Torre do Bank of China, em Hong Kong – É uma obra-prima da arquitectura. Mas só vista lá, dos vários ângulos, a diversas horas do dia, com climas e luzes diferentes, é que se faz justiça a este formidável edifício de I. M. Pei, americano de origem chinesa, nascido há 100 anos. A Torre é a sede do Bank of China, tem cerca de 70 andares e 350 metros de altura. A construção durou menos de quatro anos e o edifício foi inaugurado em 1990. Hoje é o quarto edifício mais alto da cidade. Brilha na baía de Hong Kong onde se criou um conjunto de arranha-céus de excepcional beleza. Este senhor Pei deixou marcas arrojadas e polémicas por todo o sítio, sendo outra, por exemplo, a famosa pirâmide do Louvre, em Paris. Um das controvérsias da sua obra foi por causa destra torre: ele teve o atrevimento de planificar e construir o edifício sem consultar previamente os sábios do “feng shui”, nem respeitar as suas regras.
DN, 9 de Abril de 2017
domingo, 9 de abril de 2017
domingo, 2 de abril de 2017
Sem emenda - Mulheres batidas
Há termos em voga: assédio sexual
e violência doméstica, por exemplo. Nenhum é falso. Mas ambos escondem qualquer
coisa: a violência masculina! É sobretudo disso que se trata.
Pode haver estudos e análises.
Consultas e exames. Nunca se chegará bem a saber o que leva um homem a espancar
a mulher, a bater na mãe, a desancar a namorada, a surrar a amante e a sovar a
filha! Mas sobretudo a mulher, a mãe dos seus filhos, a pessoa que se ocupa
dele, lhe faz as refeições e trata da casa! Ou simplesmente a pessoa que com
ele vive e dorme.
É uma das piores baixezas da
humanidade! A violência masculina tem razões estranhas: sexo, ciúme,
insegurança, impotência, desconfiança, exibicionismo, ignorância, vingança,
álcool, prepotência… Não é de esquerda nem de direita. Não é do Norte, nem do
Sul. Não é do crente, nem do ateu. Não é do rico, nem do pobre. Não é do
doutor, nem do analfabeto. Não é do inteligente, nem do estúpido. Não é do
velho, nem do novo. Não é do português, nem do estrangeiro. Não é do rústico,
nem do citadino.
Que animal é este, difícil de
compreender, impossível de entender? Podemos recorrer a psicólogos, médicos,
psicanalistas, sociólogos, polícias e juristas: nenhum satisfaz a necessidade
de compreender.
São anualmente cinco a dez mil
mulheres as que, após violência continuada, apresentam queixa. Mas são cinquenta
a cem mil as que nunca apresentaram queixa, não se sabe bem porquê, mas
suspeita-se com certeza. Por medo e pavor. Por timidez e vergonha. Ou por
pobreza e miséria. E são cerca de cinquenta as que, anualmente, já não
apresentam queixa, pela simples razão de que foram assassinadas. Isso mesmo,
assassinadas! Há homens assim, que assassinam a mãe dos seus filhos! Nem
animais!
O homem bate-lhe porque tem
ciúmes, porque ela olhou para outro, no restaurante, porque ela sorriu para
outro, no emprego, porque ela falou com outro, ao telemóvel, porque ela ouviu
as histórias do outro, no autocarro.
Bate-lhe porque o patrão se
zangou, porque o chefe o censurou, porque teve má avaliação no emprego e, ao
chegar a casa, bateu em quem tinha à mão.
Bate-lhe porque deu uma nega, porque
esteve impotente com a amante, porque não conseguiu sair com uma namorada.
Bate-lhe porque ela não obedeceu
a uma ordem dele, porque respondeu ou resmungou, porque ela lhe disse que
estava cansada, que precisava de dormir ou porque não quis fazer amor com ele.
Bate-lhe porque ela lhe disse que
ele bem podia ajudar em casa, com os filhos, com os pais ou os sogros, nas
compras, na louça, nos pagamentos e no lixo.
Bate-lhe porque, no golfe, as
coisas não correram bem, porque as acções na bolsa baixaram 5% num só dia ou
porque o banco exigiu o pagamento da dívida.
Bate-lhe porque bebeu uns copos a
mais, porque o seu clube de futebol perdeu e um amigo lhe estragou o carro.
