domingo, 15 de maio de 2016

Luz - Turista com eléctrico e Orpheu, Martim Moniz, em Lisboa

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No Martim Moniz, turistas embarcam no 28, o mais famoso dos eléctricos lisboetas. É o que vai do Martim Moniz aos Prazeres, a Campo de Ourique e à Estrela. Já vi filas com mais de duzentas pessoas à espera! No Verão, valia a pena a Carris pensar em aumentar a oferta nas suas linhas populares. E já agora reforçar a vigilância, dado que é a “cena” favorita dos carteiristas! Neste 28, ao lado da referência ao Orpheu e a Fernando Pessoa, uma fotografia publicitária que parece nada ter a ver com o poeta ou a poesia! Pode ser um daqueles instantâneos muito conhecidos relativos à implantação da República, que, de facto, deu muitos carros (a motor ou a cavalo, como este aqui) apinhados de manifestantes e de revolucionários. Não se percebe bem o que estará aqui a fazer esta imagem. Ou será de mais um golpe dos muitos que se fizeram naqueles anos? Será de 1915, como o cartaz refere? Nesse ano, a revolta contra o governo de Pimenta de Castro provocou a morte de umas centenas de pessoas, assim como a demissão de Manuel de Arriaga. Esta fotografia foi feita 100 anos depois! (2015)

2 comentários:

bea disse...

Gosto um imenso desse eléctrico. Leva um tempão até aos Prazeres mas vale a pena. Mas agora as filas são de uma enormidade que transtorna qualquer um. Há anos que não vou até ao fim da linha.

Tout va bien disse...

No ano de 1915 registou-se também uma grande agitação e discussão a nível nacional sobre a entrada ou não de Portugal na Grande Guerra. Parece-me que a imagem desse carro puxado ainda a cavalos e cheio de homens aguerridos revela bem o estado de um país que pretendia defender as suas colónias, afirmar o regime republicano e de conquistar o respeito dos poderosos. Sempre em bicos de pés e armas nos dentes, os portugueses, nesse ano, revelaram-se atrevidos, tanto na literatura como nas artes visuais. Contra a academia, marchar, marchar!...