quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Sem emenda - Há fogo na floresta!

Bill Gates, o génio, a fortuna e o filantropo: parece que nada se fez de melhor. Inovação, investigação e dinheiro: eis receitas para o êxito contemporâneo! E a fortuna é tanta que até se pode gastar algum, por acaso muito, com nobres causas, a começar pela erradicação da malária. Mas também se pode suspeitar de tanto dinheiro e tanta reputação. O que é de mais é… de mais.

O senhor Gates envolveu-se com a informação e a imagem. Adquiriu as maiores bases de dados do mundo. A Corbis existe, nas suas mãos, desde finais dos anos 1980. Destina-se a comercializar imagens fotográficas para todos os fins: jornais, televisão, Internet, publicidade, cultura, educação, edição, decoração, pesquisa histórica, desporto, artes, música e divertimento.

A Corbis tem sede em Seattle, nos Estados Unidos. É a maior vendedora de direitos de imagem do mundo. É provável que cada ser humano veja, todos os dias, meia dúzia das suas imagens. O milionário acaba de a vender a uma empresa chinesa, “Unity glory international”, que pertence ao VCG, “Visual China Group”, que tem um acordo com a “Getty images”, outro colosso da fotografia. Corbis e Getty juntas controlam os direitos de mais de 300 milhões de imagens. Arquivos importantes como os da agência francesa Sygma ou da alemã Bettmann (riquíssima em imagens dos séculos XIX e XX) foram já adquiridos. Ambas as firmas têm experiência de trabalhar com os chineses: há anos que detêm o exclusivo de distribuição na China e sempre respeitaram as regras chinesas sobre a censura de imagens.

Há receio diante de tanto poder. Nos jornais, queixam-se os defensores dos “ícones culturais” de verem partir para o controlo da China comunista os direitos de exibição da língua de Einstein e das pernas de Marilyn Monroe. Ou do Tankman, o chinês que, armado de um saco de supermercado, se opôs a uma coluna de blindados em Tiananmen.

A combinação entre o pior do capitalismo (poder excessivo, domínio do mercado, primado absoluto do lucro…) e o pior do comunismo (controlo político, censura policial, monopólio…) é fatal! É legítimo desconfiar desta aliança, sobretudo em matérias tão sensíveis como a liberdade de informação e a preservação do património. Este casamento de conveniência é um sinal de alarme para a cultura e o direito à informação.

O anúncio oficial da Corbis diz claramente: “nothing changes immediately for you today”. Não se pode ser mais claro. “Nada mudará imediatamente para si hoje”. Faz lembrar um senhor que, há cerca de oitenta anos, cada vez que queria tomar conta de um país, anunciava solenemente: não temos reivindicações territoriais! Os comunicados oficiais da Corbis e da Getty garantem que, “durante a transição”, tudo ficará como antes e “nada de imediato mudará”! Não há melhor maneira de dizer que muito ou tudo vai mudar. Um dia…

Um dos problemas não esclarecidos é o do destino do património vendido. Onde vai ficar sediado? À guarda de quem? Outro é o da definição exacta do património. Só direitos? Ou também os suportes físicos das imagens? Se for só a primeira hipótese, é mau. Se for a segunda, é péssimo. Mas também se pode dar o caso de a primeira ser o passo necessário para chegar à segunda…

DN, 31 de Janeiro de 2016

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Livro de reclamações - O orçamento Photoshop

Toda a gente sabe o que é o Photoshop: um formidável programa de trabalho com imagens. Com o Photoshop pode fazer-se tudo, passar da cor ao preto e branco, colocar pessoas onde nunca estiveram, incluir objectos em ambientes inesperados, dar vida aos mortos, inventar sítios, levar pessoas a fazer de conta… Pode fazer-se o que se quer. O mar ou a montanha de fundo, uma rua de Nova Iorque ou o planalto da Capadócia, um barco ou um carro, uma mulher sedutora ou um homem atraente, tudo ao alcance de um pouco de manipulação. Até se pode transformar um chinês num branco ou um sueco num preto. Podem-se aumentar os braços e as pernas, diminuir o nariz e as orelhas, arredondar as nádegas e desfazer rugas…

