Estátuas de Portugueses derrubadas e arrumadas na fortaleza de Cacheu, na Guiné - Esta fotografia tem cerca de vinte anos. Naquela altura, era o destino dado a estes antigos heróis portugueses. São eles: o Capitão Teixeira Pinto, os navegadores Diogo Gomes e Nuno Tristão e o militar e Governador Honório Barreto. O primeiro, cuja alcunha era “Capitão Diabo”, foi decisivo em várias campanhas militares na Guiné e mais tarde em Moçambique, onde, em 1917 e com a patente de Major, viria a morrer em combate com as tropas alemãs. Os navegadores, ambos do século XV, tinham sido enviados por D. Henrique e estiveram entre os primeiros a explorar a Guiné e a “descobrir” parte de Cabo Verde. Gomes era mais navegador, enquanto Tristão se dedicou também ao comércio e à escravatura. Tristão foi morto por um combatente local. Barreto era originário da Guiné, filho de militar Cabo-verdiano e neto de padre português e de escrava guineense. Em meados do século XIX, foi militar e Governador, dedicando-se também ao comércio. Todos tinham praça com nome e estátua. Depois da independência, as estátuas foram derrubadas e transportadas para sítios estranhos. Um deles foi este fortim de Cacheu, na margem do rio com o mesmo nome. As botas de Teixeira Pinto, à esquerda, são verdadeiras heroínas!
DN, 9 de Outubro de 2016
segunda-feira, 17 de outubro de 2016
domingo, 16 de outubro de 2016
Sem Emenda - As Minhas Fotografias
Trabalhos na Lisnave
da Margueira, Almada – Estes estaleiros já terminaram a sua vida útil. Em
2000, a Lisnave transferiu-se para a Mitrena, em Setúbal, na antiga Setenave. A
inauguração destes estaleiros, entre os mais famosos do mundo, ocorrera em
1967. Com o canal do Suez encerrado (por causa da guerra no Próximo Oriente),
desenvolveu-se a Rota do Cabo (volta à África, passando pelo Cabo da Boa
Esperança). Os super-petroleiros eram cada vez maiores, atingiam facilmente as 400.000
toneladas e a Lisnave da Margueira estava já preparada para um milhão de
toneladas. A Lisnave empregava mais de 8.000 trabalhadores, alguns dos mais
qualificados do país. A evolução internacional, a concorrência asiática e mesmo
europeia, o recomeço da via do Suez e os acidentes ecológicos que levaram a
diminuir a dimensão dos petroleiros tiveram efeitos negativos na empresa.
Depois, a revolução, a perda de Angola e as nacionalizações agravaram ainda
mais a situação do sector e da empresa que era a jóia da nova economia. A
Lisnave quase desapareceu. Após anos de enormes dificuldades, deslocou-se para
Setúbal, ressuscitou e parece de boa saúde. A Margueira ficou à espera.
DN, 16 de Outubro de 2016
Sem emenda - O Jogo do Rapa
O Governo já aprovou. Os “Aliados” também. Ainda há margem para negociação e ajuste, mas o essencial está ali. Seguiu para o Parlamento, com cedências e compromissos assumidos. Como é hábito. Quem sempre protestou contra o facto de as negociações orçamentais serem feitas “nas costas dos deputados” está agora silencioso. É normal: as negociações parlamentares são precedidas ou seguidas de discussões a dois ou três, mais ou menos discretas. Só se queixa quem não faz parte dessas conversas.
Mais do que nunca, o orçamento é objecto de luta intensa. As razões são evidentes. Primeiro, há o confronto entre governo e oposição. O dinheiro é pouco, a Europa está a ver, as agências de “rating” também, o endividamento continua a crescer, a economia estagna e o investimento reduz. Ora, as promessas de acabar com a austeridade e iniciar um novo ciclo de prosperidade eram muitas. Sem resultados visíveis. O que é preocupante.
Segundo, há a luta entre aliados. Os partidos que apoiam o governo têm de satisfazer clientes, não podem ficar de mãos a abanar. Entre estes, as negociações são mais duras do que as convencionais entre situação e oposição. O PCP e o Bloco têm de mostrar alguma coisa: taxas e sobretaxas, aumentos de pensões e de subsídios sociais. Seja o que for, mas que permita justificar a “paz social” que se vive nas escolas, nos hospitais, na administração e nos transportes públicos. O PCP e o Bloco abandonaram a rua, mas é preciso que tal não se perceba.