Bate-lhe porque ela lhe disse que
ele bebia de mais, que podia passar um pouco menos de tempo diante da
televisão, ou no escritório, à noite, ou no café, com os amigos.
Bate-lhe porque é como o
Sebastião, que come tudo, tudo, tudo, que come tudo sem colher, que fica todo
barrigudo e depois dá pancada na mulher.
Bate-lhe porque o peixe estava
queimado e a carne estava crua, porque a mesa não estava posta a horas, porque
ele chegou tarde e o jantar estava frio.
Bate-lhe porque ela esteve a ler
livros que não devia ler, a ver filmes que não devia ver e a ouvir música que
não devia ouvir.
Bate-lhe porque é o seu direito, porque
é a sua mulher, para lhe lembrar que quem manda é ele, porque ela não sabe
cuidar dos filhos, porque os filhos têm más notas, porque é frustrado e
traumatizado, já o pai dele batia na mãe e consta que o avô batia na avó.
Bate-lhe porque ela estava mesmo
a pedi-las, com aquela maneira de se vestir e de se comportar diante de toda a
gente.
Bate-lhe porque ela disse que se
queria separar ou pedir o divórcio.
Bate-lhe porque uns tabefes nunca
fizeram mal a ninguém.
Bate-lhe porque ela gosta.
Bate-lhe porque ela está ali.
DN, 2 de Abril de 2017
Sem Emenda - As Minhas Fotografias
Paisagem agrícola:
uma seara com casal – Esta imagem tem cerca de trinta anos. Talvez já quase
não seja possível fazer igual. Algures no Norte do país, entre o Gerês e o
Barroso, um casal de camponeses ceifa uma seara de cereal. Creio que se trata
de centeio. Tudo se conjugou para que a cena, bíblica para alguns, bucólica
para uns e violenta para outros, não se repita muitas mais vezes. As foices, os
tractores, os mercados, o comércio, a falta de trabalhadores, a emigração, a
idade e os costumes mudaram tudo. Neste caso, mesmo sabendo que perdemos
imagens e fotografias, ficámos a ganhar. Este bucolismo pagava-se caro. Em
cansaço, sacrifício e saúde.
domingo, 26 de março de 2017
Sem Emenda - As Minhas Fotografias
Entrada no Parlamento
britânico, Westminster – Era assim, o ano passado. Vai ser pior, a partir
de agora. É cada vez mais assim, no mundo inteiro. E vai ser cada vez pior. As
filas de espera aumentam. A inspecção de roupas e o controlo de malas e
mochilas prolongam-se. Podemos sempre falar de dignidade e de serenidade. Pode facilmente
dizer-se que não teremos medo e não faremos o jogo dos terroristas. É possível
acrescentar que a vida continua, “business as usual”, que é como quem diz “tudo
como dantes, quartel-general em Abrantes”! Nunca deixaremos de afirmar que
“eles” não vencerão, que os terroristas islâmicos e outros não condicionarão o
nosso modo de vida! E sempre diremos que não faremos o que eles querem, isto é,
não criaremos uma sociedade vigiada, com censura, fiscalizações, verificação de
identidade, operações stop, câmaras de televisão nas ruas, vigilância nos
espaços públicos em geral, escutas telefónicas, violação de correspondência,
humilhantes exames físicos nos aeroportos, intrusão nos computadores e nas
redes sociais… Nunca… Nunca?
DN, 26 de Março de 2017
Sem emenda - O segredo compensa
Tempos houve em que todos pagavam pela violação do segredo de justiça: os advogados de defesa, os arguidos, os jornalistas, os directores dos jornais, os carteiros, os motoristas e a menina das fotocópias. Todos, menos os verdadeiros culpados, ou antes, os verdadeiros responsáveis: os magistrados judiciais e do Ministério Público, eventualmente uns funcionários de Justiça. A regra era a do segredo durante as fases de instrução. A quebra do sigilo era crime. Muitas vezes, os jornalistas e os directores dos jornais eram os únicos acusados por violação da lei. Não interessava quem lhes fornecia as informações.
