domingo, 11 de outubro de 2015

Os quatro pilares da democracia

A defesa da liberdade e da democracia depende em primeiro lugar dos povos. Se estes não quiserem a democracia, será difícil criá-la. Dito isto, que não chega, há mais. A democracia é uma construção difícil e longa. É uma convenção complexa. É uma organização frágil, condicionada pela circunstância e pelos costumes. Pelas instituições e pelos políticos…
Tendo durado quase quarenta anos, o edifício da democracia portuguesa está construído sobre quatro pilares. Frágeis e actualmente sob ameaça.

O acordo constitucional. Serviu para fundar o Estado de direito democrático. Apesar das reticências, até o CDS aderiu. E o PCP também, mas forçado. Depois, foi-se fazendo um compromisso de revisão, entre o PSD, o PS e o CDS. Todos com vontade de rever, desde que lhes convenha o momento. Curiosamente, o mais rígido defensor da Constituição é o PCP, único partido que explicitamente considera a democracia parlamentar como um regime transitório… Este consenso está hoje em crise séria, talvez sem remissão. A ruptura dos últimos anos entre o PS e o PSD parece irreversível. Quem quer rever a Constituição não tem força para isso. Não parece haver uma maioria de defesa nem de revisão da Constituição.

O Estado social. Com uns pormenores datando dos anos 1960, o actual Estado Social é essencialmente obra da democracia, que o criou e dele se alimentou. O Estado social manteve o consenso constitucional. Todos, no Parlamento e no governo, ajudaram. Os partidos de direita e os mais liberais, se é que estes existem, contribuíram. Os de esquerda também. Ninguém quis perder uma oportunidade para aumentar prestações, subsídios, pensões e abonos. A democracia agradou à população enquanto o Estado social parecia rico e generoso. Este, agora, sem meios nem demografia, está a desfazer-se aos poucos. Nas últimas eleições, percebeu-se, a este propósito, a crispação entre partidos. Sem crescimento económico, não há Estado Social. Sem um compromisso entre partidos, muito menos.

A União Europeia. Depois de África, a Europa foi a casa de refúgio. A direita e extrema-esquerda começaram por ser contra. Socialistas e alguns “liberais” foram pioneiros. Lentamente, quase todos aderiram e gostaram. Até os comunistas, ainda hoje nada europeístas, aproveitaram o que puderam para os seus autarcas e para os investimentos públicos. Este pilar foi sobretudo válido como garante e factor de coesão nacional, enquadramento internacional e coesão social. Foi a mais importante fonte de recursos para investimento. Nos próximos anos, depois do falhanço da coesão europeia, o papel da UE, como factor de democracia em Portugal, será difícil. Com a adesão da União e do BCE aos programas de assistência (vulgo Troika), muitos portugueses deixaram de olhar para esta Europa com simpatia e interesse. É o caso do Bloco e de parte dos socialistas, que se juntam ao PCP. A crise financeira e política europeia, a crise dos refugiados, as contradições crescentes entre Estados, a irresistível supremacia alemã, o apagamento francês, o “separatismo” britânico e os tormentos gregos mostram uma União perturbada, incapaz de segurar as forças centrífugas.

A aliança entre o Estado e os negócios. Uns chamam-lhe promiscuidade. Outros dizem que é corrupção. Há quem pense que são inimigos perigosos da democracia. A longo prazo, é verdade: são a sua destruição. Mas infelizmente, a curto prazo, podem ser, como têm sido em Portugal, factores de sustento e funcionamento da democracia. Aquela aliança criou investimentos e oportunidades, fomentou o emprego, distribuiu rendimentos, alimentou partidos e empresas, fez obras públicas, projectou empresas para o estrangeiro e foi viveiro de negócios. Velhos ricos, partidos políticos, grandes grupos privados, empresas públicas, companhias multinacionais, bancos, empresas de construção e de serviços públicos, novos-ricos de colheita recente e grupos financeiros de origem incerta ganharam e tiveram o seu ciclo de riqueza, fama e viço. Os protagonistas foram os suspeitos habituais ou não. De um lado, os chamados partidos de governo, o Estado central, as autarquias e as empresas públicas. Do outro, alguns grupos económicos nacionais, uma parte da banca, algumas multinacionais e um rosário de empresas especializadas nas encomendas do Estado ou nos seus concursos de obras e de fornecimentos. A matéria era vasta: estradas, energia, água, construção, cimentos, transportes, banca, telecomunicações, equipamento militar… Os elementos de ligação eram os concursos públicos, as adjudicações directas, as encomendas, as Parcerias Público Privadas, as privatizações… Poucos criaram riqueza. Muitos compraram o que havia. Alguns foram mesmo capazes de comprar para destruir. Esta aliança parece estar em fase de ruptura. Depois de terem deixado desenvolver-se os negócios e a dívida, a Troika e as entidades internacionais necessitam agora de ter garantias de honestidade nas relações entre o Estado e os negócios. Além de que não há dinheiro, nem crédito fácil. E tudo leva a crer que os dinheiros europeus não serão mais portas abertas ou mãos rotas…


