia. Dito isto, o que se viveu desde 1986, como se poderá ver com minúcia no excepcional trabalho de Augusto Mateus e seus colaboradores, foi um poderoso processo de abertura, de mudança, de inovação e de transformação que sacudiu toda a sociedade, dos alicerces às superestruturas, das forças materiais aos comportamentos. Muito do que se passou recentemente não é necessariamente efeito da UE, antes o será da globalização, outra força de mudança em acto nas últimas décadas.
Como se poderá ver bem no trabalho de Augusto Mateus, estes 25 anos não foram iguais nem uniformes. Anos houve de crescimento e progresso, como também de estagnação ou de retrocesso. Nesta segunda década do século XXI, por exemplo, com as dificuldades económicas e financeiras, assim como com a crise social, pode mesmo pensar-se que a pertença à UE acrescenta obstáculos e pressões negativas, ao contrário da primeira década deste período em que tudo, também graças à União, parecia correr bem. Na verdade, a conclusão parece simples: com a adesão à União, Portugal continuou e aprofundou o seu trajecto de integração e passou a partilhar com os 27 parceiros o pior e o melhor do seu desenvolvimento e das suas crises. Com menos recursos, mais atrasado, com menos experiência e com mais deficiências estruturais, Portugal parece ter vantagens suplementares em períodos de crescimento e progresso, mas também inconvenientes acrescidos em tempos de estagnação e dificuldades.
Em poucas palavras, a União Europeia criou novas oportunidades, mas também destruiu tradição e segurança. Ampliar o progresso, mas também dilata os constrangimentos e os riscos. Com esta apreciação, aparentemente salomónica, sobra a pergunta: valeu a pena? Foram concretizadas as aspirações e as expectativas criadas, nos anos 1970, à volta da Europa? Se voltássemos atrás, deveríamos evitar a adesão ou faríamos o mesmo? Não tenho dúvidas: valeu a pena. A pertença à União foi certamente a força mais potente no estímulo ao desenvolvimento da civilização, da decência pública, da cultura e da liberdade. O que fazia dos Portugueses um povo à parte, nos anos sessenta, era o atraso, a fome, o analfabetismo, a opressão e a guerra que encobriam os êxitos económicos e o crescimento desses mesmos anos. Já não são esses os sinais distintivos do nosso país. Começámos a tentar ser um país como os outros. E a União Europeia passou a ser um dos principais factores de democracia.
«DN» de 30 Mai 13
domingo, 26 de maio de 2013
Luz - Egipto, Luxor 2006
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Breve apontamento num templo de Luxor. A temperatura rondava os 40 graus. Mesmo um egípcio habituado procurava refúgio na sombra das colunas. (2006)
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domingo, 19 de maio de 2013
Luz - Memorial do Holocausto, Berlim 2010
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Este memorial, que não é bem um monumento, mas acabará por sê-lo, é comovedor. No meio da cidade, bem perto da Porta de Brandeburgo, a poucos metros da avenida Unter den Linden e das grandes embaixadas (americana, russa, inglesa…), quase em cima do terreno que era, há poucos anos, fronteira entre Leste e Oeste, é um sítio de memória que pesa nos espíritos e nos corações. O silêncio impõe-se. Mesmo com centenas de carros a toda a volta, com pessoas a passar, turistas e correr, crianças a brincar, comerciantes a vender souvenirs e intenso barulho da cidade, mesmo assim, o silêncio tem o primado e sente-se melhor do que se ouve o ruído. Só quando, anos depois, estive em Jerusalém, percebi de repente a semelhança entre este memorial e os cemitérios de Jerusalém, nomeadamente os judeus. Os blocos de Berlim são praticamente iguais aos túmulos de Jerusalém. Com duas diferenças notáveis pelo menos: em Berlim, os blocos de pedra são escuros, quase negros, entre a ardósia e o chumbo, enquanto as pedras tumulares de Jerusalém são calcárias, cor de argila clara ou de barro de areia. Em Berlim, por outro lado, os blocos encontram-se totalmente despidos, vazios e limpos. Em Jerusalém, como se pode ver na fotografia da semana anterior, os túmulos estão carregados de pedrinhas, aquelas espécies de flores da eternidade! (2010)
