Lada, Nicolau I e Palácio Mariinsky, em São Petersburgo – O Lada é uma das glórias da indústria soviética, agora russa! O carro surgiu nos anos 1960, feito com os italianos da Fiat numa cidade industrial fundada para o efeito, Togliattigrad. Os primeiros modelos eram parecidos com o famoso Fiat 124. Depois disso, o Lada já foi objecto de cooperação com os americanos da General Motors e com a Renault Nissan. Este modelo, dos finais do século XX, passeia-se na Praça de Santo Isaac, de São Petersburgo, em frente ao Palácio Mariinsky. Este último, que data dos anos 1830, é hoje a sede da Assembleia Legislativa da cidade e não deve ser confundido com o Teatro Mariinsky, tão importante quanto o Bolshoi de Moscovo. A estranha luz quase de pôr-do-sol é própria do fim de dia que, naquelas paragens, é perto das dez da noite. A estátua do Czar Nicolau I foi inaugurada no fim dos anos 1850, pouco depois da sua morte. Era, na altura, uma das raras estátuas equestres apoiada apenas em dois pontos, as duas patas traseiras.
DN, 10 de Abril de 2016
sábado, 16 de abril de 2016
domingo, 10 de abril de 2016
Luz - A vida é super” e “Never”, em Alfama, Lisboa
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Numa rua estreita e minúscula de Alfama, um gigantesco camião transporta cerveja. Super Bock, está de ver. Naquele arremedo de esplanada, uma turista parece dialogar com o camião. (2015)
terça-feira, 5 de abril de 2016
Sem emenda - Integração e Multiculturalismo
Não é aconselhável confundir
refugiado com imigrante, mas a verdade é que não se tem feito outra coisa. Só
na Europa, o número de candidatos a refugiado é tal que quase estamos a falar
de vagas de imigração. Como sempre, a difícil questão continua a ser: qual a
política de acolhimento de imigrantes?
Há duas maneiras de organizar a
recepção de imigrantes. Uma tem a designação genérica de integração. A outra de
multiculturalismo. Sem contar os compromissos e as variedades possíveis, são
estas as duas políticas essenciais.
Pela integração, são feitos
esforços para assimilar e incluir os imigrantes nas sociedades onde vivem. São-lhes
facultadas as condições necessárias à aprendizagem da língua, ao acatamento das
leis vigentes, ao respeito pelos costumes, ao benefício dos direitos existentes
e ao cumprimento dos deveres cívicos. Haverá certamente áreas de privacidade,
incluindo religiosas, que os imigrantes poderão preservar, desde que não sejam
incompatíveis, publicamente, com a ordem existente. Numa sociedade integrada,
tendencialmente toda a gente vive com toda a gente, não há bairros segregados,
nem guetos. As escolas são frequentadas por todos. O mesmo se aplica aos
hospitais, aos tribunais e aos espaços públicos. Na Europa, os imigrantes têm o
dever de respeitar o “ethos” cívico e
democrático que caracteriza actualmente as sociedades deste continente. Estou
convencido que a integração é, para a liberdade individual e a democracia, mas
também para o bem-estar dos imigrantes, uma política superior e vantajosa!
Pelo multiculturalismo, tudo é
feito, nas sociedades de acolhimento, para que os imigrantes possam manter e
cultivar as suas tradições, regras de vida e valores, tanto privados como públicos.
Numa sociedade multicultural, os bairros dividem-se, planeada ou
espontaneamente, por etnias, as escolas são diferentes para cada grupo, podendo
as instituições ter regras diferenciadas. A segregação pode ver-se no
urbanismo, na economia doméstica e no emprego. Pode ser reflexo de autodefesa dos
grupos minoritários ou da recusa da integração. As burcas e os niqab, a
poligamia, a excisão das mulheres, a venda de crianças, as várias formas de
escravatura, a proibição de bebidas alcoólicas, a interdição de conduzir
automóveis, os casamentos contratados de crianças, as regras do poder conjugal,
paternal e marital, assim como do poder político do sacerdote, são alguns dos
exemplos de tradições que fazem parte das culturas não ocidentais. Creio que a
fragmentação social, para não dizer “apartheid”, levada a cabo pelo
multiculturalismo pode destruir os sistemas democráticos.