Com estes quatro pilares ameaçados, como poderá segurar-se a democracia portuguesa? Era bom que as soluções de governo que se preparam estivessem à altura destas ameaças.
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DN, 11 de Outubro de 2015

domingo, 4 de outubro de 2015

Luz - Linhas de caminho-de-ferro entre Santa Apolónia e a Gare do Oriente, Lisboa


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Sempre o caminho-de-ferro foi uma tentação ou uma singular atracção. Seja para passear e fugir, seja para viajar e conhecer, seja finalmente para fotografar. Já viajei em alguns dos mais famosos caminhos-de-ferro do mundo, mas ainda estou longe de os ter feito todos. Nunca fui no Transiberiano, nunca atravessei a Índia de comboio (velho sonho…), nunca viajei desta maneira na Ásia ou na África… Em Portugal, infelizmente, os comboios são pouco importantes, cada vez menos úteis e confortáveis, nada eficientes e pouco pontuais. O mais bonito de todos, o da linha do Douro, e seus afluentes, os das linhas do Sabor, do Tua, do Corgo e do Tâmega, foram miseravelmente condenados por uma poderosa aliança que envolveu automóveis, autocarros, burocratas, capitalistas, socialistas, ministros, funcionários, empreiteiros, construtores de estradas e viadutos… Nesta imagem, vêem-se algumas linhas perto da estação de Santa Apolónia. Duas senhoras da limpeza em primeiro plano. Ao fundo, à esquerda, funcionários ou técnicos da CP. À direita, depois de várias composições em repouso, pilhas de contentores nas docas do Poço do Bispo. Parece que “eles” querem acabar com a estação de Santa Apolónia. Vai tudo para Oriente. Parece um plano “racional” e “integrado”, como “eles” dizem, mas é simplesmente mais um passo na destruição lenta dos comboios e na redução dos caminhos-de-ferro à sua mais ínfima expressão. E é também, seguramente, o papel de embrulho de uma estúpida operação de especulação fundiária. O belo edifício de Santa Apolónia vai para “hotel de charme”, comércio de luxo, lojas “gourmet”, recordações “topo de gama”, um “condomínio fechado” e outras tolices. A ruína e o abandono esperam-nos a todos…

domingo, 27 de setembro de 2015

Luz - As gruas Poderosa e Vigorosa no cais de Lisboa, nas docas do Poço do Bispo

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Esta é a continuação necessária da imagem anteriormente publicada. Depois de terminadas as suas tarefas, ao largo do Mar da Palha, a “Vigorosa” regressou ao seu poiso habitual, encostada ao cais, ao lado e cruzada com a “Poderosa”. É esta a imagem que se vê mais vezes, quando se passa pela região. Ao fim de algum tempo, as duas gruas transformam-se facilmente em imagem familiar. Além de serem bonitas, a sua posição tem algo de afável. Quem sabe se acolhedor, termo aqui inesperado, mas é o que me ocorre. Há quem diga que, naquela posição, as duas gruas fazem lembrar, estilizados, os corvos de Lisboa! Está tudo certo! (2015)

domingo, 20 de setembro de 2015

Luz - A grua Poderosa, no cais de Lisboa, nas docas do Poço do Bispo

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Tem mais de trinta anos. Funciona perfeitamente. Foi construída em Portugal, por uma empresa, a Mague, que desapareceu na voragem da revolução, do socialismo e do capitalismo. A grua é especializada em cargas a granel. Vai com um batelão ao largo, carrega e descarrega as mercadorias. Tem uma mecânica antiga e interessante. Pode dizer-se que é bonita e arrasa completamente os guindastes modernos e os pórticos para contentores. Os estivadores, homens sensíveis, deixaram-se há muito conquistar e deram-lhe este maravilhoso nome: “Poderosa”! Que pintaram no eixo principal, como se pode ver. Nesta imagem, onde a vemos sozinha diante do rio e do Mar da Palha, há qualquer coisa de majestático na sua pose. Mas também de triste e melancólico! Na verdade, como veremos em breve, a “Poderosa” tem a sua parceira, a “Vigorosa”, quase igual, com quem faz parelha todos os dias e que neste dia lhe faltou. Juntas, ganham alegria e encanto! (2015)

