domingo, 4 de outubro de 2015

Luz - Linhas de caminho-de-ferro entre Santa Apolónia e a Gare do Oriente, Lisboa


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Sempre o caminho-de-ferro foi uma tentação ou uma singular atracção. Seja para passear e fugir, seja para viajar e conhecer, seja finalmente para fotografar. Já viajei em alguns dos mais famosos caminhos-de-ferro do mundo, mas ainda estou longe de os ter feito todos. Nunca fui no Transiberiano, nunca atravessei a Índia de comboio (velho sonho…), nunca viajei desta maneira na Ásia ou na África… Em Portugal, infelizmente, os comboios são pouco importantes, cada vez menos úteis e confortáveis, nada eficientes e pouco pontuais. O mais bonito de todos, o da linha do Douro, e seus afluentes, os das linhas do Sabor, do Tua, do Corgo e do Tâmega, foram miseravelmente condenados por uma poderosa aliança que envolveu automóveis, autocarros, burocratas, capitalistas, socialistas, ministros, funcionários, empreiteiros, construtores de estradas e viadutos… Nesta imagem, vêem-se algumas linhas perto da estação de Santa Apolónia. Duas senhoras da limpeza em primeiro plano. Ao fundo, à esquerda, funcionários ou técnicos da CP. À direita, depois de várias composições em repouso, pilhas de contentores nas docas do Poço do Bispo. Parece que “eles” querem acabar com a estação de Santa Apolónia. Vai tudo para Oriente. Parece um plano “racional” e “integrado”, como “eles” dizem, mas é simplesmente mais um passo na destruição lenta dos comboios e na redução dos caminhos-de-ferro à sua mais ínfima expressão. E é também, seguramente, o papel de embrulho de uma estúpida operação de especulação fundiária. O belo edifício de Santa Apolónia vai para “hotel de charme”, comércio de luxo, lojas “gourmet”, recordações “topo de gama”, um “condomínio fechado” e outras tolices. A ruína e o abandono esperam-nos a todos…

domingo, 27 de setembro de 2015

Luz - As gruas Poderosa e Vigorosa no cais de Lisboa, nas docas do Poço do Bispo

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Esta é a continuação necessária da imagem anteriormente publicada. Depois de terminadas as suas tarefas, ao largo do Mar da Palha, a “Vigorosa” regressou ao seu poiso habitual, encostada ao cais, ao lado e cruzada com a “Poderosa”. É esta a imagem que se vê mais vezes, quando se passa pela região. Ao fim de algum tempo, as duas gruas transformam-se facilmente em imagem familiar. Além de serem bonitas, a sua posição tem algo de afável. Quem sabe se acolhedor, termo aqui inesperado, mas é o que me ocorre. Há quem diga que, naquela posição, as duas gruas fazem lembrar, estilizados, os corvos de Lisboa! Está tudo certo! (2015)

domingo, 20 de setembro de 2015

Luz - A grua Poderosa, no cais de Lisboa, nas docas do Poço do Bispo

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Tem mais de trinta anos. Funciona perfeitamente. Foi construída em Portugal, por uma empresa, a Mague, que desapareceu na voragem da revolução, do socialismo e do capitalismo. A grua é especializada em cargas a granel. Vai com um batelão ao largo, carrega e descarrega as mercadorias. Tem uma mecânica antiga e interessante. Pode dizer-se que é bonita e arrasa completamente os guindastes modernos e os pórticos para contentores. Os estivadores, homens sensíveis, deixaram-se há muito conquistar e deram-lhe este maravilhoso nome: “Poderosa”! Que pintaram no eixo principal, como se pode ver. Nesta imagem, onde a vemos sozinha diante do rio e do Mar da Palha, há qualquer coisa de majestático na sua pose. Mas também de triste e melancólico! Na verdade, como veremos em breve, a “Poderosa” tem a sua parceira, a “Vigorosa”, quase igual, com quem faz parelha todos os dias e que neste dia lhe faltou. Juntas, ganham alegria e encanto! (2015)

