quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Luz - Uma vinha nova em socalcos modernos.

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Nas extremas, podem ver-se socalcos e patamares mais antigos. Nestes socalcos modernos, deve assinalar-se o facto de muitos deles estarem amparados por muros antigos, daqueles que já quase se não fazem hoje. Em cada socalco, apenas dois “bardos”, duas filas de videiras devidamente aramadas. A grande distância entre os dois bardos é feita em previsão da passagem das máquinas. Esta vinha parece excepcionalmente bem tratada. (2007).

6 comentários:

Anónimo disse...

(...) uma vinha nova em socalcos (os chamados 'murtórios', característicos dessa paisagem ímpar, em tempos abandonados devido à filoxera) modernamente reabilitados!

AB

António Barreto disse...

Prezado Anónimo,
Será que percebi bem o seu comentário? Quer dizer-me que eu deveria ter dito "socalcos modernizados"? Se é isso, creio que tem razão. Os socalcos são de facto antigos, mas foram modernizados de duas maneiras diferentes. Nuns sítios, com muros reconstruídos; noutros, com taludes de terra, que é uma técnica moderna.
Será que quer corrigir os meus "mortórios", assim escrito há semanas, que você chama "murtórios"? Neste caso, creio que não tem razão. Sempre vi escrito com "o", em toda a literatura. Como sabe, os dicionários não referem o termo, nem sequer o da Academia.
AB

EG disse...

Da primeira vez que ouvi falar em "mortório" (fotografia de 7 de Agosto) procurei nos dicionários. Só encontrei no Houaiss, que diz que mortório (com o) significa (entre outras coisas)área sem cultivo, abandonada, improdutiva. Até fazia sentido. Afinal mortórios são socalcos? Já não entendo nada. Podiam explicar... Nem toda a gente sabe do Douro e da vinha...

António Barreto disse...

Prezado EG,
O Houaiss tem razão. Como quase sempre! Os mortórios são de facto terras abandonadas. No Douro, são assim designados os socalcos abandonados. Eram socalcos com vinha até que, a partir da década de 1870, foram atacados pela filoxera (temível insecto!) e as vinhas morreram. Em muitos desses socalcos, a vinha regressou anos depois, plantada com "vinha americana" que depois era enxertada. Só que muitos desses socalcos nunca foram replantados. Por várias razões. Eram terrenos difíceis. Era muito caro. Os lavradores arruinaram-se e foram-se embora. Os proprietários arranjaram outros terrenos para cultivar. Muitos mortórios passaram a ser cultivados com olival. Etc. Nos finais dos anos 1970, fez-se um inventário e chegou-se à conclusão que haveria ainda cerca de 12.000 Hectares de mortórios (a área total de vinha na Região Denmarcada é hoje de cerca de 42.000 Hectares). É possível que a área de mortórios ainda seja hoje de perto de 10.000 Hectares. Pode a imagem (e o nome...) ser desoladora, mas há mortórios de uma beleza indescritível, apesar da crueza.
AB

EG disse...

Muito obrigada pela explicação tão completa. Tudo claro, agora. É importante compreender-se o que as fotografias representam. Porque, para terem força, não devem ser só vistas com os olhos, mas também com a cabeça. E ainda, as mais das vezes, com o coração.

Anónimo disse...

Caro AB (uma coincidência!)

separando águas, sim, embora prefire o termo 'reabilitados', porque os ditos 'mortórios' (e agradeço a correcção, sem dúvida mais coerente c/ a sua provável etimologia) são, de facto, pré existentes (ao nosso tempo), dominantes na paisagem e reflexo das (ainda hoje) enormes dificuldades à cultura da vinha.

O erro (ortográfico) é apenas meu e deve-se, curiosamente, à oralidade da transmissão (do termo, não do lapso!), num desses memoráveis passeios pelo Douro.

Para além da preciosidade (ou anacronismo) da palavra, é ainda mais sugestiva a tragégia que lhe está associada, como foi a filoxera, com episódios dramáticos para as populações, entre outras sagas locais - das poucas páginas onde encontrei isso descrito, com registo dos pormenores da época (verdadeira arqueologia p/ os sociólogos!), terá sido no 'Santofâmia', de Luís de Carvalho e Oliveira (será que existe algum na Biblioteca Nacional?)

Retribuo assim (e alargo -espero- o alcance d) os comentários.

AB (abraço e pseudónimo, apesar da coincidência, involuntária, acrescente-se)