domingo, 12 de maio de 2013
Luz - Cemitério Judeu, Jerusalém 2012
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Mais propriamente, o cemitério do Monte das Oliveiras. Diz a tradição judaica que será neste cemitério que, aquando da chegada do Messias, começarão as primeiras ressurreições. Os enterrados aqui terão assim as primeiras oportunidades... Várias foram as tentativas de vandalizar este cemitério, como por exemplo o túmulo de Menahem Begin. Neste cemitério, vi pela primeira vez as pedrinhas colocadas em cima das pedras tumulares. Fiquei intrigado. As respostas mais plausíveis que encontrei diziam que as pedras eram sinais de homenagem ou recordação, mas que, ao contrário das flores que murcham em poucos dias, estas pedrinhas duram para sempre. Ainda não tive a oportunidade de confirmar com gente sábia, mas pareceu-me ser razão verosímil e suficiente para a tradição. Verifiquei ainda que, nos cemitérios muçulmanos e cristãos de Jerusalém, também havia pedrinhas por cima dos túmulos. Fiquei comovido. Havia, pelo menos durante a morte, alguma unidade, alguma comunidade entre os três povos ou as três religiões. (2012)
domingo, 28 de abril de 2013
Entrada do Santo Sepulcro, Jerusalém 2012
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O local
é literalmente incrível! A Basílica, no local onde é admitido que
Cristo tenha sido crucificado e sepultado, já atravessou séculos,
guerras, destruições incêndios e reconstruções. É ainda hoje um local
único de peregrinação com as habituais misturas de fanatismo e de
meditação, de exoterismo exibicionista e de introspecção fundamental! De
fé e de crendice. O ambiente e o clima são irrepetíveis! Há, ali, em
quantidades improváveis, vida e morte! Força e fragilidade! Alegria e
medo! Diz-se que os sítios exactos onde Cristo foi ungido e morto estão
ali, assim como o lugar onde ressuscitou. Consta que a mãe do Imperador
Constantino, Helena, encontrou ali a “verdadeira cruz de Cristo” (ou
“Vera Cruz”, como passou à história e foi festejado por pintores e
outros artistas, entre os quais o grande Piero della Francesca)). Estes
locais santos e a cidade de Jerusalém já “pertenceram” a Judeus, a
Romanos, a Muçulmanos não islamitas, a Cristãos, a Palestinianos, a
Cruzados europeus, a Otomanos, a Muçulmanos Islamitas, a Israelitas… A
Basílica e o respectivo sepulcro já estiveram a cuidado de vários cultos
cristãos e diversos católicos, assim como de judeus e islamitas. Nos
últimos séculos, foram entregues em co-gestão a ordens católicas e
ortodoxas, sendo que os cooptas egípcios, os ortodoxos arménios e os
cooptas sírios também colaboram no arranjo, na limpeza, na guarda e na
segurança, na manutenção das velas e das flores, etc. (2012)
domingo, 21 de abril de 2013
Apelo
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Publiquei esta fotografia no Sorumbático e no Jacarandá há dois ou três anos.
Dei-lhe então a identidade que julgava verdadeira: Solar no Romeu.
Parece que me enganei. Já recebi vários desmentidos e diversas sugestões em substituição. Uma convincente, mas nenhuma definitiva.
A mais provável será a de um solar em Barrô, na margem esquerda do Douro, perto de Resende, diante de Barqueiros ou de Porto de Rei… A fotografia terá sido feita a partir da margem direita.