domingo, 13 de setembro de 2015

Luz-Entrada do novo edifício da sede da EDP, em Lisboa

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O edifício ainda não está acabado. Não me foi possível entrar, nem sequer passear nesta pátio estranho e atraente, que não é mais do que uma passagem através de todo o prédio, da avenida da frente para a rua das traseiras. O autor é o arquitecto Manuel Aires Mateus. O edifício fica na avenida 24 de Julho, perto do Tejo, não longe do Cais do Sodré e do Mercado da Ribeira, e terá oito pisos à superfície e seis subterrâneos para vários usos mais estacionamento. A abertura e a inauguração estão aparentemente atrasadas, pois estiveram marcadas para o segundo semestre de 2014. A obra terá custado mais de 60 milhões de euros, sendo que este valor não é rigoroso nem está confirmado. Todo o edifício vive muito da transparência dos materiais, nomeadamente o vidro profusamente utilizado. A perspectiva desta imagem depende do sol e das sombras. Só se obtém este plano a certas horas do dia e com a meteorologia adequada. É provável que a construção venha a ser polémica, tanto funcional como esteticamente. Será mérito seu. Para já, posso garantir que é uma verdadeira fantasia para qualquer fotógrafo! Poderá passar por ali horas, dias e semanas, em vários estacões do ano, a diferentes momentos do dia: nunca se cansará de jogar e brincar com a luz e a sombra! (2015)

domingo, 6 de setembro de 2015

Luz - Corredor com stands de malas num Centro Comercial de Xangai

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Era um centro comercial qualquer, nem muito popular, nem muito “chique”. Talvez uma dezena de andares com a organização conhecida por géneros e mercadorias. Uma primeira diferença relativamente ao que conheço pelas nossas bandas, a enormidade ou a dimensão de tudo aquilo. A quantidade infinita de produtos. A sucessão de stands, estantes e prateleiras com milhares de bens à venda. A organização propriamente dita também me pareceu diferente do que conheço. Os clientes andam em corredores todos mais ou menos iguais e passam entre filas de “curros” ou pequenos stands em forma de prateleira ou espécies de quiosques. Em cada “curro” ou stand, estão uma ou duas meninas. Geralmente passivas, à espera que o cliente se aproxime. Mas vão falando: duas frases em chinês, logo seguidas de um “Hello!” ou de um “Good morning!”. Vim a saber que cada “curro”, quiosque ou prateleira pertence a um proprietário ou a uma organização e cada vendedora é apenas responsável pelos seus produtos, que vai vendendo sem salário fixo, mas com percentagem sobre o ganho em cada dia. Nesta imagem, estamos na secção de malas de senhora: havia dezenas de corredores destes! As marcas era todas as conhecidas, de Vuiton a Prada, passando por Gucci e Longchamp e mais não sei! Todas pareciam verdadeiras, todas “cheiravam” a couro verdadeiro, todas tinham a “griffe” e a assinatura do fabricante genuíno. Custavam entre dez e cem euros… Todos os preços eram discutíveis e negociáveis. Alguns destes quiosques tinham uma porta. Atrás da porta, mais estantes, com os mesmos produtos, mas, diziam elas, verdadeiros! Estavam mais bem embaladas em papel de seda e caixa de cartão que mais parecia de bombons. Custavam entre cem e mil euros. Discutíveis, claro! (2014)