É com um Photoshop que está a ser feito o orçamento de Estado para 2016. Põe um bocadinho de défice a mais, a ver se pega. Tira umas poeiras de dívida, talvez se arranje. Reduz a sobretaxa, aumenta o desconto, diminui o IVA, anda lá com um escalão de IRS. Vamos ver o que dá. Mau, diz o Bloco. Péssimo, grunhe o PCP. Não chega, rosna a UE. Volta-se atrás. Põe lá uns pozinhos no PIB, dá um cheirinho na inflação, empurra um ponto na exportação, talvez sirva. A UE diz que não. O Bloco garante que está a passar as marcas. O PCP declara que isto não estava no acordo. A impoluta Unidade Técnica de Apoio Orçamental alerta: este orçamento não pode ser cumprido. O Conselho das Finanças Públicas torce o nariz e afirma que o orçamento não tem em consideração os riscos relevantes da actual situação. A empresa de rating DBRS, a única que permite que Portugal vá buscar dinheiro ao BCE, adverte que talvez Portugal desça de escalão. Vamos lá outra vez. Mexe um pouco no PIB, tira o IVA, deixa o IRS, desce a taxa, sobe a sobretaxa, põe tabaco, tira combustíveis, aperta a pensão, esfrega o salário mínimo, dá cá um pouco de inflação, toma lá TSU… Bela maneira de fazer um orçamento.

DN, 31 de Janeiro de 2016

domingo, 31 de janeiro de 2016

Luz - Comerciante chinês, a almoçar no seu negócio, no Martim Moniz, Lisboa

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Naquela posição pouco confortável, o senhor está a responder a anúncios dos jornais. Não tive coragem para me aproximar ou perguntar qual era a área de negócio ou actividade. Emprego? Alugar casa? Compra e venda? Serviços pessoais? (2015)

sábado, 30 de janeiro de 2016

Sem Emenda - O que deve fazer o Presidente

Gostaria de escrever sobre o próximo Presidente. No entanto, poderia alguém concluir que o “Retrato Robot” se parecia com um dos candidatos. Ora, a lei portuguesa proíbe que, neste dia, se escreva de modo a que o verbo possa ser interpretado como apoio a um candidato. Por outras palavras, é proibido escrever ou falar sobre o único assunto de que toda a gente fala! É uma lei estúpida, mas faz parte do nosso Calvário democrático: até as leis estúpidas devem ser obedecidas. Eis por que me parece sem risco dizer o que essa pessoa (evito cuidadosamente o sexo…) deverá fazer depois de tomar posse. 

É verdade que o cargo se extingue gradualmente: todos os presidentes ajudaram nesse sentido. Talvez, dentro de uns anos, deixe de haver um presidente eleito directamente pelo povo. Até esse dia, no entanto, é possível desempenhar a função com alguma utilidade.

Respeite escrupulosamente a Constituição. A melhor maneira de o fazer consiste em enviar para o Tribunal Constitucional uma grande quantidade de diplomas do Parlamento e do Governo. A constitucionalidade das leis não é uma questão de opinião, mas sim de direito. Se o Tribunal diz que sim, é sim. Se diz que não, é não. Se o respeito pela Constituição for simplesmente a sua interpretação, já sabe: terá metade do país à perna!

Ajude o seu povo a reflectir sobre a revisão da Constituição. Se jurou respeitá-la, não jurou deixar de pensar. Pode perfeitamente solicitar pareceres e trabalhos, organizar seminários, grupos de estudo, debates e reflexões sobre o futuro da Constituição. Devemos deixá-la como está? Rever? Renovar profundamente? Tentar fazer uma nova? Ninguém está em Portugal proibido de o fazer. O Presidente também não. Toda a gente pode ajudar a reflectir. O Presidente mais do que qualquer um. É um favor que o Presidente fará ao país e aos partidos. Mas é também o seu dever. O Presidente da República não é um cargo paralítico, muito menos uma múmia.

Use o mais abundantemente possível os meios legais de que dispõe para falar com os órgãos de soberania: o Governo, o Parlamento e os Tribunais. Dirija-se com frequência ao Parlamento, escrevendo-lhe mensagens. Fale com o Primeiro-ministro e os ministros. Mas faça-o sempre pensando que, salvo em casos muito especiais, deve ter o povo como testemunha. Ou diga ao povo o que diz ao governo. Não deixe que os encontros das quintas-feiras, com espessa alcatifa e reposteiro corrido, sejam um segredo de Estado com o qual todos têm a perder: o Presidente, o Primeiro-ministro e os Portugueses.

Como Comandante Supremo das Forças Armadas, pode e deve promover uma reflexão séria, seguida de debate animado, sobre as Forças Armadas portuguesas, suas funções futuras, seu desenvolvimento e seus deveres. No que deve incluir uma nova reflexão sobre o serviço cívico ou militar. As Forças Armadas portuguesas estão ameaçadas de ter de viver um período terrível de falta de meios, de orientação, de vocação e de espírito. O próximo Presidente da República não pode esquecer. Nem fingir que não percebe.