O actual regime, em traços breves e simplificados, estabelece que o segredo deixou de ser a regra, para ser a excepção. Isto é, apenas funciona a pedido das partes, por decisão fundamentada do magistrado, a pedido do Ministério Público, com validação do magistrado. A regra é a da publicidade dos processos, salvaguardada a discrição processual pela qual cada um zelará.
Em princípio, parece que menos de 10% dos processos estão hoje abrangidos pelo segredo. O progresso foi enorme. Os jornalistas já não são os únicos culpados. Mas, infelizmente, não se foi tão longe quanto era possível. Ainda há muitos casos em que o segredo de justiça protege privilégios ou encobre incompetências. Ou é administrado “à vontade do freguês”. Acontece que, hoje, quase todos os grandes processos polémicos (políticos, bancos, autarcas, dirigentes desportivos, grande corrupção em geral…) se encontram nesse regime. Dos principais, há, todos os dias, fugas organizadas, cirúrgicas ou não, parciais ou totais. A devassa é completa: documentos, imagens, confissões, alegações, declarações, actas, relatórios, transcrições de escutas e de interrogatórios e gravações de conversas telefónicas ou interrogatórios vivos, isto é, conversas reais com as vozes verdadeiras, tudo se encontra disponível nos jornais, nas redes sociais e na Internet. Podem mesmo ouvir-se na televisão!
Esta é a mais degradante de todas as imagens que temos actualmente da Justiça. Por todas as razões e também pela impunidade. Não é possível exigir justiça, esperar por equidade, confiar na competência e desejar imparcialidade neste clima de degradação de costumes e de manipulação mafiosa de processos. A demora e os atrasos, a parcialidade e as chicanas são brincadeiras ao lado desta devassidão.
A grande solução seria evidentemente a de abolir o segredo de justiça. Nessas circunstâncias, se os magistrados, os investigadores, as polícias ou os advogados entendem que algumas das suas actividades ou iniciativas devem ser mantidas em segredo, a bem da eficácia da justiça, não têm mais do que tomar todas as cautelas para que assim seja. E hoje isso é absolutamente possível. E faz-se todos os dias. Quando se quer. E quando não há quem queira o contrário.
Na ausência da solução óptima, então teríamos uma outra também digna e de fácil execução: a de responsabilizar o magistrado titular de cada processo em segredo pela sua manutenção. Caso haja violação, seria esse magistrado responsabilizado disciplinar e criminalmente.
Na verdade, para além da intencionalidade dos interessados, as violações actuais têm uma razão. Essa razão pode ser o empenho pessoal, o ganho material ou o interesse político. Eventualmente, a incompetência, o descuido e o desleixo. Ou a indiferença perante a integridade da justiça e a degradação dos procedimentos, que não é uma causa, mas simplesmente uma circunstância. Em todas estas situações, a responsabilidade é do magistrado. Por isso deveria ser responsabilizado, processado e castigado. Tanto disciplinar como criminalmente.
Estou convencido de que, com uma medida deste género, a diminuição do número de violações do segredo de justiça seria drástica, rápida e talvez total. Por enquanto, com o regime que temos, não é o crime, é o segredo que compensa. Para mal de todos nós!
DN, 26 de Março de 2017
domingo, 19 de março de 2017
Sem emenda - Nós e os Turcos
O acontecimento não tem
precedentes. Dois ministros de um país da NATO e candidato à União Europeia
foram impedidos de entrar na Alemanha e na Holanda, países membros de ambas
organizações, assim como de realizar reuniões com os seus concidadãos.
Pretendiam falar em comícios relativos a um referendo constitucional que vai
realizar-se na Turquia. Os habituais protestos europeus, de esquerda ou de
direita, foram praticamente nulos. O presidente Turco tratou os alemães e os holandeses
de fascistas.
Com 75 milhões de habitantes, um
dos maiores exércitos do mundo, bases americanas activas (equipadas com bombas
nucleares) e uma posição de charneira importante, a Turquia e o seu presidente
Erdogan têm má imprensa e má opinião pública. Porque são turcos, porque são
muçulmanos, porque são de direita, porque o regime é quase uma ditadura e porque
os europeus não os querem na União. Mas também porque há muitos turcos na
Holanda (400.000) e na Alemanha (3.500.000) e porque o tema dos imigrantes,
especialmente muçulmanos, é muito sensível em ano eleitoral.