O orçamento é a folha de contabilidade de mais de metade da economia portuguesa: competir por fatias de orçamento é lutar pela divisão de poder, pelos interesses das classes e pelos ganhos e perdas. Como pouca coisa vive fora do orçamento, é o prato essencial. A maior parte dos grupos económicos depende das encomendas do Estado, dos investimentos públicos e dos fundos europeus. As obras também. Tal como o novo emprego. Subsídios, bolsas, pensões e benefícios dependem do Estado. As discussões que se conhecem e de que a imprensa se fez eco são relativas aos pagamentos ao Estado ou do Estado. Não há praticamente quem queira debater a economia, a actividade das empresas, os planos de investimento, as prioridades industriais e de serviços ou as condições de crédito à actividade económica. Nada disso parece ter qualquer importância! Como também não foram marcantes as discussões sobre o Serviço Nacional de Saúde ou o sistema público de educação. Na verdade, a discussão aproximou-se muito daquele antigo Jogo do Rapa, em que o pião ditava a sorte de cada jogador: Rapa, Deixa, Tira e Põe!
Como toda a gente sabe que a prosperidade não é possível para breve, que vai ser necessário fazer sacrifícios, que as ameaças de sanções e de cortes de fundos são reais e que o investimento continua a não dar sinais de vida, o que é mais interessante é ver que ninguém, da situação e da oposição, quer ficar na fotografia. Muito pelo contrário, a agitação é toda para culpar os outros do que vai correr mal.
O problema é que quanto maior for a economia no orçamento, ou dele dependente, menores são o crescimento e a eficácia. Como menor é o investimento privado. É verdade que aumenta a capacidade de decisão política e que assim se consolida o velho lugar-comum do primado da política, isto é, da subordinação da economia à política. Convém no entanto recordar que alguns dos maiores desastres da humanidade, como a colectivização forçada soviética, a revolução cultural chinesa e a economia de guerra nazi são boas ilustrações desse princípio. Cá em Portugal, a ditadura, a Censura, a guerra em África, o analfabetismo persistente, o condicionamento industrial e a nacionalização de empresas são também, à nossa escala, bons exemplos da “política no posto de comando”. É bom recordar!
DN, 16 de Outubro de 2016
segunda-feira, 10 de outubro de 2016
Sem emenda - O orçamento e o futuro
Dentro de uma semana, começaremos a saber se as políticas públicas se destinam a manter a coligação ou se já têm em vista objectivos de médio e longo prazo. Os critérios para avaliar este orçamento e as suas escolhas não deveriam ser a chantagem dos parceiros, nem o grau de satisfação de cada um deles. Nem a maneira como o governo se consegue manter. Deveriam ser, isso sim, as opções capazes de promover o crescimento económico e desenvolver a sociedade.
Portugal vive, há quase duas décadas, em clima de estagnação. Alguns dos factores de decadência são antigos, inelutáveis e ultrapassados. Mas há outros que estão aí à espera de cuidado, tratamento e reforma.
Entre os primeiros, contam-se a globalização, as crises internacionais, as políticas europeias e o Euro, mas também são responsáveis por alguns progressos recentes. De qualquer maneira, não parece haver muito a fazer, no curto prazo e isoladamente, contra fenómenos como a globalização! Se tiver aliados poderosos, Portugal apenas poderá influenciar a seu favor alguns dos factores internacionais.
Além desses, há factores de decadência contra os quais já não vale a pena lutar. A ditadura, pela sua natureza e pela duração, atrasou Portugal. A guerra colonial também. A revolução e a contra-revolução fizeram o país perder tempo. A nacionalização das empresas e respectiva reprivatização adiaram a economia. Uma Constituição despótica atrasou a sociedade, depois de ter salvado a democracia. Os partidos políticos que temos adiaram o progresso e protelaram a politica.
