O que
parece ser uma família de raparigas chinesas ou simplesmente um grupo de
viajantes bem novas. A curiosidade era que procuravam sítio para ficar, quartos
ou apartamentos, com a ajuda dos telemóveis com GPS e uma delas ligada ao Trip
Advisor. Nunca tal tinha visto! Pelo que percebi, nem sequer tinham feito
reservas de apartamento ou quartos. Ou talvez não tenha percebido bem a sua
conversa… (2015)
domingo, 20 de março de 2016
sexta-feira, 18 de março de 2016
Sem Emenda - As Minhas Fotografias
Correios de S.
Petersburgo – É o edifício central. Foi concebido pelo arquitecto Nikolay
Lvov e data do século XVIII, ainda no tempo de Catarina. É um raro edifício a
manter, ao longo de séculos, a mesma função. São vários edifícios ligados entre
si por pontes envidraçadas. No rés-do-chão, um magnífico átrio de atendimento,
móveis muito interessantes e decoração curiosa. Estes correios resistiram a
tudo: ao Czar, às revoluções, ao comunismo e à sua queda e a quase trinta anos
de estremeções democráticos. Quando visitei o edifício, um grupo de soldados
atarefava-se a levantar encomendas que tinham chegado em nome deles. Escolheram
uma mesa e bancos adequados, abriram as caixas, retiraram vários alimentos,
conservas, bebidas, iogurtes, queijo e chocolate. Começaram a comer com uma
voracidade impressionante. Eram presentes acabados de chegar de casa da família.
Ali mesmo, no grande átrio, decidiram despachar o conteúdo, antes que tivessem
de o partilhar, no quartel, com outros soldados.
DN, 13 de Março de 2016
Sem emenda - Serviço e ambição
Todos os Presidentes da República pensam que o seu cargo não é o fim da carreira. Nem uma recompensa, muito menos uma reforma dourada. Todos até hoje desejaram marcar a diferença, acrescentar qualquer coisa, mudar a história, alterar o curso dos acontecimentos. Depois… não deu nada. Ou pouco. Não houve oportunidade. Não souberam. Preferiram as delícias dos jardins de Belém. Sentiram o peso da idade. Ou simplesmente acharam que ter chegado ali já era um êxito e que não valia a pena ter excesso de zelo. Com a excepção da pacificação dos militares levada a cabo por Eanes, todos, pelas boas e más razões, abdicaram da ambição e limitaram-se ao serviço. O que não parece ter desagradado ao eleitorado, pois todos foram reeleitos. Uns com aumento de votos (Eanes e Soares), outros com perdas (Sampaio e Cavaco).
Um balanço dos quarenta anos que levamos de democracia diz-nos que nenhum presidente se portou realmente mal. Nenhum falhou. Nenhum desiludiu nas suas funções de serviço e de último garante. Todos terminaram com a certeza do dever cumprido. Mas também com a sensação de terem ficado aquém da ambição que alimentaram num ou noutro momento. E sobretudo longe do que muitos esperavam que eles tivessem feito. Esta evolução fez com que a função presidencial se tenha vindo a reduzir e limitar. O cargo já não é hoje o que foi ou o que se esperava que fosse. Parece mais uma luz de presença do que um farol.
Este percurso foi confirmado pelo mandato de Cavaco Silva. Não obstante as más sondagens, a maior parte do que não esteve bem, nestes últimos quinze anos, não foi da sua responsabilidade. O problema é que ele não conseguiu diminuir as consequências do que correu mal, não soube prevenir ou evitar. Nem encontrar maneira de ultrapassar os problemas. O que esteve mal? O endividamento. O falhanço da Justiça. A corrupção. A divisão dos portugueses. O despertar de uma espécie de clima de “oposição entre regimes”. E a crispação dos políticos. Nada foi culpa de Cavaco. A ponto de nada disto poder ser apagado só porque temos um Presidente novo, só porque temos Marcelo. A este compete pelo menos tentar evitar, diminuir, reduzir, prevenir… Mas a fonte dos problemas está lá, inteira. A pobreza. A demagogia. A corrupção. O endividamento. A crise internacional. A indefinição europeia.
