quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Luz - Revista de carros, 28 de Setembro de 1974

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Foi o primeiro grande “apertão” da revolução que, gradualmente, deixava de ser democrática para se ir tornando socialista e comunista. Naquele dia, além de centenas de prisões sem culpa, foram feitas barricadas em vários pontos do país, especialmente Lisboa. Civis e militares colaboravam na revista, nesta imagem na Calçada de Carriche. Procuravam-se “bandidos” e “armas”. Neste sítio, ao fim do dia, os “vigilantes” tinham feito um espólio, que também fotografei: três varapaus, duas mocas, um cassetete, três garrafas de litro vazias (seria para fazer cocktails Molotov?), duas facas, um canivete de média dimensão e uma correia de bicicleta. Era com este armamento que a contra-revolução estava em marcha! (1974)

4 comentários:

CLAP!CLAP!CLAP! disse...

Eu era um miúdo saído dos bancos do liceu. Assustei-me e fugi para um pinhal com uma namorada, tentando fugir a uma realidade que me parecia dura e insuportável. Esse namoro durou nove anos...

Carlos Medina Ribeiro disse...

Quanto ao facto de, nas barricadas, não se terem encontrado armas, é natural que assim fosse. Ou porque não as havia, ou porque, nesse dia, a ninguém lembraria trazê-las, pois desde manhã cedo que toda a gente sabia que ia haver barricadas e revistas aos carros.
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A situação político-militar, nessa altura, era complicada e, para a esquerda, tinha aspectos muito preocupantes:

Pouco antes, Pinochet tinha chegado ao poder no Chile, e havia a ideia muito generalizada de que em Portugal poderia suceder o mesmo.

Nessa época, e até bastante depois, falava-se em fuzilamentos como hoje se fala de futebol.
E, como se sabe, ainda morreu muita gente (bombardeamento do Ralis, bombas, assaltos a sedes partidárias, etc)

E parecia não faltarem voluntários para golpes «à Pinochet», a começar por Galvão de Melo, do Conselho da Revolução (que defendeu os Pides e que, mais tarde, confessou que tinha aderido à Revolução para a sabotar), até Spínola - passando por mais alguns bem conhecidos à época.

No dia 28 de Setembro Spínola pretendia uma grande manifestação de apoio (a famigerada "maioria silenciosa", que encheu Lisboa de cartazes sinistros), na Praça do Império, e sabe-se como ele era adepto de soluções musculadas:

Veio a prová-lo à saciedade no 11 de Março seguinte (com morte de gente...), na criação de movimentos armados clandestinos de extrema-direita (a partir de Espanha, para onde tinha fugido de helicóptero), etc.

Ainda 1 ou 2 dias antes do 28 de Setembro houve a famosa tourada no Campo Pequeno, que se traduziu numa manifestação de apoio a Spínola e de incitamento claro a um golpe de direita.

Maurício Barra disse...

ete11mauFoi o início da escalada para transformar Portugal num país socialista (?),comunista(?). Sobrevivemos à tomada do poder, não sobrevivemos à chantagem ideológica que nos continua a condicionar. Acumulado, já são cem anos em que os portugueses não são a razão concreta de governo, são as cobaias e vítimas abstractas de projectos ideológicos insanes ( da República pouco democrática, passámos a uma Ditadura de Direita nada democrática, acabamos numa democracia controlada e condicionada por uma esquerda arcaica ).

Pinto de Sá disse...

Estou varado com as recordações do meu colega Eng. Medina Ribeiro! É que lamento ter de o dizer, mas faz uma verdadeira reescrita da História!
1 - Pinochet chegara ao poder ano e meio antes, mas depois disso o 25 de Abril, precisamente, mostrara que a tropa também podia "estar ao lado do povo". E os oficiais do regime deposto tinham sido todos saneados! Como seria possível um golpe militar à Pinochet em tal contexto? É falso que alguém temesse tal coisa naquela altura!
2 - Ninguém falava em fuzilamentos naquela altura. O mais que se reclamava era "morte à PIDE", no meio de milhares de saneamentos. E as mortes vieram muito depois, no Verão quente. E aliás, no bombardeamento do Ralis a 11 de Março do ano seguinte, que foi muito depois, já num ambiente completamente diferente, não morreu ninguém; morreu foi um pacífico civil que passou por ali com a namorada num mini e foi crivado e balas pela esquerda militar ululante!
Essa do Galvão de Melo ter entrado na revolução para a sabotar é delirante! O 25 de Abril não era para ser nenhuma revolução, mas sim para "democratizar, descolonizar e desenvolver", e por isso a Junta de Salvação Nacional nada tinha de revolucionário na sua composição. Foi precisamente a "inventona" do 28 de Setembro que lhe veio a dar esse rumo!
Spínola queria uma solução musculada com a manifestação pretendida da maioria silenciosa? Ele queria apenas cumprir o programa anunciado no 25 de Abril, as ideias que expusera no seu livro "Portugal e o futuro" e por causa das quais foi precisamente convidado para Presidente da República no 25 de Abril! Recorreu a medidas musculadas durante o PREC, depois de ter tido de fugir e quando o MFA adoptara decididamente a via soviético-cubana? Pois sim, e muito bem, pois foi graças à solução musculada do 25 de Novembro de 1975 que vivemos em democracia e estamos cá todos aqui a conversar!
E se nesse 25 de Novembro houve mortos, 2 foram dos democratas, e só 1 foi da UDP pró-albanesa que dominava o Ralis...