domingo, 12 de maio de 2013

Luz - Cemitério Judeu, Jerusalém 2012

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Mais propriamente, o cemitério do Monte das Oliveiras. Diz a tradição judaica que será neste cemitério que, aquando da chegada do Messias, começarão as primeiras ressurreições. Os enterrados aqui terão assim as primeiras oportunidades... Várias foram as tentativas de vandalizar este cemitério, como por exemplo o túmulo de Menahem Begin. Neste cemitério, vi pela primeira vez as pedrinhas colocadas em cima das pedras tumulares. Fiquei intrigado. As respostas mais plausíveis que encontrei diziam que as pedras eram sinais de homenagem ou recordação, mas que, ao contrário das flores que murcham em poucos dias, estas pedrinhas duram para sempre. Ainda não tive a oportunidade de confirmar com gente sábia, mas pareceu-me ser razão verosímil e suficiente para a tradição. Verifiquei ainda que, nos cemitérios muçulmanos e cristãos de Jerusalém, também havia pedrinhas por cima dos túmulos. Fiquei comovido. Havia, pelo menos durante a morte, alguma unidade, alguma comunidade entre os três povos ou as três religiões. (2012)

4 comentários:

E.G. disse...

Quanto ao significado das pedrinhas sobre as pedras tumulares, pedi ajuda a uma amiga, que conhece bem a cultura judaica e Jerusalém. A explicação que ela de imediato me deu não é muito diferente do que está escrito no texto que acompanha a fotografia, mas vai um pouco mais longe. Vou tentar reproduzir o que ela me disse.
Colocar pedras sobre os túmulos é uma tradição judaica, que tem a ver com os tempos em que tinham muitas vezes que se enterrar os corpos no deserto. As pedras eram então usadas para segurar as areias e para marcar o local onde o corpo tinha sido enterrado. Hoje em dia, levar uma pedra quando se vai a um cemitério significa o mesmo que para nós levar flores (além da tradição, naquelas terras não é fácil cultivar flores…): mostrar que não esquecemos a pessoa. A pedra significa perenidade, neste caso a perenidade na nossa memória.
Os judeus costumam também colocar pedras nos túmulos de pessoas de outras religiões que foram amigas dos judeus ou os auxiliaram (em Jerusalém, por exemplo, na sepultura de Schindler, que está num cemitério cristão). Deve ser isso que explica as pedras nos cemitérios muçulmanos e cristãos. Naqueles lugares, a unidade, mesmo só “durante a morte”, ainda parece uma utopia…

E.G. disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Bartolomeu disse...

Se formos possuidores de imaginação suficiente, podemos encontrar um paralelo entre a tradição judaica e a vida actual dos portugueses: apesar de ainda andarmos por aí, já estamos mais mortos que vivos e carregamos às costas, uma montanha de pedras. Será que todo este penar nos irá garantir a ressureição?

Semisovereign People at Large disse...

lamentamos que ainda venham mais já temos padeiros de sobra...

temos é pouca farinha