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Sempre o caminho-de-ferro foi uma tentação ou uma singular atracção. Seja para passear e fugir, seja para viajar e conhecer, seja finalmente para fotografar. Já viajei em alguns dos mais famosos caminhos-de-ferro do mundo, mas ainda estou longe de os ter feito todos. Nunca fui no Transiberiano, nunca atravessei a Índia de comboio (velho sonho…), nunca viajei desta maneira na Ásia ou na África… Em Portugal, infelizmente, os comboios são pouco importantes, cada vez menos úteis e confortáveis, nada eficientes e pouco pontuais. O mais bonito de todos, o da linha do Douro, e seus afluentes, os das linhas do Sabor, do Tua, do Corgo e do Tâmega, foram miseravelmente condenados por uma poderosa aliança que envolveu automóveis, autocarros, burocratas, capitalistas, socialistas, ministros, funcionários, empreiteiros, construtores de estradas e viadutos… Nesta imagem, vêem-se algumas linhas perto da estação de Santa Apolónia. Duas senhoras da limpeza em primeiro plano. Ao fundo, à esquerda, funcionários ou técnicos da CP. À direita, depois de várias composições em repouso, pilhas de contentores nas docas do Poço do Bispo. Parece que “eles” querem acabar com a estação de Santa Apolónia. Vai tudo para Oriente. Parece um plano “racional” e “integrado”, como “eles” dizem, mas é simplesmente mais um passo na destruição lenta dos comboios e na redução dos caminhos-de-ferro à sua mais ínfima expressão. E é também, seguramente, o papel de embrulho de uma estúpida operação de especulação fundiária. O belo edifício de Santa Apolónia vai para “hotel de charme”, comércio de luxo, lojas “gourmet”, recordações “topo de gama”, um “condomínio fechado” e outras tolices. A ruína e o abandono esperam-nos a todos…