domingo, 13 de setembro de 2015

Luz-Entrada do novo edifício da sede da EDP, em Lisboa

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O edifício ainda não está acabado. Não me foi possível entrar, nem sequer passear nesta pátio estranho e atraente, que não é mais do que uma passagem através de todo o prédio, da avenida da frente para a rua das traseiras. O autor é o arquitecto Manuel Aires Mateus. O edifício fica na avenida 24 de Julho, perto do Tejo, não longe do Cais do Sodré e do Mercado da Ribeira, e terá oito pisos à superfície e seis subterrâneos para vários usos mais estacionamento. A abertura e a inauguração estão aparentemente atrasadas, pois estiveram marcadas para o segundo semestre de 2014. A obra terá custado mais de 60 milhões de euros, sendo que este valor não é rigoroso nem está confirmado. Todo o edifício vive muito da transparência dos materiais, nomeadamente o vidro profusamente utilizado. A perspectiva desta imagem depende do sol e das sombras. Só se obtém este plano a certas horas do dia e com a meteorologia adequada. É provável que a construção venha a ser polémica, tanto funcional como esteticamente. Será mérito seu. Para já, posso garantir que é uma verdadeira fantasia para qualquer fotógrafo! Poderá passar por ali horas, dias e semanas, em vários estacões do ano, a diferentes momentos do dia: nunca se cansará de jogar e brincar com a luz e a sombra! (2015)

domingo, 6 de setembro de 2015

Luz - Corredor com stands de malas num Centro Comercial de Xangai

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Era um centro comercial qualquer, nem muito popular, nem muito “chique”. Talvez uma dezena de andares com a organização conhecida por géneros e mercadorias. Uma primeira diferença relativamente ao que conheço pelas nossas bandas, a enormidade ou a dimensão de tudo aquilo. A quantidade infinita de produtos. A sucessão de stands, estantes e prateleiras com milhares de bens à venda. A organização propriamente dita também me pareceu diferente do que conheço. Os clientes andam em corredores todos mais ou menos iguais e passam entre filas de “curros” ou pequenos stands em forma de prateleira ou espécies de quiosques. Em cada “curro” ou stand, estão uma ou duas meninas. Geralmente passivas, à espera que o cliente se aproxime. Mas vão falando: duas frases em chinês, logo seguidas de um “Hello!” ou de um “Good morning!”. Vim a saber que cada “curro”, quiosque ou prateleira pertence a um proprietário ou a uma organização e cada vendedora é apenas responsável pelos seus produtos, que vai vendendo sem salário fixo, mas com percentagem sobre o ganho em cada dia. Nesta imagem, estamos na secção de malas de senhora: havia dezenas de corredores destes! As marcas era todas as conhecidas, de Vuiton a Prada, passando por Gucci e Longchamp e mais não sei! Todas pareciam verdadeiras, todas “cheiravam” a couro verdadeiro, todas tinham a “griffe” e a assinatura do fabricante genuíno. Custavam entre dez e cem euros… Todos os preços eram discutíveis e negociáveis. Alguns destes quiosques tinham uma porta. Atrás da porta, mais estantes, com os mesmos produtos, mas, diziam elas, verdadeiros! Estavam mais bem embaladas em papel de seda e caixa de cartão que mais parecia de bombons. Custavam entre cem e mil euros. Discutíveis, claro! (2014)