A Educação gasta a mais e progride pouco. Depois de uma enorme expansão quantitativa, a educação melhorou apenas lentamente, mau grado uma enorme fatia do orçamento. E não se consegue encontrar uma via estável de desenvolvimento. Com poderosos recursos financeiros e liberta das polémicas ideológicas da educação, a saúde melhorou muitíssimo. Hipotecado, o Estado social consolidou-se, mas está em perigo por causa da demografia, do desemprego e da estagnação económica. A Ciência, num mundo aberto e com grandes meios europeus, deu um salto, mas distanciou-se das universidades, o que é erro difícil de corrigir. A Justiça tem sido a eterna chaga da democracia portuguesa. Atrasada, lenta, injusta, burocrática, influenciável, corporativa, orgulhosa e arrogante é seguramente uma das ilustrações do atraso português. A banca portuguesa, depois de duas décadas de inovação e da dinâmica económica, revelou finalmente ineficiência, corrupção, falta de discernimento e actuações de duvidosa honorabilidade. Finalmente, a política demagógica está no cerne da decadência portuguesa actual. A ela se deve o endividamento e a dependência do país. Assim como a estranha persistência da desigualdade.
Uma coisa parece indiscutível: a economia está no centro exacto do que deveriam ser as preocupações e as prioridades deste orçamento. A economia já conheceu períodos de progresso acelerado, mas, desde 2000, estagnou. O crescimento é igual a zero. O investimento parece ter descido a níveis inéditos na história contemporânea. Há um ano que se esperam sinais de recuperação que não chegam. Quem pretende algo mais do que a mera revisão ou a lubrificação do arranjo de governo, deve procurar as prioridades ao crescimento e ao investimento. Será que estão lá? Este orçamento é capaz de estimular o crescimento económico? De atrair o investimento privado? De conduzir ao aumento do investimento total? E de diminuir a despesa do Estado? Se sim, temos governo, temos orçamento e temos futuro. Se não, a lei de meios servirá tão só para aguentar a habilidade.
DN, 9 de Outubro de 2016
segunda-feira, 3 de outubro de 2016
Sem emenda - Esquerda, direita e vice-versa
Está aberto um novo ciclo político.
Como já houve noutros tempos, de má memória, antes e depois do 25 de Abril. São
tempos de fanatismo. De exclusão. De afrontamento sem tréguas. São tempos de
esquerda contra a direita, que geram tempos de direita contra a esquerda. Há
quem goste. Há quem considere que essa é a grande política, o regresso da
política e outras banalidades. Mas sabemos que não é verdade. Com o país assim
dividido, perdem-se meios de acção e oportunidades de compromisso e de
cooperação.
Há com certeza esquerda e
direita. Em muitas coisas, são diversos e querem coisas diferentes. Mas há
muito mais. O país e a política não se resumem a isso. Há a cultura, a nação, a
religião, a etnia, a região, a idade, a arte, a ciência, o trabalho, o
desporto, o amor, boa parte da economia, a educação, a saúde, o património e
muito mais onde esquerda e direita não têm qualquer espécie de importância,
podem até ser nefastos.
O que nestes tempos de fanatismo
marca a diferença entre esquerda e direita é o autor. O que a direita faz é de
direita. O que a esquerda faz, de esquerda é. A autoria marca o conteúdo, não o
contrário. É o estilo dos déspotas. A mesma coisa, feita por alguém de esquerda
ou de direita, é de esquerda ou de direita. Austeridade, poupança, frugalidade
ou rigor: se os responsáveis forem de esquerda, é de esquerda. Se forem de
direita, é de direita. Medidas da responsabilidade de partidos da direita são
fogo para a esquerda, devem ser condenadas e consideradas roubo. Se postas em
prática por gente de esquerda, são detestáveis para a direita e consideradas
assalto.
Diminuição das garantias, redução
das liberdades individuais, restrição de direitos, violação do segredo bancário
e do sigilo de correspondência: estes gestos têm duas interpretações. Feitos
pela esquerda, de esquerda são, festejados pelas esquerdas e repudiados pelas
direitas. Feitos pelas direitas, de direita são, aplaudidos pelas direitas e
vilipendiados pelas esquerdas. Gastos com a defesa, despesa com a segurança e
equipamentos para as polícias: conforme o governo, assim estes orçamentos serão
de esquerda ou de direita, apoiados pela tribo apoiante, condenados pela tribo
oposta.