domingo, 30 de agosto de 2015

Luz - Fast food numa rua de Beijing

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Eram nove da noite. Fomos passear a pé, ver o movimento, a agitação era grande e o clima afável. Numa larga e moderna avenida de Beijing, onde se situam pelo menos dez hotéis de luxo e de cinco estrelas, assim como várias dezenas de lojas de grande luxo (Cartier, Prada, Louis Vuitton, Versace, assim como as populares Zara e Beneton), aparece, de repente, uma longa fila de stands de comida para levar ou comer ali, comes e bebes, “fast food”… Eram talvez duzentos stands, todos iguais, com número e nome dos responsáveis, com pessoal vestido da mesma maneira, com os mesmos bonés e aventais! Stands iguais, mas especializados nos seus petiscos. Provei umas deliciosas espetadas de fruta ao natural, outras com fruta mergulhada em açúcar caramelizado: óptimas! Quando comecei a ver comidas mais sólidas e espetadas mais problemáticas, percebi que estávamos em mundo diferente. Além da fruta, as espetadas podiam ser de pedaços de carne (talvez de porco) ou de inofensivos camarões e similares, mas também de ouriços, baratas gordas ou afins, cobras, lagartas, centopeias, aranhas e escorpiões. Dei “hossanas” ao relativismo cultural gastronómico, elogiei a diferença e a tolerância, lembrei-me dos nossos passarinhos fritos, dos caracóis, das pernas de rãs, das tripas e do arroz de cabidela… Mas virei as costas àquela bicharada toda e fui comer massa chinesa num restaurante vulgar e sem graça! (2014)

domingo, 23 de agosto de 2015

Luz - O “ninho” dos desportos Olímpicos, o estádio de atletismo em Beijing

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O seu nome completo é “Ninho de Pássaro”. Tem a capacidade para 80.000 espectadores. Ali se realizaram as provas de atletismo e algumas de futebol. A sua construção terminou em Março de 2008, a tempo dos Jogos de Verão desse mesmo ano. O estádio é muito curioso e a sua arquitectura interessante. Talvez não seja muito diferente de outros similares, mas conheço poucos. Os seus arquitectos foram os suíços Herzog e De Meuron, associados a grandes empresas multinacionais e chinesas. A concepção estética e formal depende de princípios e de “fórmulas” complexas, como sejam as oposições entre o bem e o mal, entre o caos e a ordem e entre o Yin e o Yang. É verdade que a assimetria, dentro de um conjunto aparentemente harmónico, é atraente ou pelo menos desperta a curiosidade. Nesta imagem, vêem-se três ou quatro vendedores de qualquer coisa, incluindo uma, no primeiro plano, que vende fotografias dos visitantes, mostrando uma espécie de exemplos dos planos possíveis para o cliente fotografado com o ninho atrás! Mas repare-se na maneira como está vestida! Como ela, havia mais umas dezenas ali à volta. Boné, cachecol, lenço, véu, Estrela Vermelha, camuflado… Tentei perceber as razões deste disfarce ou deste uniforme. Só obtive uma informação para o lenço na boca: protecção contra a poluição de Beijing, geralmente elevadíssima, mas naquele dia, por sorte a minha, quase inexistente. Como se pode ver pelo céu pelas cores e pelos objectos… (2014)

domingo, 16 de agosto de 2015

Luz - Stand de relógios na avenida dos Jogos Olímpicos, em Beijing

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Esta avenida, que leva até aos grandes pavilhões de natação e ao famoso “ninho”, o estádio olímpico, assim como a outros equipamentos olímpicos, é muito longa e larga, tendo por todos os lados centenas de stands, mesas e quiosques de todos os feitos. Muitos deles são simples mesas, como esta aqui. As vendas de relógios são das mais populares, logo a seguir às de capas de telemóveis. Parei diante de algumas e estive a ver as marcas. Rolex, Tag Heuer, Longines, Ómega, Vacheron, International Watch… É o embaraço da escolha! Os preços variam entre 5 e 30 dólares, mas os mais caros, bem conversados, podem sair por 10 ou 12 dólares! Vi um senhor europeu comprar vinte! E um casal chinês que levou dez! Esta mesa era especializada em desenhos esquisitos no mostrador e atributos mais adolescentes. (2014)