domingo, 30 de agosto de 2015

Luz - Fast food numa rua de Beijing

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Eram nove da noite. Fomos passear a pé, ver o movimento, a agitação era grande e o clima afável. Numa larga e moderna avenida de Beijing, onde se situam pelo menos dez hotéis de luxo e de cinco estrelas, assim como várias dezenas de lojas de grande luxo (Cartier, Prada, Louis Vuitton, Versace, assim como as populares Zara e Beneton), aparece, de repente, uma longa fila de stands de comida para levar ou comer ali, comes e bebes, “fast food”… Eram talvez duzentos stands, todos iguais, com número e nome dos responsáveis, com pessoal vestido da mesma maneira, com os mesmos bonés e aventais! Stands iguais, mas especializados nos seus petiscos. Provei umas deliciosas espetadas de fruta ao natural, outras com fruta mergulhada em açúcar caramelizado: óptimas! Quando comecei a ver comidas mais sólidas e espetadas mais problemáticas, percebi que estávamos em mundo diferente. Além da fruta, as espetadas podiam ser de pedaços de carne (talvez de porco) ou de inofensivos camarões e similares, mas também de ouriços, baratas gordas ou afins, cobras, lagartas, centopeias, aranhas e escorpiões. Dei “hossanas” ao relativismo cultural gastronómico, elogiei a diferença e a tolerância, lembrei-me dos nossos passarinhos fritos, dos caracóis, das pernas de rãs, das tripas e do arroz de cabidela… Mas virei as costas àquela bicharada toda e fui comer massa chinesa num restaurante vulgar e sem graça! (2014)

domingo, 23 de agosto de 2015

Luz - O “ninho” dos desportos Olímpicos, o estádio de atletismo em Beijing

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O seu nome completo é “Ninho de Pássaro”. Tem a capacidade para 80.000 espectadores. Ali se realizaram as provas de atletismo e algumas de futebol. A sua construção terminou em Março de 2008, a tempo dos Jogos de Verão desse mesmo ano. O estádio é muito curioso e a sua arquitectura interessante. Talvez não seja muito diferente de outros similares, mas conheço poucos. Os seus arquitectos foram os suíços Herzog e De Meuron, associados a grandes empresas multinacionais e chinesas. A concepção estética e formal depende de princípios e de “fórmulas” complexas, como sejam as oposições entre o bem e o mal, entre o caos e a ordem e entre o Yin e o Yang. É verdade que a assimetria, dentro de um conjunto aparentemente harmónico, é atraente ou pelo menos desperta a curiosidade. Nesta imagem, vêem-se três ou quatro vendedores de qualquer coisa, incluindo uma, no primeiro plano, que vende fotografias dos visitantes, mostrando uma espécie de exemplos dos planos possíveis para o cliente fotografado com o ninho atrás! Mas repare-se na maneira como está vestida! Como ela, havia mais umas dezenas ali à volta. Boné, cachecol, lenço, véu, Estrela Vermelha, camuflado… Tentei perceber as razões deste disfarce ou deste uniforme. Só obtive uma informação para o lenço na boca: protecção contra a poluição de Beijing, geralmente elevadíssima, mas naquele dia, por sorte a minha, quase inexistente. Como se pode ver pelo céu pelas cores e pelos objectos… (2014)

domingo, 16 de agosto de 2015

Luz - Stand de relógios na avenida dos Jogos Olímpicos, em Beijing

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Esta avenida, que leva até aos grandes pavilhões de natação e ao famoso “ninho”, o estádio olímpico, assim como a outros equipamentos olímpicos, é muito longa e larga, tendo por todos os lados centenas de stands, mesas e quiosques de todos os feitos. Muitos deles são simples mesas, como esta aqui. As vendas de relógios são das mais populares, logo a seguir às de capas de telemóveis. Parei diante de algumas e estive a ver as marcas. Rolex, Tag Heuer, Longines, Ómega, Vacheron, International Watch… É o embaraço da escolha! Os preços variam entre 5 e 30 dólares, mas os mais caros, bem conversados, podem sair por 10 ou 12 dólares! Vi um senhor europeu comprar vinte! E um casal chinês que levou dez! Esta mesa era especializada em desenhos esquisitos no mostrador e atributos mais adolescentes. (2014)

domingo, 9 de agosto de 2015

Luz - A escadaria de São Bento em dia de manifestação, Lisboa

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Ao fim da manhã, era assim: praça quase deserta, nenhum sinal de desordem ou de multidão. Um pai atravessa a rua com a filha, ordeiramente, pela passagem de peões. Quatro polícias zelam pela tranquilidade dos locais e defendem a integridade do Parlamento, a casa da democracia. Não é que se veja ou sinta, mas há qualquer coisa nesta imagem que revela tensão. O “silêncio” e a falta de ruído iconográfico (poucas pessoas, pouco movimento, pouca confusão…) sugerem uma ansiedade. A presença dos agentes da polícia diante de nada ou de ninguém obriga-nos a pensar no que virá a seguir, nas possíveis tempestades. Algo se prepara e a polícia parece preparada. Horas depois, assistiríamos a uma das manifestações mais estranhas e mais difíceis na história da democracia portuguesa. Uns milhares de polícias e guardas manifestavam-se ruidosamente contra o governo e alertavam o Parlamento. A um momento dado, os polícias manifestantes quiseram dizer aos poderes que, se quisessem, podiam invadir o Parlamento e ir até onde lhes apetecesse. Os polícias de serviço ainda tentaram resistir, mas foram submersos e empurrados. Em poucos segundos, os manifestantes galgaram barreiras e subiram as escadas. Só pararam onde quiseram, à beira dos últimos degraus do Parlamento. O recado foi dado. Os poderes estabelecidos tremeram. Até a oposição engoliu em seco. Um dia saberemos se esta foi a primeira de uma série maior… (2014)