Negócios com capitalistas,
entendimentos com multinacionais, favores a empreiteiros, incentivos a
investidores, projectos de equipamento e parcerias: são empreendimentos de
esquerda ou de direita, conforme os governos que as fazem, não conforme os
méritos da obra.
Corrupção, crime e delinquência:
é muito fácil, perante uma qualquer destas realidades, verificar que esquerdas
e direitas se comportam de modo simétrico. Simpatizam, toleram ou condenam consoante
o autor. As políticas e as medidas contra o terrorismo e a violência têm o
mesmo destino: se vierem da esquerda, são de esquerda, aplaudidas pela esquerda
e condenadas pela direita. Se vierem da direita, são de direita, festejadas
pela direita e opostas pela esquerda.
Quase já não há matérias em que a
esquerda e a direita democráticas sejam capazes de, sem trauma, estar de
acordo. Quase já não há valores comuns. Com esta divisão exclusiva, toda a
esquerda deixa de ser democrática para a direita e vice-versa. Nos debates
parlamentares, já se fala de esquerda e de direita como se fossem pestes ou
pragas sem salvação.
É natural que haja “paz social”,
isto é, ausência de greves, enquanto os sindicatos de esquerda tenham acesso ao
poder e os partidos de esquerda possam frequentar os corredores do governo.
Também é natural que haja “clima optimista” para os negócios, enquanto os
patrões tenham fácil contacto com os governantes e os partidos da direita sejam
bem-vindos nas antecâmaras dos ministérios. Tudo isso é natural e faz parte do
jogo político. Infelizmente.
DN, 2 de Outubro de
2016
Sem Emenda - As Minhas Fotografias
Calçada de Carriche,
em Lisboa – Foi a 28 de Setembro de 1974, há quarenta e dois anos. Dia
previsto para uma manifestação da “Maioria silenciosa”, convocada por grupos de
direita para apoiar os projectos do General Spínola (então Presidente da
República) e contrariar as intenções dos revolucionários do MFA (Movimento das
Forças Armadas) e dos partidos de esquerda, em particular do PCP. Barricadas
organizadas pelos militares e por civis dos sindicatos e dos partidos impediam,
nas entradas na cidade, a chegada de pessoas e de carros. Todos eram
revistados. Procuravam-se reaccionários, armas e bombas. Encontravam-se “mocas”
e garrafas! Os civis, alguns com braçadeiras de “piquete”, ajudavam e davam
instruções aos soldados. As esquerdas venceram, não houve manifestação. Dezenas
de pessoas foram presas sem mandato nem acusação. Spínola demitiu-se. Muitos
militares foram saneados. Como na Alemanha nazi, na Itália fascista, na Rússia
comunista, no Egipto de Nasser e agora na Turquia de Erdogan, foi o processo
clássico: golpe chama contra-golpe. E os novos golpistas fazem, a quente, o que
não ousavam fazer a frio.
DN, 2 de Outubro de 2016
segunda-feira, 26 de setembro de 2016
Sem emenda - As notícias na televisão
É simplesmente desmoralizante.
Ver e ouvir os serviços de notícias das três ou quatro estações de televisão é
pena capital. A banalidade reina. O lugar-comum impera. A linguagem é automática.
A preguiça é virtude. O tosco é arte. A brutalidade passa por emoção. A
vulgaridade é sinal de verdade. A boçalidade é prova do que é genuíno. A
submissão ao poder e aos partidos é democracia. A falta de cultura e de
inteligência é isenção profissional.
Os serviços de notícias de uma
hora ou hora e meia, às vezes duas, quase únicos no mundo, são assim porque não
se pode gastar dinheiro, não se quer ou não sabe trabalhar na redacção, porque
não há quem estude nem quem pense. Os alinhamentos são idênticos de canal para
canal. Quem marca a agenda dos noticiários são os partidos, os ministros e os
treinadores de futebol. Quem estabelece os horários são as conferências de
imprensa, as inaugurações, as visitas de ministros e os jogadores de futebol.