domingo, 9 de agosto de 2015

Luz - A escadaria de São Bento em dia de manifestação, Lisboa

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Ao fim da manhã, era assim: praça quase deserta, nenhum sinal de desordem ou de multidão. Um pai atravessa a rua com a filha, ordeiramente, pela passagem de peões. Quatro polícias zelam pela tranquilidade dos locais e defendem a integridade do Parlamento, a casa da democracia. Não é que se veja ou sinta, mas há qualquer coisa nesta imagem que revela tensão. O “silêncio” e a falta de ruído iconográfico (poucas pessoas, pouco movimento, pouca confusão…) sugerem uma ansiedade. A presença dos agentes da polícia diante de nada ou de ninguém obriga-nos a pensar no que virá a seguir, nas possíveis tempestades. Algo se prepara e a polícia parece preparada. Horas depois, assistiríamos a uma das manifestações mais estranhas e mais difíceis na história da democracia portuguesa. Uns milhares de polícias e guardas manifestavam-se ruidosamente contra o governo e alertavam o Parlamento. A um momento dado, os polícias manifestantes quiseram dizer aos poderes que, se quisessem, podiam invadir o Parlamento e ir até onde lhes apetecesse. Os polícias de serviço ainda tentaram resistir, mas foram submersos e empurrados. Em poucos segundos, os manifestantes galgaram barreiras e subiram as escadas. Só pararam onde quiseram, à beira dos últimos degraus do Parlamento. O recado foi dado. Os poderes estabelecidos tremeram. Até a oposição engoliu em seco. Um dia saberemos se esta foi a primeira de uma série maior… (2014)

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Morreu um amigo!

Luís Roseira era lavrador do Douro, produtor de vinho do Porto e do Douro. Deu corpo à empresa e aos vinhos da Quinta do Infantado. Lutou durante pelo menos setenta anos pelo Douro e pelos Durienses. Era médico João Semana e anestesista. Exerceu em Covas do Douro e no Porto. Fez dezenas de partos, milhares de quilómetros para socorrer doentes, ajudou pobres e tratou dos amigos. Era um democrata, um socialista e um homem livre. Partido, autoridade, Igreja, Banco, burocrata ou milionário: ninguém mandou nele. Por isso esteve preso. Por isso os dirigentes de tudo e de mais qualquer coisa o consideraram sempre um incómodo. Escreveu centenas de artigos em jornais, assim como um livro de memórias e de combate. Só a doença o calou. Morreu ontem.

domingo, 2 de agosto de 2015

Luz - Cais das Colunas, Praça do Comércio, Lisboa

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É possível que este local se tenha tornado uma dos “spots” mais visitados e mais fotografados de Lisboa e de Portugal. Em certo sentido e sem comparar com as belezas excepcionais (como sejam a região do Douro, os Açores, o mosteiro de Alcobaça…), devo dizer que o merece. O sítio, pela topografia e pela história, tem qualquer coisa de mágico. Não foi dali que as míticas caravelas partiram, mas toda a gente, a começar pelos turistas, pensam isso! Quando por ali ando, a passear ou a fotografar (o que faço, naquele local, há mais de trinta anos), olho para as caras dos outros, passantes e turistas: todos têm o ar sério de quem está diante da História! Ou de quem por ela está subjugado. Mesmo agora, com selfies e auscultadores, ou com “piercings” e tatuagens, ninguém resiste a um pouco de meditação diante do Cais das Colunas! Na outra margem, o Barreiro industrial (deveria agora dizer-se ex-industrial), a Lisnave (o que dela resta na Margueira) e o Cristo Rei não são os melhores conselheiros para sonhar e meditar com a história nacional. Talvez Belém. Ou, melhor ainda, o Cabo Espichel… (2014)

domingo, 26 de julho de 2015

Luz - Hotel em Tróia

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Plano interior de um hotel de Tróia. Estive mais de vinte anos sem vir por estes lados. A penúltima vez que lá passei, vivia-se em clima de crise (empresas praticamente falida, degradação das instalações e dos equipamentos), os edifícios estavam velhos, os clientes arrastavam-se… Agora, as coisas parecem ter melhorado. As famosas torres foram derrubadas, ou antes, “implodiram”, construíram-se novas moradias e novos edifícios, fez-se um novo casino… Quando por lá passei, há menos de um ano, havia pouca gente nas ruas, nos hotéis e no casino. Mas pessoas que lá trabalham disseram que o “resort” estava a progredir… Apesar do clima de crise… (2014)

domingo, 19 de julho de 2015

Luz - Terreiro do Paço, Lisboa.