Na impossibilidade de lá me deslocar de imediato, apelo aos leitores e curiosos: onde fica esta casa? Em que estado se encontra hoje? Ainda em ruínas?
domingo, 14 de abril de 2013
Luz - Douro, Pinhão, Vindimas 1985
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Esta imagem encerra um pequeno mistério. Como, aliás, tantas outras, na nossa vida fotográfica! Este rapaz surgiu de repente no meio das vinhas. Ia a passar. Tem ar simpático e afável. Depois de o fotografar, gesto a que ele respondeu com um doce sorriso, pequenos incidentes (duas pessoas chegaram, alguém me chamou, foi preciso tratar de um assunto qualquer…) fizeram com que eu não falasse com ele de imediato. Quando o procurei, tinha desaparecido. Não sei se chegava ou se ia embora. Se era dali, ou de fora. Se ia ou vinha trabalhar. Se aquele cesto estava vazio ou carregado de bens pessoais. Nunca saberei. (1985)
domingo, 7 de abril de 2013
Luz - Cemitério de Jericho, Oxford 2004
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Corro o risco de me repetir e trazer mais imagens do mesmo sítio. Mas este cemitério, no Norte de Oxford, no bairro de Jericho, é de grande beleza e sossego. Perto de minha casa, quando lá estou por uma temporada, por lá passo todos os dias. Às vezes, vou para ali ler o jornal do dia ou ouvir música num iPod. Apesar dos túmulos e das cruzes, o cemitério não tem ar fúnebre. Já vi quem vai para ali conversar ou namorar… A simplicidade e a depuração dos cemitérios ingleses são impressionantes. Parecem abandonados, mas não estão. Não há nenhum sinal de abandono ou desmazelo. (2004)
domingo, 31 de março de 2013
Luz - Florença, 2011
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É sabido que em Florença o que não falta são palácios, solares, mosteiros, conventos, igrejas… Talvez isso explique a falha de memória, que não quero atribuir apenas à minha idade… Em frente ao magnífico Museu Bargello de escultura (Museo Nazionale del Bargello), está uma igreja e um convento, abertos ao público. Ali passei um momento de paz e descanso, depois de ter andado horas a ver as esculturas do Bargello. Na igreja, decorria um culto, o que aumentava o sossego do ambiente. Esta imagem vem dessa pequena pausa. (2011)
domingo, 24 de março de 2013
Luz - Etíopes na Igreja da Natividade, Belém 2012
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Ao chegar à Igreja da Natividade, em Belém, na Palestina ou na Cisjordânia, cruzo-me com uma excursão de umas dezenas de mulheres africanas, peregrinas, todas vestidas de branco: fui informado de que se tratava de Etíopes, vindas de um velho país cristão. Em geral muito altas e elegantes, percorriam os lugares santos com enorme energia e alegria. Nesta fotografia, registei talvez as mais cansadas à procura de sombra. Belém é uma terra estranha. Tudo se mistura ali. Todas as religiões estão lá. Para ir lá, vindo de Jerusalém (meia dúzia de quilómetros…), foi necessário mostrar passaporte, passar o controlo das polícias israelitas e palestinianas e atravessar um muro de betão e circuitos de radar e vídeos… A Basílica da Natividade é um local sagrado tanto para Cristãos como para Islamitas. Diz a lenda que foi ali que nasceu Jesus Cristo. O sítio “exacto” está marcado por uma estrela de prata colocada no chão. A igreja data do século IV e foi mandada erigir por Constantino. Hoje, a Igreja é considerada pertença da Igreja da Arménia, da Igreja Ortodoxa Oriental e da Ordem dos Franciscanos. Tal como noutros locais, no Santo Sepulcro, por exemplo, o condomínio nem sempre é pacífico. Os diferentes cultos e as várias Ordens têm longos e antigos contenciosos que não estão perto de serem resolvidos. Como aliás nenhum conflito naquela região: são, há três ou quatro mil anos, problemas sem solução. (2012)
domingo, 17 de março de 2013
Luz - Oração, Muro das Lamentações, Jerusalém 2012
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Em
frente e à volta do Muro, os crentes rezam e meditam. Neste caso e
neste local, tive a mesma impressão do que noutros sítios (cristãos ou
islamitas), onde o sofrimento parece predominar. Pode ser que seja