As questões de integração e do
multiculturalismo têm sido abordadas a propósito dos atentados terroristas
islâmicos. Não tem faltado quem os procure justificar com as famosas condições
sociais. E com os traumas históricos. Ora, são cada vez mais débeis os
argumentos que defendem haver uma relação entre imigração e terrorismo. Há hoje
dezenas de milhões de imigrantes estabelecidos em comunidades onde não há
qualquer terrorismo. Os Europeus têm dificuldade em tratar destes problemas com
clareza. Deixam-se atrair pela demagogia com facilidade. Sentem culpas
históricas próprias do pesado “fardo do homem branco”. Querem hoje redimir-se das
suas culpas reais e fantasmagóricas do passado. Querem refazer a história.
Foram incapazes de compreender os refugiados e repatriados brancos de África e
de outras paragens. Classificaram de retornadas pessoas que nunca tinham visto,
nascido ou vivido nas metrópoles… Para os Europeus com mal da história, um
branco rodesiano ou moçambicano não vale um muçulmano francês ou belga. Pobres
europeus que assim desistem e assim se culpam!
DN, 3 de Abril de 2016
segunda-feira, 4 de abril de 2016
Sem Emenda - As Minhas Fotografias
Na Pirâmide do Louvre, Paris – Concluída em 1989, a Pirâmide do Louvre foi mandada executar pelo então Presidente François Mitterrand. O arquitecto chinês I. M. Pei foi o seu autor. No meio do grande pátio dito de Napoleão, este edifício funciona como porta de entrada para o Museu. A construção, designada “faraónica” pelos seus críticos, provocou polémica desde o princípio. A sua concepção “futurista” ou “vanguardista” chocaria com o grande palácio clássico à sua volta. Para os que lhe são favoráveis, este é um exemplo de equilíbrio entre diferentes e de harmonia de contrastes. Devo dizer que, de início, a “coisa” me irritou. Com o tempo, fui-me habituando. Graças ao novo espaço organizado pelas Pirâmides (há outras mais pequenas ao lado, incluindo uma “Pirâmide invertida”…), a entrada no Museu, antes caótica, está agora mais eficiente. Apesar disso, quando penso no maravilhoso pátio “Cour Carrée”, ali ao lado, ou quando vejo as imagens do Louvre sem Pirâmide, ainda prefiro o antigo despojamento.
DN, 3 de Abril de 2016
quinta-feira, 31 de março de 2016
Luz - Vendedora de fast food, num stand de rua, em Beijing, China.
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O olhar orgulhoso da vendedora, quem sabe se em pose habituada, foi o ponto de atracção para esta imagem. Depois, foram os “pitéus”, entre cobras, larvas, casulos e vermes… Ainda me deixei tentar por um vizinho desta senhora, um que vendia espetadas com grande nacos de fruta fresca mergulhados em açúcar caramelizado… Mas esta bicharada… Nem pensar! Nem estes, nem as centopeias, aranhas, baratas, lacraus e escaravelhos gigantes oferecidos pelos outros vendedores! Fiz um passeio ao longo de dezenas de quiosques destes à procura de um ocidental, europeu ou americano que realmente estivesse a degustar aqueles bichos. Nem um! Alguns riam muito, faziam troça e fugiam. Outros ficavam amarelos ou pálidos e desapareciam. Outros, finalmente, gabavam-se de comer, de já ter comido, de que era fácil e de que era gostoso não fossem os preconceitos dos ocidentais… Mas, chegada a hora, nem um se atreveu! Não tinham apetite naquele momento, disse um alemão! (2014)
Sem Emenda - As Minhas Fotografias
Senhora “Rom” com criança, a pedir esmola, no Boulevard Saint Germain, Paris
O termo “Rom”, usado em várias línguas, não tem tradição em Portugal. Aqui, fala-se de Ciganos. Noutros países, diz-se “Gitans”, “Gypsies”, “Roma” ou “Romani”. Os Ciganos ou Gitans recusam o termo “Rom”. Este povo tem origem no Norte da Índia. Concentraram-se nos Balcãs, na Roménia, na Bulgária e na Turquia, mas há comunidades em vários países europeus, até nos Estados Unidos e no Brasil. Por todo o lado, já foram expulsos, perseguidos, gaseados, esterilizados e massacrados. Em geral, defendem-se lutando contra a integração e recusando alojamentos, escolas oficiais, legalização, serviço militar ou bilhete de identidade. Há ciganos mais ou menos cristãos, assim como mais ou menos muçulmanos. Há grupos estabelecidos, mas também há nómadas e ambulantes. Hoje, pela Europa fora, vindos da Roménia ou de qualquer outro país, são muitos os que fazem “biscates”, pedem esmola ou procuram sobras e restos.
DN, 27 de Março de 2016
Sem emenda - Terror!