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Já aqui um dia um comentário de uma leitora sublinhava o facto de uma fotografia não dizer nada do local onde tinha sido feita. Podia ter sido em qualquer sítio… Concordei, mas não considero o facto negativo. Na verdade, este blogue não é sobre Lisboa, é sobre a luz… Nesse espírito, insisto! Este passeante, sozinho, vestido como quem trabalha em escritório, com chapéu quase de férias e com deliciosa sola de sapato, estava a pedir uma fotografia. De costas, como tantas vezes faço, na tentativa de estar a ver o que as pessoas vêem ou de me dirigir para onde elas vão. (2014)

domingo, 12 de julho de 2015

Luz - Ribeira das Naus, Lisboa

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Duas turistas acaloradas repousam e bebem água à beira Tejo. Uma delas ostenta uma horrenda “tatuagem” com gaiola e literatura chinesa. Bem que gostava de saber o que dizem os ideogramas! Seria engraçado que ela julgasse que se trata de poesia oriental, mas que o artista que tatuou se tivesse dado a uma liberdade poética e escrevesse qualquer coisa de inconveniente… Neste novo sítio de Lisboa, ou antes, neste velho sítio, tanto tempo desprezado e agora renovado e arranjado, os turistas são aos milhares todos os dias. Já lá os vi com e sem sol, com e sem calor, com e sem chuva. Assim como com e sem vento. Este é, aliás, um dos piores incómodos de Lisboa ao ar livre. Mas foi seguramente esta uma das razões do abandono a que foi votada a Lisboa do rio, assim como um motivo para a quase inexistência, durante décadas e décadas, de esplanadas na cidade. Agora, com meios de protecção de toda a espécie, são finalmente possíveis um copo ou uma refeição ao ar livre e com a maravilhosa luz de Lisboa ao fim da tarde. Pena é que venham cada vez mais os piercings, as tatuagens, os brincos extravagantes, os cadeados e as grilhetas penduradas do nariz… (2014)

sábado, 4 de julho de 2015

Douro, lugar de um encontro feliz - Exposição de fotografias

CONVITE

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Press Release
O Museu do Douro inaugura no dia 10 de Julho a exposição de fotografias de António Barreto: “Douro, lugar de um encontro feliz”. A exposição é comissariada por Ângela Camila Castelo-Branco que seleccionou para a mostra fotografias do autor realizadas entre 1978 e 2014. O projecto teve como parceiros a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte e a Liga dos Amigos do Douro Património Mundial.
A exposição consta de 55 fotografias a cores e a preto-e-branco mostrando a diversidade de pontos de vista e de impressões proporcionada pela Região, com particular foco nas vinhas, no vinho, no rio e nos socalcos e encostas dos vales do Douro e seus afluentes. Nesta região, ocorreu, há séculos, um encontro feliz entre trabalhadores, lavradores e comerciantes, entre portugueses e estrangeiros (ingleses, escoceses, holandeses…), de que resultou um grande vinho e uma paisagem única. Esta última, de excepcional beleza, é o resultado de um enorme esforço humano de trabalho, cuidado e disciplina. Assim como é testemunho de capítulos importantes da história de Portugal e do seu comércio.
A exposição estará patente ao público, na sede do Museu do Douro, no Peso da Régua, de 10 de Julho a 28 de Setembro de 2015. Depois deste período, entra em itinerância pela Região Demarcada do Douro.
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António Barreto nasceu no Porto em 1942. Sociólogo, professor universitário e político, foi deputado e membro do governo, assim como colunista de vários jornais. Sócio correspondente da Academia das Ciências de Lisboa. Prémio Montaigne em 2004. Autor da série de televisão “Portugal, um retrato social” e do documentário “As horas do Douro”. Presidente da Fundação Francisco Manuel dos Santos, de 2009 a 2014. Sócio fundador da APPh. (Associação Portuguesa de Photographia). Autor de vários livros, entre os quais “Um Retrato do Douro”, “Douro”, “Fotografias 1967-2010” e “Douro; Rio, Gente e Vinho”.-Branco nasceu em Lourenço Marques, Moçambique,
Ângela Camila Castelo-Branco nasceu em Lourenço Marques, Moçambique, em 1966. É documentalista no Arquivo Histórico da RTP (Rádio Televisão de Portugal). Estudou fotografia no AR.CO (Centro de Arte & Comunicação Visual) de 1993 a 1997. Foi comissária de diversas exposições. Proferiu conferências. Tem publicado vários textos sobre História da Fotografia. Foi responsável pela organização e selecção iconográficas de vários livros. Coleccionadora de fotografias de Portugal e das ex-colónias. Sócia fundadora e membro da Direcção da Associação Portuguesa de Photographia (APPh.).
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domingo, 28 de junho de 2015