sobretudo concentração e tensão espiritual, mas a dor é a imagem que se
retém. A imensa esplanada em frente ao Muro, ao ar livre, aberta a toda a
gente, poderia ser uma circunstância que estimulasse a alegria, mesmo
devota. Não é o caso. Quando vejo certas imagens de procissões
católicas, de algumas cerimónias evangelistas ou de peregrinações
islamitas a Meca, tenho a mesma sensação. Com uma diferença: as
manifestações católicas, com os rituais e as recordações de castigos,
torturas, martírios e crucifixões, são as mais sangrentas! (2012)
domingo, 10 de março de 2013
Luz - Douro, Sabrosa 1985
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É certamente um dos mistérios da Física: o que a cabeça de uma mulher suporta como peso e o que essa mesma cabeça é capaz de equilibrar! Com ou sem mãos. Com ou sem rodilha ou trouxa. A andar, a subir e a descer. Com bebés ao colo ou filhos pela mão. Pode ser mistério da ciência, mas não é certamente da sociedade nem dos costumes. Elas sabem. Os homens fingem não saber. Ou não se dar conta… (1985)
domingo, 3 de março de 2013
domingo, 24 de fevereiro de 2013
Luz - Jordânia, Wadi Ram 2012
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A Sul de Petra, fica este deserto famoso. É um dos locais mais áridos da Terra. O Wadi Ram (também se escreve Wadi Rum ou Wadi Ramm em línguas ocidentais) termina na cidade de Aqaba, na costa do Golfo do mesmo nome. O litoral e o respectivo porto é dividido em duas partes, uma Jordana, outra Israelita. Este é o deserto longamente mencinado por Lawrence da Arábia no seu livro “Os sete pilares da sabedoria” e teatro de cenas excepcionais no respectivo filme. Foi este deserto que Lawrence teve de atravessar duas vezes seguidas para salvar um amigo (que depois teve de castigar com a morte...). Ao atravessá-lo, hoje, no conforto de um jeep com toldo e garrafa de água fresca, não se pode deixar de pensar naquela aventura que se transformou em lenda. Curiosamente, foram dois filmes e dois actores que “colocaram no mapa” (horrível cliché contemporâneo...) Wadi Ram e Petra. Peter O’Toole e Lawrence no primeiro; Harrison Ford e Indiana Jones, na segunda. Em ambos os locais e arredores, são numerosos os posters e as alusões aos dois heróis. (2012)
sábado, 23 de fevereiro de 2013
domingo, 17 de fevereiro de 2013
Luz - Perto da Porta de Damasco, Jerusalém 2012
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Dois Judeus ditos “ortodoxos” acabaram
de sair do Muro das Lamentações, dirigem-se para a Porta de Damasco. Vão talvez
tomar o autocarro. Os dois estranhos chapéus, os caracóis do cabelo, as barbas,
os casacos, as calças.. Tudo neles revela a ortodoxia dos rituais e dos
uniformes. O telemóvel que um usa pode chocar de repente, pela modernidade, mas
tal não será o caso. Esta “ortodoxia” nada tem de comum com artesanato,
atavismo ou conservadorismo técnico: há muitos “ortodoxos” que usam as mais
modernas tecnologias imagináveis. Nada de semelhante com os “Hamish”, nas
comunidades americanas. (2012)
domingo, 10 de fevereiro de 2013
Luz - Oxford, Port Meadows 2004
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Outro dos
meus sítios favoritos, outro dos meus locais cujas fotografias trago
aqui com frequência. Port Meadow, no “baldio” de Oxford, oferecido à
população da cidade há cerca de 600 anos e que se mantém, através dos
séculos, sem urbanismo nem loteamentos, sem construções clandestinas e
sem lixeiras, mas com povo, passeantes, turistas, animais de estimação,
cavalos, rebanhos de vacas ou ovelhas, patos, barcos no rio, namorados
por aqui e por ali, famílias em pic-nic ao fim de semana... (2004)
quarta-feira, 23 de janeiro de 2013
domingo, 20 de janeiro de 2013
Luz - Oração, Muro das Lamentações, Jerusalém 2012
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Outra imagem de dois Judeus em oração junto ao Muro das Lamentações. Um está instalado num curioso móvel de oração. Não era fácil fotografar neste sítio. O ambiente de recolhimento e de privacidade era tal que qualquer fotógrafo se sentiria intruso. É uma velha questão moral que se põe a qualquer fotógrafo uma ou várias vezes na sua vida! (2012).