A Justiça deveria ser a sua maior preocupação. É o que há de mais frágil na colectividade. E o que mais ameaça os direitos dos cidadãos. Com uma boa justiça, teríamos mais liberdade, melhor administração, menos corrupção, economia mais saudável, instituições mais respeitáveis e política mais decente. Todos os Presidentes anteriores falaram muito de Justiça, nenhum fez nada que se visse. O Presidente tem poderes e meios directos, assim como indirectos, políticos e de influência, para melhorar a Justiça portuguesa. Só não o faz se não quiser ou se tiver medo.

Não dê posse a um governo minoritário. Exija um programa e um governo aprovados no Parlamento. A este propósito, a Constituição é cega, surda e muda: não permite, não prevê e não proíbe. Bem sei que não afirmou isso durante a campanha (ninguém o disse, aliás), mas é perfeitamente aceitável que o Presidente exija uma maioria. Nem que tenha de convocar novas eleições.

Qualquer político que chega ao topo da carreira, tem um sonho: ser internacional. Arranjar que fazer, ser conhecido e ter importância na Europa e no mundo. Esse é o capítulo das vaidades. Acontece que Portugal tem sido, nas últimas décadas, uma figura de corpo presente. Ou nem sequer. Ora, seria interessante que o país tivesse um qualquer papel internacional a fim de melhor exprimir os seus interesses. Sozinho, não conseguirá nada. Com outros, talvez. Uma iniciativa europeia, bem pensada, seria uma maneira de evitar que tivéssemos depois de sofrer as iniciativas dos outros.

Finalmente, não se deixe dominar pelos seus receios. Não permita que os seus serviços, conselheiros, consultores e amigos lhe digam que a sua protecção é a principal preocupação, a prioridade maior e a sua primeira obsessão. Para proteger os cidadãos, o Presidente da República tem de correr riscos. Não cuide de si, cuide do seu povo!

DN, 24 de Janeiro de 2016

domingo, 24 de janeiro de 2016

Luz - Comerciante chinês, a almoçar no seu negócio, no Martim Moniz, Lisboa

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Foram necessários tão poucos anos para que os comerciantes chineses se instalassem por toda Lisboa, da Lapa ao Martim Moniz, de Belém a Odivelas! E quem diz Lisboa, diz o país inteiro, de Vila Real a Portimão, de Aveiras a Sabrosa. Atrás deles, já chegaram também do Paquistão, da Índia, do Bangladesh e de vários países árabes. Ao contrário de outros povos (Ucranianos, Brasileiros, Africanos, por exemplo), estes Asiáticos preferem o comércio, é aqui que eles são especialistas. Em vinte anos, o comércio de Lisboa e do país mudou. Assim como as ruas, os cheiros, as roupas e as cores. Sem falar, evidentemente, nos preços de tudo e de nada! Por causa dos chineses e dos supermercados, fecharam milhares de comércios portugueses. E abriram milhares dos Asiáticos. Que trabalham doze a dezasseis horas por dia, com toda a família dentro da loja, onde estão abertos aos fins-de-semana e feriados! Ao que parece e consta, uma família de chineses que se queira instalar obtém um crédito das associações de chineses (pelo menos duas importantes, uma em Lisboa, outra no Porto), contra vários compromissos, desde começar a pagar ao fim de um prazo estipulado, até empregar chineses e sobretudo só comprar mercadoria chinesa aos grandes “grossistas” e distribuidores organizados pelo Estados provinciais. Lá que o sistema é eficaz… (2015)

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Sem Emenda - As Minhas Fotografias


Porta lateral da Catedral de Barcelona
O seu verdadeiro nome é Portal de Santo Lu. Com mais de quinhentos anos, é a porta mais antiga. A principal, por contraste, é do século XIX. Esta catedral gótica, com fundações e restos românicos e paleocristãos dos tempos visigodos (séculos IV a VII), é bem mais interessante do que a quase sua vizinha e muito mais reputada Sagrada Família (cujo verdadeiro nome é Templo Expiatório da Sagrada Família). Fica no Bairro Gótico, um dos melhores sítios da cidade. Nas naves da catedral, as capelas e os retábulos, góticos e barrocos, dão riqueza e variedade. O silêncio de que se pode usufruir aqui, propício ao sossego para descansar e conhecer ou à meditação para os crentes, é mais convidativo do que a operação turística do edifício de Antoni Gáudí. Vale a pena ver as duas. E pensar nas duas Catalunhas, nas duas Barcelonas, a espanhola e a independente. E imaginar ou recear que algumas perturbações políticas graves para a Europa podem vir dali, daquela tão alegre e frenética cidade.
Fotografia de António Barreto

DN, 17 de Janeiro de 2016

Sem Emenda - O papagaio da Fenprof

Basta um pequeno esforço para reconstruir o discurso do dia.
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Queremos acabar com as mudanças permanentes. Queremos garantir a estabilidade do sistema educativo. As crianças estão no centro da nossa política educativa. Os alunos são a prioridade. As pessoas estão à frente. Por motivos ideológicos, o governo anterior mudou tudo sem rei nem roque. O anterior ministro criou a instabilidade. O governo precedente provocou danos quase irreparáveis. As políticas educativas anteriores, destinadas a promover a desigualdade, deixaram sequelas irreversíveis. Em quatro anos, a educação em Portugal recuou dez ou vinte. O governo anterior só se interessava pela produção de elites. Foi instalada a desordem educativa. As escolas estão destruídas.