Os directos excitantes, sem
matéria de excitação, são a jóia de qualquer serviço. Por tudo e nada, sai um
directo. Figurão no aeroporto, comboio atrasado, treinador de futebol mal
disposto, incêndio numa floresta, assassinato de criança e acidente com camião:
sai um directo, com jornalista aprendiz a falar como se estivesse no meio da
guerra civil, a fim de dar emoção e fazer humano.
Jornalistas em directo gaguejam
palavreado sobre qualquer assunto: importante e humano é o directo, não
editado, não pensado, não trabalhado, inculto, mal dito, mal soletrado, mal
organizado, inútil, vago e vazio, mas sempre dito de um só fôlego para dar
emoção! Repetem-se quilómetros de filme e horas de conversa tosca sobre
incêndios de florestas e futebol. É o reino da preguiça e da estupidez.
É absoluto o desprezo por tudo
quanto é estrangeiro, a não ser que haja muitos mortos e algum terrorismo pelo
caminho. As questões políticas internacionais quase não existem ou são
despejadas no fim. Outras, incluindo científicas e artísticas, são esquecidas. Quase
não há comentadores isentos, ou especialistas competentes, mas há partidários
fixos e políticos no activo, autarcas, deputados, o que for, incluindo
políticos na reserva, políticos na espera e candidatos a qualquer coisa!
Cultura? Será o ministro da dita. Ciência? Vai ser o secretário de Estado
respectivo. Arte? Um Director-geral chega.
Repetem-se as cenas pungentes,
com lágrima de mãe, choro de criança, esgares de pai e tremores de voz de toda
a gente. Não há respeito pela privacidade. Não há decoro nem pudor. Tudo em
nome da informação em directo. Tudo supostamente por uma informação humanizada,
quando o que se faz é puramente selvagem e predador. Assassinatos de
familiares, raptos de crianças e mulheres, infanticídios, uxoricídios e outros
homicídios ocupam horas de serviços.
A falta de critério profissional,
inteligente e culto é proverbial. Qualquer tema importante, assunto de relevo
ou notícia interessante pode ser interrompido por um treinador que fala, um
jogador que chega, um futebolista que rosna ou um adepto que divaga.
Procuram-se presidentes e
ministros nos corredores dos palácios, à entrada de tascas, à saída de reuniões
e à porta de inaugurações. Dá-se a palavra passivamente a tudo quanto parece
ter poder, ministro de preferência, responsável partidário a seguir. Os
partidos fazem as notícias, quase as lêem e comentam-nas. Um pequeno partido de
menos de 10% comanda canais e serviços de notícias.
A concepção do pluralismo é de
uma total indigência: se uma notícia for comentada por cinco ou seis
representantes dos partidos, há pluralismo! O mesmo pode repetir-se três ou
quatro vezes no mesmo serviço de notícias! É o pluralismo dos papagaios no seu
melhor!
Uma consolação: nisto, governos e
partidos parecem-se uns com os outros. Como os canais de televisão.
DN, 25 de Setembro de
2016
Sem Emenda- As Minhas Fotografias
Haïk, o véu argelino
– Muito se tem falado dos niqab, das burkhas, do hidjab, do jilbab da
shayla e dos chadors. E pouco de outros véus, não necessariamente melhores ou mais
bonitos, seguramente não mais libertadores! Nesta fotografia dos anos setenta,
feita numa rua de Argel, diante dos armazéns Bon Marché, vêem-se estes Haïk ou
Hayek, cujo manto envolve o corpo, mas que parecem mais “soltos” no rosto, onde
apenas um pequeno véu esconde a cara mas deixa movimentos livres para comer e
beber. Dizem os homens argelinos que o Haïk é genuíno, nacional, terá servido
como resistência contra os Árabes, quando estes, depois dos Romanos e dos
Otomanos, invadiram o Maghreb no século VII, assim como contra os Franceses,
quando estes colonizaram no século XIX. Também serviu, nos anos sessenta do
século XX, para disfarçar guerrilheiros que levavam bombas debaixo dos panos!
Hoje, há mesmo quem diga que este véu deve resistir aos véus iranianos,
sauditas e afegãos… Sempre contra as mulheres, claro! Mesmo com essa risível
desculpa de que liberta as mulheres dos olhares concupiscentes dos homens e
mantém-lhes a decência e o pudor…
DN, 23 de Setembro de 2016
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