Luz - Ponte D. Luis, na Ribeira do Porto, a terminar nas brumas de Gaia.

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A fotografia foi feita de manhã. As brumas e os nevoeiros do Porto e de Gaia são famosos e muito fotogénicos. No primeiro plano, dois dos muitos barcos de recreio que agora são numerosos e que trouxeram uma vida nova, seja a esta Ribeira, seja ao rio Douro, vale acima. (2014)

domingo, 21 de junho de 2015

Luz - Cais das Colunas, Terreiro do Paço, à beira Tejo, Lisboa

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Talvez não seja evidente, mas a parte que se vê da margem do rio, em primeiro plano, é mesmo o princípio do Cais das Colunas. Este foi restaurado, recomposto e arranjado como parte das grandes e atrasadas obras da Praça do Comércio, da Ribeira das Naus, do Cais do Sodré e vizinhanças. Tudo demorou tempo a mais. Nada verdadeiramente acabou ainda, podem ver-se por ali restos de obras, ajustes ulteriores, desvios provisórios e outros dispositivos da nossa imaginação poderosa para designar coisas mal acabadas! Mas é verdade que, no conjunto, está ali uma nova área interessante para o passeio, a estética, o turismo, o património e a urbanização. Ainda faltam muitas árvores, talvez cresçam! Este Cais das Colunas, com os seus mitos e encantos, é dos pontos que atrai mais gente aos gritinhos a fazer “selfies” e outras parvoíces. Mas também há quem vá para ali simplesmente ler! Ao fundo e à direita da fotografia, restos da velha Estação do Terreiro do Paço onde partem barcos de recreio e cruzeiro no Tejo, assim como as linhas de passageiros para o Montijo. O velho edifício está agora podre. Em vez de ser aproveitado, foi abandonado, para dar lugar a um novo mesmo ao lado. Ficámos com os dois. O que aqui se vê, com ancoradouro e plataforma de embarque, é o velho. (2014)

domingo, 14 de junho de 2015

Luz - O rio Douro, na Régua

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O rio corre da esquerda para a direita da fotografia. Ao fundo, aquele monte, na minha juventude, estava quase desabitado. Em baixo, ficavam Godim, os Quatro Caminhos e o Salgueiral. A estrada continuava para a Rede, Mesão Frio, Amarante e o Porto. Lá em cima, ficavam Fontelas, Loureiro e uma mão cheia de lugares. Hoje, já se pode ver a urbanização a subir pela montanha fora. A beleza da paisagem não é a primeira realidade a ser preservada! Na imagem, percebe-se como o rio dá uma curva enorme para a esquerda, em direcção a Resende, Caldas de Aregos, Entre-os-Rios, Castelo de Paiva e até ao Porto. Esta curva e esta paisagem foram festejadas por Ramalho Ortigão, num seu escrito incluído nas “Farpas”. Dormiu lá em cima, numa quinta de gente amiga. De manhã, ao acordar, deparou-se com esta mesma paisagem (vista ao contrário) e ficou extasiado! Talvez hoje, com as construções, o casario, as torres e os prédios, não tivesse o mesmo espanto. Mas o vale do Douro e a curva do rio ainda lá estão para nos fazer reter a respiração! (2014)