A complexidade do problema
explica o silêncio. A esquerda calou-se, envergonhada, porque simpatiza com os
muçulmanos e com os imigrantes, porque lhe custa defender a ideia de que os estrangeiros
“de direita” possam fazer reuniões políticas no estrangeiro, porque não gosta
de Erdogan e porque espera que a Turquia fique com os refugiados que estão lá
depositados. A direita calou-se, envergonhada, porque não gosta de imigrantes, porque
não gosta que muçulmanos façam reuniões políticas nos países de acolhimento e porque
espera que os refugiados depositados na Turquia lá se mantenham. Ambas,
esquerda e direita, preferiram o silêncio: era problemático defender os
direitos dos estrangeiros ou dos muçulmanos. Ou dos Turcos.
A questão é difícil. Já se pensou
no que aconteceria se os manifestantes fossem Judeus, Palestinos, Ucranianos,
Russos, Sírios, Iranianos, Arménios, Chineses ou Angolanos? A favor ou contra
os seus governos? A favor ou contra as políticas dos países onde residem? Com
ou sem colaboração dos governos dos países de origem? Os estrangeiros são
legais ou ilegais? A favor ou contra a democracia? Ajudam ou dificultam as
relações entre os Estados? Põem em causa outras minorias? Como é evidente, a
questão é grave e complexa.
Os países europeus reagiram por
conveniência. Sem política geral, nem leis adequadas. Mas essa não é a solução.
Os critérios não podem ser de conveniência, isto é, conforme os manifestantes,
os países estrangeiros ou a cor dos governos.
Há quarenta anos, os estrangeiros
não podiam “fazer política” nos países europeus. Na maior parte, pelo menos.
Nem em relação ao país de origem, nem a propósito de assuntos nacionais locais.
Depois, veio a União, o alargamento, a livre circulação, Schengen, as migrações
em massa, a globalização, o reconhecimento de novos direitos, a possibilidade
de muitos imigrantes votarem em eleições locais e a faculdade de imigrantes
votarem por correspondência nas eleições dos seus países. Além da generalização
da dupla nacionalidade. Por cima de tudo, houve uma tolerância crescente das
democracias europeias. Já se fizeram reuniões, comícios e manifestações de toda
a gente, de todas as origens e a propósito de tudo! Por isso, o que aconteceu
agora é de gravidade imensa. Até talvez haja motivos para defender o que se
fez. Mas a via era a da diplomacia e a da lei.
Não chega afirmar que Erdogan é
um ditador ou quase. Já vieram à Europa dezenas de ditadores muçulmanos,
eslavos, asiáticos, africanos e latino-americanos. Não seria novidade, nem esse
é o critério. Também não chega declarar que não é oportuno, dada a realização
de eleições locais: os direitos dos cidadãos não se alteram com a proximidade
das eleições. A Europa tem de reapreciar a questão dos direitos políticos dos
europeus e dos não europeus e de tomar decisões sérias e dignas, não erráticas,
ao sabor das conveniências e das negociações de circunstância.
DN, 19 de Março de
2017
Sem Emenda - As Minhas Fotografias
Senhoras conversam e esperam ao lado de uma betoneira, Nazaré – Poderia esconder-se o nome da terra e perguntar “Onde fica?”. As respostas seriam diversas. Alguém diria Nazaré, mas a maior parte diz Irão, Argélia ou Marrocos. Quanto à data, os palpites oscilariam muito, começando nos anos quarenta, sendo que as épocas mais modernas eram sugeridas por causa da betoneira que, apesar de rudimentar, já supõe uma fase média de industrialização. Poucas pessoas se aventurariam a dizer 1983, data real da fotografia. Na praia, em frente, ainda havia carapau e sardinha, aos milhares, a secar ao sol e não apenas a meia dúzia destinada a consumo caseiro e para turista ver, como se observa hoje. As discussões sobre a modernidade em Portugal nunca deveriam esquecer estas imagens. Também as alusões feitas às senhoras das “burcas”, dos “niqab” e dos “chador” deveriam ter em mente a Nazaré. E também, já agora, todo o país, do Soajo a Montesinho, dos Candeeiros ao Caldeirão.