Também não é preciso muito para prever o que se segue.

Vamos nós agora garantir que não haverá mais danos. Vamos reparar as sequelas. Vamos criar a estabilidade. Vamos garantir o primado dos alunos. Vamos construir uma escola de sucesso. Vamos levar a cabo uma política sensata, equilibrada, orientada pela ciência, dirigida para os alunos, destinada a promover a igualdade e a democracia. E sobretudo vamos reformar com a garantia da estabilidade. Para já, não haverá mais trabalhos para casa no ensino básico, dado que os alunos eram obrigados a trabalhar de mais. Depois de o Parlamento, numa votação inédita, ter eliminado uns exames, vamos agora eliminar os restantes, que eram um horrendo choque psicológico para os alunos. Vamos fazer provas de aferição sensatas, sem ideologia, sem classificação e sem trauma para os alunos. Não haverá mais exames, para já, no quarto e no sexto, mas sim provas no segundo, no quinto e no oitavo, o que é evidentemente mais democrático, mais pedagogicamente correcto e mais científico. Ámen.

Com a ajuda de António Costa, o ministro Tiago Brandão Rodrigues teve, nas televisões e no Parlamento, dois dias de glória. O ministro não ouviu quem devia ter ouvido, não acatou conselhos sábios de prudência e experiência e tomou medidas radicais a meio do ano lectivo. Com o atrevimento próprio dos ignorantes, denunciou a ideologia dos outros, declarando-se definitivamente científico e no cumprimento do interesse dos alunos. O parecer do Conselho Nacional de Educação diz o contrário? Aconselha várias medidas cautelares? É indiferente, “quem manda é o governo”. A disciplina, o trabalho, o rigor e o método? São etiquetas ideológicas que devemos afastar. O que importa é que a educação promova a igualdade e não a “elitização”, termo inventado por um analfabeto e adoptado pelo ministério. Parece ter ouvido cuidadosamente os dois partidos de extrema-esquerda e a Fenprof: sente-se até nas palavras utilizadas. Exprime-se numa língua de pedra, feita de lugares-comuns e de expressões aparentemente científicas. Diz que o sistema anterior é nocivo, provoca danos, criou traumas, promove a desigualdade, forma elites e traduz a cultura da nota. Não ouve nem dialoga com os parceiros, mas “informa-os das premissas”. Não ouviu os directores das escolas não se sabe porquê, mas também não interessa, porque “quem governa é o governo”. Reformou os exames e as avaliações a meio do ano, o que para ele não tem qualquer espécie de importância. Não falou com várias sociedades científicas, nem com organizações de pais, mas ouviu a Fenprof, que já o felicitou.

E assim recomeça mais um ciclo de reformas da educação. E desta maneira se iniciam discussões litúrgicas e obsessivas sobre os exames e a avaliação contínua, a aferição e a avaliação, a avaliação interna e a externa, a avaliação formativa e a sumativa…
O pior é que já vimos isto tudo. Uma vez. Duas vezes. Tantas vezes. Vezes a mais!
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DN, 17 de Janeiro de 2016

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Sem Emenda - As Minhas Fotografias

A Rotunda de Xangai
É a rotunda da torre de televisão Pérola do Oriente. Ou rotunda de Pudong, do nome do distrito financeiro; ou passadeira Luijazui, cidade nova em frente à velha Xangai e ao famoso Bund. Aquele novo distrito, com dezenas de arranha-céus e milhares de milhões de PIB, situa-se num território que, há trinta anos, era agrícola e considerado um dos mais férteis da China e do mundo. Esta rotunda não se pode perder. De repente, parece uma escultura, com tricot e bordados de Joana Vasconcelos. Com este feitio e a passadeira de peões de enormes dimensões, a sobrepor-se à rotunda de carros, não há outra no mundo!
É desta China que vem agora a crise financeira. A Bolsa fechou duas vezes, a fim de evitar desastres. Há mais de vinte multimilionários desaparecidos, não se sabe se mortos, presos ou fugidos. O governo já desvalorizou várias vezes. Será o comunismo capaz de conter as crises do capitalismo? Talvez com uma Rotunda?
Fotografia de António Barreto
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DN, 10 de Janeiro de 2016