Os atentados de Bruxelas
trouxeram mais intranquilidade à Europa. E uma insegurança cada vez mais funda,
a tocar no coração e nos ossos. Foram feitas milhares de declarações. Até
agora, nada de novo. Mas três ideias merecem comentário. A primeira afirma que
o terrorismo veio para ficar. Não sei se é verdade ou não. Mas sei que recuso
admitir essa inevitabilidade. O Ocidente deve tudo fazer para erradicar o
terrorismo e eliminar os terroristas. Sem cedência! Se não nos resignamos à
ditadura, à desigualdade, à corrupção, à pobreza e ao analfabetismo, não vejo
razões para o fazer ao terrorismo, forma superior de selvajaria! Apesar das
declarações firmes, fica-se com a estranha impressão que os Europeus não
desejam combater os terroristas. Não digo que tenham medo, mas parece que se
resignam a viver com eles. Será que têm sentimento de culpa? Entenderão que os
terroristas têm uma qualquer razão? Por terem sido pobres há três gerações? Colonizados
há dois séculos? Derrotados há mil anos?
A segunda ideia sugere que o
terrorismo é provocado pelas condições sociais. Diz-se que onde há pobreza,
desigualdade e desemprego, há condições para surgir o terrorismo. Mais ainda
quando se acrescenta a segregação nacional: desempregados e imigrantes. Parece
que o terrorismo tem legitimidade social! Esta ideia é uma espécie de
ortodoxia. Mas, com o terrorismo islâmico, não resiste à análise. Na Europa, na
América e noutros continentes, não se conhecem terroristas nas comunidades
africanas, latino-americanas, chinesas ou indianas. Também não consta que os
bairros de pobres de Espanha, de Portugal, da Grécia e da Roménia sejam fonte
de terrorismo.
Uma terceira ideia sublinha, como
causa do terrorismo, a situação marginal em que vivem os imigrantes. A falta de
respeito pelas tradições dos povos imigrados, muito especialmente muçulmanos, conduz
ao sentimento de dignidade ferida, condição favorável à escolha da “carreira”
de terrorista como modo de afirmação do seu orgulho. Há mesmo quem aluda às
Cruzadas, ao colonialismo e à escravatura. Nada disto merece uma fracção de
segundo de reflexão. Estamos perante propaganda e demagogia para crentes. As
“feridas históricas” são argumentos baratos de oportunismo intelectual. Os que
acreditam nesta argumentação poderiam também esperar pelas 70.000 virgens. Há
dezenas de povos que foram vítimas do colonialismo e não se dedicam hoje ao
terrorismo. Há dezenas de povos que estiveram, ao longo da história,
sucessivamente dos dois lados, o dos que faziam escravos e o dos que eram
escravizados. Em todos conhecemos hoje os interesses, os meios, a vontade de
domínio e o desejo de independência. Isto é, a política! A história, em
qualquer caso, é sempre um belo argumento, nunca é a razão.
O terrorismo é essencialmente
gesto político e intenção política. A situação individual do terrorista é questão
menor. Os mandantes são políticos. Os meios, o “cérebro”, a organização e o
recrutamento são políticos, apoiados por Estados e redes poderosas de
organização. Mesmo os factores religiosos, tão importantes para o terrorismo islâmico,
são instrumentais. O espírito e o carisma servem ao recrutamento, mas a acção é
principalmente política.
Os países ocidentais têm culpa de
muitas coisas, mas o terrorismo, de que são vítimas, não é uma delas. O
terrorismo islâmico tem os seus responsáveis. São Estados, partidos e famílias.
Servem-se das condições existentes nos meios imigrados para recrutar soldados
rasos. Mas estes não são os responsáveis. Os bairros segregados fabricam terroristas,
não fazem o terrorismo. Já há quem diga que a culpa do terrorismo reside nas
políticas e nos governos da direita. Se de alguma coisa os governos europeus
são culpados será eventualmente de não ter melhores polícias. E de não ter mais
coordenação antiterrorista entre as várias polícias. Essas, sim, são culpas
nossas.
DN, 27 de Março de
2016
domingo, 27 de março de 2016
Sem emenda - Moral e política
Sempre fizeram mau casamento.
Quando uma, a moral, é invocada a propósito da outra, a política, é quase
sempre mau sinal. Pode ser impotência da política, isto é, da justiça e da lei
para pôr cobro a certas atitudes e determinados comportamentos. Também acontece
ser sinal de despotismo ou de ambição totalitária: por exemplo, políticos que
desejam impor um código moral de que carecem para os seus actos de governo.