DN, 19 de Março de 2017
domingo, 12 de março de 2017
Sem emenda - Utilidade pública
Diz-se “public utilities”. Em
português, não quer dizer a mesma coisa, mas diz tudo. Serviços e
infra-estruturas de serviços e facilidades para toda a gente. Inicialmente organizados
pelo Estado, ulteriormente geridos pelo mesmo ou por empresas privadas. Cada
país tem a sua solução. Mas é sempre a mesma coisa: serviços públicos.
Muita coisa pode entrar nesta
categoria: água, luz, electricidade, gás, telefone, correios, banda larga,
transportes, esgotos, resíduos, faróis e outros. Há quem inclua certos serviços
públicos especiais, como a saúde e a educação. Podem ser de gestão pública ou
privada, local ou nacional, em monopólio ou em mercado aberto. Fazem parte da
concepção moderna de país civilizado.
Estes serviços, em Portugal, começaram
por ser públicos. Uns mantiveram-se como tal, outros foram privatizados. Nada muito
diferente de outros países. A eficácia, a utilidade e a honestidade destes
serviços variam muito. Em tempos, a imprensa realizava uma espécie de ranking
em que classificava, segundo a opinião pública, cada serviço. Alguns,
aborrecidos com uma má classificação, esforçavam-se por melhorar, o que às
vezes conseguiam e nós ficávamos a ganhar.
Entretanto, com a privatização a
ajudar, mais a crise financeira e a compra e venda de empresas, sem falar na
concorrência e na voracidade de tanta gente, todas estas empresas se viraram
para a agressividade comercial. São dezenas de e-mails e telefonemas não
desejados que se recebem por mês em casa de cada um. Novos serviços, mais
pacotes, descontos aparentes, novos dispositivos, vantagens incríveis e brindes
inacreditáveis! No fim do dia, é sempre para vender mais mercadoria inútil,
fidelizar aberta ou furtivamente, instalar aplicações, adquirir uma nova “box”,
alargar o serviço para áreas inúteis e subtrair o cliente à empresa rival!
Uma moda recente é a dos serviços
de distribuição separados da produção e da assistência, o que exige escolhas
feitas pelos clientes, impostas por lei (dizem eles…), que logo anunciam
descontos e vantagens, mas que não têm uns nem outras. Rapazes e raparigas com
bilhetes de identidade vistosamente exibidos batem à porta, declaram que, “para
nosso bem”, vêm verificar as instalações e anunciam benefícios, mas que têm
sempre mercadoria para vender, regras absurdas e fidelizações ocultas! Para não
falar das “letras pequeninas” cheias de ratoeiras, nem das regras
incompreensíveis tanto para velhos analfabetos como para jovens doutorados!
Tentar esclarecer com os serviços
de assistência é inútil. Podemos esperar até meia hora a ouvir música idiota.
Quando a chamada é atendida, num Call Center da Covilhã ou de Cabo Verde, somos
informados que temos de fidelizar, que outro serviço tratará de nós, que é
necessário comprar mais um pacote ou mudar um tarifário! É inútil
queixarmo-nos. Ou porque não se sabe a quem. Ou porque os “provedores” estão ao
serviço da empresa, não de nós. Ou porque demoram. A análise das facturas é um
pesadelo. Informação inútil e excessiva, para que ninguém compreenda. Para
desmoralizar quem quer compreender. Ou obrigar toda a gente a desistir. Quando
há dupla facturação, ou contagem errada, é preciso primeiro pagar, depois
litigar, pagar inspecções (mesmo quando a culpa é deles…) e esperar. Meses…
Anos… Sorte nossa é quando recebemos a visita de um técnico ou assistente: a
gentileza e a perícia destroem o mito das máquinas e das competências digitais.
Algumas práticas destas empresas,
públicas ou privadas, são simplesmente ilegais. Como tanta gente lhes deve
emprego ou investimento, ninguém as castiga. Nem sequer se faz legislação que
proíba o assédio comercial.
Perceber o que “eles” fazem exige
tempo, sabedoria, paciência, letras, advogados e recursos. Quer isto dizer, esquecer.
Por outras palavras, dar milhões a ganhar às empresas. Privados ou públicos,
estes serviços teriam de responder, respeitar e servir. Não o fazem. E gabam-se
da sua agressividade. Uma coisa é certa: ninguém os desafia ou vigia!
DN, 12 de Março de
2017
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