A campanha de Marcelo, a sua formidável vitória e o seu auspicioso começo não chegam para resolver os problemas acima referidos e que ficam, intactos, à espera de resolução. Não por ele. Mas eventualmente com ele. Dentro de cinco anos, ou dez, se o regime português, a Constituição, o sistema eleitoral e a Justiça estiverem exactamente iguais ao que são hoje, a eleição de Marcelo Rebelo de Sousa terá sido apenas mais uma. A acrescentar às quatro que precederam e aos quarenta anos que antecederam. Estou convencido que o novo Presidente está pronto para o serviço e tem forte ambição. Não sabemos se o primeiro lhe basta ou se a segunda o tenta. Mas ele sabe que, sem ambição e sem obra, será apenas mais um.
O novo Presidente já mostrou com brilho que tem maneira própria e estilo pessoal. Campanha, eleição, posse e primeiros dias: únicos e inéditos. Mas foi tudo espuma. O trabalho duro vem agora, começa esta semana. É difícil pensar que Marcelo fique satisfeito com o que conquistou. E tranquilo com o que tem. Ele sabe que o Presidente da República é o único factor de mudança do regime. Ninguém o quer mudar. Ou antes, os que querem, não podem. Os que podem, não querem nem têm a mesma ideia sobre a mudança. E ninguém sabe se o Presidente quer ou não fazer evoluir o regime. Se não quer, pior para ambos.
DN, 13 de Março de 2016
domingo, 13 de março de 2016
Luz - Cabeleireira de homens na avenida Almirante Reis, Lisboa
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Há alguns
anos, se era para homens, era Barbeiro. Agora, Cabeleireiro é corrente. Além
disso, se era para homens, só homens cortavam. Agora, são homens e mulheres a
fazer de barbeiros e cabeleireiros. Finalmente, ser era Barbeiro, era só para
homens. Se era Cabeleireiro, era só para mulheres. Não havia misturas, nem do
lado da oferta, nem da procura. Agora, é tudo mais fácil, mais simples, com
menos preconceitos. Mesmo assim, quando vou cortar o cabelo a uma Cabeleireiro
de mulheres ou misto, sinto, da parte das clientes que já lá se encontram
quando entro um certo desconforto. Recordo que, nas primeiras idas lá, o
Cabeleireiro dizia às senhoras, enquanto eu procurava cadeira: “Componham-se,
minhas senhoras!”. Creio que aqui, na Almirante Reis e muitos outros sítios,
tudo isso está ultrapassado! (2015)
sábado, 12 de março de 2016
Sem emenda - O Carrossel
Quando muito parecia mostrar o
caminho de uma relativa acalmia, tudo se deteriorou. Poderia pensar-se que a
falta de dinheiro, a supervisão dos credores e a fiscalização das instituições
internacionais fossem sedativos para a rotação de cargos políticos e
empresariais. Também era legítimo imaginar que o elevado número de políticos,
altos funcionários, banqueiros e empresários condenados ou arguidos fosse um
dissuasor das manobras de nomeação de amigos e um travão nos circuitos da
promiscuidade. Além disso, as leis recentes e as funções da CRESAP (Comissão de
Recrutamento e Selecção para a Administração Pública) poderiam desempenhar um
papel moderador dos apetites políticos e partidários. Mas não! Desenganemo-nos.
As demissões e as nomeações
regressaram. Aliás, nunca tinham cessado. A promiscuidade voltou. O Carrossel recomeçou.