Poderá ainda ser, à falta de argumentos racionais, uma tentativa de impor
regras por outras vias que não sejam as dos métodos políticos tradicionais, com
o que se transforma a religião e a moral em instrumentos de poder. E já não me
surpreende que, tantas vezes, os privilegiados e favorecidos reclamem “ética” e
comportamentos “morais” para que os seus dependentes obedeçam e aceitem o
estado presente e “natural”. Não me canso, finalmente, de ouvir, todos os dias,
gente de várias gerações queixar-se da “falta de ética” e da inexistência de
“valores morais” por parte daqueles que, simplesmente, têm valores diferentes e
crenças diversas. Nas ruas, nas empresas, nas escolas, nos estádios de futebol,
nos recintos de espectáculos, nas repartições, nos comércios e até nas igrejas,
muitos que querem conservar e manter a ordem estabelecida reclamam contra a
ausência de moral dos outros.
Por vezes, em certas
circunstâncias, em determinadas épocas e em vários países, assiste-se a
fenómenos ainda mais complexos, tais como o da presunção de que a política de alguém
implica uma moral, uma cultura, uma ciência e uma visão de classe totalmente
opostas à do outro. E que a verdade de um é incompatível com a verdade do
outro. Melhor ainda: à verdade de um opõe-se, por definição, a mentira do
outro. A moral de um é combatida pelo interesse do outro. E a honestidade de um
é contrariada pela corrupção do outro. Estas são as raízes do fanatismo,
político ou religioso. A que não são alheios fenómenos tão diversos como o
sectarismo nacionalista ou o facciosismo desportivo.
O que se passa no Brasil, com
Lula da Silva à beira de ser nomeado ministro, a fim de evitar ser preso por
corrupção, e um juiz federal a tentar impedir aquele gesto, merece toda a
atenção. Não para resmungar, mais uma vez, contra a “falta de valores” e a
“ausência de moral”, mas sim para perceber o modo como as tribos políticas
transformam em virtude não só as suas ideias, como também os seus interesses,
os seus crimes e os seus roubos. No Brasil ou na Venezuela, em Portugal ou em
Itália, políticos ou banqueiros, empresários ou sindicalistas, assumem a sua
mentira e a sua corrupção como actos legítimos na defesa dos seus interesses e
pontos de vista que são obviamente lícitos, contra os dos outros, que os
combatem com meios evidentemente ilegítimos. Um governante que mente e rouba,
um banqueiro que esconde e desfalca, um empresário que corrompe e disfarça, um
gestor que favorece e dissimula ou um deputado que falsifica e engana, tem todo
o interesse em demonstrar que os seus inimigos são, não a lei nem as
instituições democráticas, mas os opositores, os outros partidos, as outras
classes sociais, as outras nacionalidades. Por isso, os envolvidos nestes casos
procuram, na imprensa, nas televisões e na rua, ganhar as batalhas que nunca
venceriam na justiça. Por isso há bandidos que tentam vencer, com a política, o
que nunca obteriam com a lei. Por isso, os grandes delinquentes consideram que
a justiça e os magistrados estão “ao serviço do inimigo”.
Na América Latina e na Europa, lá
como cá, não estamos diante de mais uma escaramuça, mas sim de um grave
conflito de cujo resultado depende a democracia. A vitória desta última só pode
ser ganha com a justiça. Não chegam as maiorias políticas. Nem os poderes
sociais e económicos. Nem a força da rua.
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DN 20 de Março de 2016
Sem Emenda - As Minhas Fotografias
Nicolau Breyner como
José do Canto, em “Uma família açoriana”,
com Maria João Luís – Há cinco ou seis anos, Nicolau Breyner assediou-me na
rua. “Não quer fazer um guião para mim?”. Perguntei-lhe se estaria interessado
numa série de televisão que a Maria Filomena Mónica e eu tínhamos escrito vinte
anos antes e tinha ficado à procura de realizador... Disse logo que gostava de
ler. Era na altura “Os Cantos”, que mais tarde viria a ser “Uma Família
Açoriana”. Tínhamos uma condição: a de que o protagonista, José do Canto (na
série Vasco Ataíde Câmara) fosse desempenhado por ele, Nico. Três anos depois,
a série estava terminada. Feita pela Cinemate para a RTP, com realização de
João Cayatte e direcção de Nicolau Breyner, foi exibida em 2013. Nicolau fez
uma notável composição da personalidade complexa e contraditória de José do
Canto. Tive o privilégio de acompanhar a rodagem em vários momentos. Aproveitei
a oportunidade para fazer algumas fotografias e ver a maneira como ele, entre
duas cenas, se preparava, entre o silêncio concentrado e a galhofa com os
amigos.
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DN, 20 de Março de 2016
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