domingo, 7 de junho de 2015

Luz - Nas margens do rio Douro, entre o Porto e Vila Nova de Gaia.

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Pai e filha, na Ribeira, ao pé do rio. Em frente, do lado de lá do Douro, escondida na bruma da manhã, Vila Nova de Gaia, na zona dos grandes armazéns e das caves de vinho. (2014)

domingo, 31 de maio de 2015

Luz-Nas margens do rio Douro, entre o Porto e Vila Nova de Gaia.

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Pai e filha, na Ribeira, ao pé do rio. Em frente, do lado de lá do Douro, escondida na bruma da manhã, Vila Nova de Gaia, na zona dos grandes armazéns e das caves de vinho. (2014)

domingo, 24 de maio de 2015

Luz-Nas margens do Tejo, Lisboa

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Vista de cacilheiros ou equiparados, em frente ao Terreiro do Paço, a caminho de Almada ou do Barreiro. (2014)

domingo, 17 de maio de 2015

Luz-Nas margens do rio Nilo, Egipto.

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Algures entre Luxor e Edfu. A descida do Nilo, em barco de cruzeiro, desde Assuão, no Sul do Egipto (onde se construiu a grande barragem e se fez a respectiva albufeira), até perto do Cairo, é uma das viagens com que se sonha desde pequenino. Esperei sessenta anos. Finalmente, foi possível. Além de muitos outros menos conhecidos, lugares mágicos como Abu Simbel, Luxor, o templo de Karnak, o Vale dos Reis e a pirâmide de Saqqara, passear no deserto e descer o rio Nilo de barco eram sonhos inevitáveis. O percurso era de encanto e deslumbramento. No barco, com tempo e vagar, aproveitavam-se os dias para ler e estudar. E ficar horas encostado à amurada a olhar. Para fotografar e descansar. E tomar refrescos sem parar. Na parte mais fértil das margens do rio, tudo correspondia ao que se dizia e aprendia na escola. Aquelas são das terras mais produtivas do mundo, dão várias colheitas por ano e há uma actividade agrária incrível em, todo o sítio. Parece que há menos actividade e menos produção do que antigamente, dado que a barragem de Assuão e a regularização do rio e das cheias trouxe alterações ecológicas prejudiciais. Mas o que se vê nas margens é igual ao que dizem os lugares comuns e os mitos! (2006)

domingo, 10 de maio de 2015

Luz-Casario moderno em Jerusalém.


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Bairros e partes da cidade moderna vistos do meu hotel. A cidade moderna parece-se mais ou menos com isto: tudo em construção. Casas com dois a quatro andares, em maioria. Novos edifícios com dez, vinte ou trinta andares a crescer por todo o lado. É curioso que haja alguma homogeneidade nos estilos de construção e nas cores dos edifícios. A cor de areia domina tudo. O que aliás se repete na parte velha da cidade, nas muralhas, nos monumentos, nos templos e nos edifícios públicos. Não cheguei a perceber se era espontâneo, tradição, norma ou imposição. Mas pareceu mais que se tratava desta última. Dá alguma alegria ver que numa cidade de região árida, as árvores (ciprestes, cedros, oliveiras…) espalham-se por todo o tecido urbano. Não há muitos parques, mas árvores não faltam. (2012)