domingo, 13 de janeiro de 2013
Luz - Santarém, 2009
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Breve exercício
de contraluz. Em Santarém, nas vésperas das festas do 10 de Junho de
2009. Por dever de ofício, visitei a cidade umas vezes antes do dia 10.
Foram semanas frenéticas durante as quais se tentava acabar dezenas de
obras de arranjo, preparo, disfarce, limpeza, reparação, restauro e
reconstrução, a fim de mostrar boa cara às altas individualidades e aos
visitantes estrangeiros do Corpo diplomático. Imagino que é sempre
assim. Nas outras cidades onde também assisti às cerimónias (Lisboa,
Castelo Branco e Faro), era mais ou menos a mesma coisa. No meio dessas
visitas, este imagem de trabalhadores de construção em contraluz
surgiu-me de repente num dos belos conventos góticos que se arranjavam à
última hora... (2009)
segunda-feira, 7 de janeiro de 2013
Temas prioritários para um semanário
A MERA informação já não deve ocupar as páginas de um semanário. Além dos diários, a Televisão, a rádio e sobretudo a Internet e os canais On line, ocupam-se disso.
Os temas prioritários (política, sociedade, Estado, políticas públicas, cultura) devem ser sempre abordados de uma maneira mais profunda, com mais pormenor e com elevada atenção ao enquadramento.
Um semanário tem mais responsabilidades na actividade de “desvendar” os factos opacos ou “misteriosos” do que os diários ou as televisões.
Muito do que se passa na sociedade e na política é totalmente incompreensível se não for devidamente tratado e esclarecido. As causas concretas da dívida portuguesa e o défice dos anos 2005 a 2013, por exemplo, ainda estão hoje razoavelmente encobertas.
Muitos dos custos reais ou do investimento por cabeça de habitante e por classe social são ignorados: saúde, educação, universidade, ciência, cultura, etc.
Para além dos “sectores”, há temas especiais que deveriam ser constantes, como por exemplo os caminhos da Liberdade, as relações entre Estado e Liberdade, as consequências da crise internacional na Liberdade, os efeitos da crise da União Europeia na Liberdade, etc.
A cultura deveria ser preocupação permanente e merecer desenvolvimento no futuro. Toda a comunicação social está orientada para o espectáculo e a encenação, quando não para a publicidade e a propaganda. É indispensável contrariar essa tendência, o que já se percebeu que em Portugal não acontecerá com os diários, muito menos com a televisões.
Finalmente, os colunistas de opinião. Estes deveriam constituir, cada vez mais, o privilégio do semanário, um seu traço de distinção. Colunistas independentes, cultos, polémicos, controversos, sem lugares-comuns, sem linha política orgânica e adeptos de uma noção generosa da Liberdade individual.
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«Expresso» de 5 Jan 13
domingo, 6 de janeiro de 2013
Luz - Varsóvia 2011
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Este local,
perto do centro da cidade, é o que há de mais incaracterístico. Até o
ponto de vista parece atabalhoado. A fotografia é feita a partir de um
estacionamento. Vários edifícios modernos estão acabados enquanto outros
se prepararam para crescer. Lá atrás, ligeiramente encoberta por um
candeeiro, a torre da universidade. Este edifício, em puro estilo
“gótico-estalinista”, data dos anos 50, foi oferecido pela União
Soviética e é a cópia diminuída da universidade de Moscovo, um enorme
“bolo de noiva” para a glória da burocracia. O mais interessante desta
imagem é a luz estranha que me chamou a atenção. Também me atraiu o
facto de me encontrar algures entre a noite e o dia, entre o centro e os
arredores, entre a rua e o estacionamento, entre o estalinismo e o
capitalismo... (2011)
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