E vai durar o tempo que dure o governo e a legislatura. Como esta mudança de
governo e de maioria foi aparentemente mais radical do que as anteriores, é
possível que o movimento seja mais rápido. Nos dois sentidos. Da vida privada e
dos partidos para a Administração e as empresas públicas, por um lado. Do
governo, do Parlamento e da Administração para as empresas lucrativas, públicas
ou privadas, nacionais ou internacionais, por outro. Por obra e graça do
Governo, as nomeações de favor, de amigos, de camaradas e de convergência de
interesses já começaram, precedidas de ameaças e demissões vingativas. O
recrutamento, por empresas privadas, de antigos membros do Governo e de
deputados, começou também. São, aliás, primos direitos: a promiscuidade, o
nepotismo, a corrupção e o favoritismo.
Contra o Banco de Portugal e seu
Governador Carlos Costa, o Primeiro-ministro António Costa andou mal! Encoraja
a deslealdade, dá luz verde à quezília institucional, assim como dá cobertura
ao comportamento caceteiro de governantes e deputados. Contra António Lamas e o
CCB (Centro Cultural de Belém), o Ministro da Cultura João Soares esteve mal,
pior ainda com Elísio Summavielle. Na sua associação à financeira ARROW, a
actual deputada e antiga Ministra das Finanças Maria Luis Albuquerque esteve
mal, muito mal!
Parece pouco, mas não é. São três
exemplos, diferentes na forma, similares no ânimo, no cume das personalidades e
dos encargos. Daqui para a frente, poderá dizer-se que abriu a caça! Parece
novo, mas não é. Depois das PPP e das direcções-gerais, dos institutos e das
empresas de obras públicas, das estradas e das pontes, dos bancos a privatizar
e dos privatizados… Após as grandes empresas de energia, comunicações e
petróleos e dos grandes serviços públicos… Depois disto tudo, é um recomeço. Como
a caça, que abre regularmente.
Vai ser muito interessante ouvir
deputados e governantes alegar que o que fazem os seus amigos é legal e ético!
Enquanto as mesmas coisas feitas pelos seus adversários políticos não são uma
coisa nem outra. Vamos ouvi-los e vê-los torcerem-se pelos seus companheiros e
camaradas, elogiando as respectivas honras e excelsas virtudes, mas sempre
denunciando a ilegitimidade, a ilegalidade e a corrupção dos mesmos gestos e
comportamentos quando da autoria dos seus rivais. Vai continuar a ser
interessante ouvir António Costa acusar Passos Coelho que acusa José Sócrates!
Será curioso ouvir os actuais governantes e seus apoiantes acusar, com
fundamento, o governo social-democrata e popular das malfeitorias com o BANIF,
o BES, o BNP, as PPP e os SWAPS. Tal como será curioso ouvir os
social-democratas demonstrar, com provas, que foram os socialistas os culpados.
Não fazem as leis que deveriam fazer. Não respeitam as leis que fazem, nem a
moral que pregam. Como o carrossel, gira e volta e anda à roda!
DN, 6 de Março de 2016
Sem Emenda - As Minhas Fotografias
Galaxy Soho, Beijing, China – Este edifício foi construído, na capital
chinesa, pela reputada arquitecta iraquiana Zaha Hadid. Residente em Londres, foi
a primeira mulher vencedora do Pritzker em 2004. Faz enormes obras públicas,
aeroportos e conjuntos urbanísticos, além de grandes construções de carácter
cultural, como óperas ou salas de concertos, tendo também feito residências e
pontes. Já construiu nos quatro cantos do mundo, de Nova Iorque a Beijing, de
Abu Dhabi a Londres e Berlim. É um dos arquitectos da moda. As cidades ficam
orgulhosas por terem os seus edifícios arrojados. Que o são, com certeza.
Perante as suas formas, não é fácil ficar indiferente. No caso deste Galaxy
Soho, foi como se tivesse tido um choque estético. Era deslumbrante! Depois,
com o tempo… Fica-se com a impressão de que estes edifícios são literalmente
atirados para cima ou para dentro de uma cidade, onde permanecem indiferentes a
tudo o resto… Quando o visitei, em 2014, estava vazio, dois anos após a
inauguração…
DN, 6 de Março de 2016
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