sábado, 2 de maio de 2015

Luz-Rua de Jerusalém

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Uma qualquer rua, a uma qualquer hora. Há elementos casuais de composição prévia e de ironia posterior. Um sentido proibido. Uma loja chamada TNT. Uma menina de capuchinho vermelho. Três soldados de patrulha fortemente armados. Dois rapazes em conversa e telemóvel. Um lugar da fruta e de gelados Olá… Os soldados e as suas armas são evidentemente o factor perturbador de uma rua qualquer a uma qualquer hora. Mas em Jerusalém, é assim. Entre a paz e a guerra. Estive na cidade poucos dias, mas nunca esquecerei. O peso e a densidade da história. A pluralidade tensa. O significado de tudo, dos palácios aos templos, das pedras às ervas e às árvores. A civilização contemporânea vai-se imiscuindo por entre os vestígios e restos de três ou quatro mil anos de vida e de conflito. Ali percebi que há problemas sem solução, guerras perpétuas e conflitos como modo de vida. O máximo que se poderá conseguir é aprender a viver assim, com conflito, guerra, tensão e rivalidade. Com solução é que não. (2012)

domingo, 26 de abril de 2015

Luz - Um quiosque de jornais, Lapa, Lisboa

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É o quiosque da esquina da rua Borges Carneiro com as ruas da Lapa, dos Navegantes e do Quelhas. Por outras palavras, é o quiosque dos “Quatro Caminhos”. Todos os dias, venho aqui ver as novidades. Todos os dias esta organização zela por mim e faz-me chegar os jornais e revistas. A Maria Irene e o Floriano tratam do negócio e ocupam-se dos clientes como se fossem seus amigos. Declaração de interesses: frequento este quiosque com grande regularidade.

domingo, 19 de abril de 2015

Luz - O Chef, Lapa, em Lisboa

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É uma formidável loja de “comida pronta”, mas também restaurante, café e casa de chá. Há momentos do dia em que a paz é total, ali se pode ler o jornal, beber o café, descansar ou meditar. É ali que se podem resolver, com mérito e benefício, todos os problemas de refeições fora de horas e de faltas imprevistas no frigorífico. Pode comprar-se e levar para casa, pode comer ali numa mesa a qualquer hora. É uma casa de fidelidades: há pessoas que ali vão, regularmente, há décadas. Há outras que passam quase todos os dias. Há os regulares, a dias certos e a horas exactas. Só falta mesmo dizer que a comida é excelente. Com especial menção para as empadas, os ovos verdes, a massinha chinesa, a massa com camarão, a feijoada, o arroz de pato, os famosos “queques do Chef”… Declaração de interesses: frequento o Chef com grande regularidade.

domingo, 12 de abril de 2015

Luz - Terreiro do Paço, Lisboa

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À espera do autocarro. A imagem é feita a partir do alto do Arco da Rua Augusta, aberto ao público há pouco tempo (talvez um ano…).

domingo, 5 de abril de 2015

Luz - Depósito de carros eléctricos na Outra Banda, Almada


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Por aqui passei, há vinte ou trinta anos! A estes maravilhosos carros, não sei o que lhes aconteceu. Recordo-me de ter pensado, na altura, que cada carro destes, à espera de destruição e vandalismo, poderia ser recuperado e vendido a cidades e museus que não desprezam os seus carros eléctricos. Naqueles tempos, Lisboa parecia apostada em destruir os carris e as viaturas o mais depressa possível. Era a modernização! Nesses mesmos anos, pela Europa fora, faziam-se esforços loucos para recuperar as linhas similares, em França, na Alemanha, na Suíça… Depois disso, alguma sensatez se desenvolveu nas cabeças dos nossos vereadores, secretários de Estado e Ministros: nem todas as linhas foram destruídas! E já se fala mesmo, hoje, em relançar alguns percursos. Ainda recentemente fiz várias vezes as linhas do 28 e do 25, do princípio ao fim, de ida e volta… Experiência a não perder. Nos percursos onde existem, são estes carros que vou utilizando.