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Morreu um amigo!

Luís Roseira era lavrador do Douro, produtor de vinho do Porto e do Douro. Deu corpo à empresa e aos vinhos da Quinta do Infantado. Lutou durante pelo menos setenta anos pelo Douro e pelos Durienses. Era médico João Semana e anestesista. Exerceu em Covas do Douro e no Porto. Fez dezenas de partos, milhares de quilómetros para socorrer doentes, ajudou pobres e tratou dos amigos. Era um democrata, um socialista e um homem livre. Partido, autoridade, Igreja, Banco, burocrata ou milionário: ninguém mandou nele. Por isso esteve preso. Por isso os dirigentes de tudo e de mais qualquer coisa o consideraram sempre um incómodo. Escreveu centenas de artigos em jornais, assim como um livro de memórias e de combate. Só a doença o calou. Morreu ontem.

domingo, 2 de agosto de 2015

Luz - Cais das Colunas, Praça do Comércio, Lisboa

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É possível que este local se tenha tornado uma dos “spots” mais visitados e mais fotografados de Lisboa e de Portugal. Em certo sentido e sem comparar com as belezas excepcionais (como sejam a região do Douro, os Açores, o mosteiro de Alcobaça…), devo dizer que o merece. O sítio, pela topografia e pela história, tem qualquer coisa de mágico. Não foi dali que as míticas caravelas partiram, mas toda a gente, a começar pelos turistas, pensam isso! Quando por ali ando, a passear ou a fotografar (o que faço, naquele local, há mais de trinta anos), olho para as caras dos outros, passantes e turistas: todos têm o ar sério de quem está diante da História! Ou de quem por ela está subjugado. Mesmo agora, com selfies e auscultadores, ou com “piercings” e tatuagens, ninguém resiste a um pouco de meditação diante do Cais das Colunas! Na outra margem, o Barreiro industrial (deveria agora dizer-se ex-industrial), a Lisnave (o que dela resta na Margueira) e o Cristo Rei não são os melhores conselheiros para sonhar e meditar com a história nacional. Talvez Belém. Ou, melhor ainda, o Cabo Espichel… (2014)

domingo, 26 de julho de 2015

Luz - Hotel em Tróia

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Plano interior de um hotel de Tróia. Estive mais de vinte anos sem vir por estes lados. A penúltima vez que lá passei, vivia-se em clima de crise (empresas praticamente falida, degradação das instalações e dos equipamentos), os edifícios estavam velhos, os clientes arrastavam-se… Agora, as coisas parecem ter melhorado. As famosas torres foram derrubadas, ou antes, “implodiram”, construíram-se novas moradias e novos edifícios, fez-se um novo casino… Quando por lá passei, há menos de um ano, havia pouca gente nas ruas, nos hotéis e no casino. Mas pessoas que lá trabalham disseram que o “resort” estava a progredir… Apesar do clima de crise… (2014)

domingo, 19 de julho de 2015

Luz - Terreiro do Paço, Lisboa.

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Já aqui um dia um comentário de uma leitora sublinhava o facto de uma fotografia não dizer nada do local onde tinha sido feita. Podia ter sido em qualquer sítio… Concordei, mas não considero o facto negativo. Na verdade, este blogue não é sobre Lisboa, é sobre a luz… Nesse espírito, insisto! Este passeante, sozinho, vestido como quem trabalha em escritório, com chapéu quase de férias e com deliciosa sola de sapato, estava a pedir uma fotografia. De costas, como tantas vezes faço, na tentativa de estar a ver o que as pessoas vêem ou de me dirigir para onde elas vão. (2014)

domingo, 12 de julho de 2015

Luz - Ribeira das Naus, Lisboa

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Duas turistas acaloradas repousam e bebem água à beira Tejo. Uma delas ostenta uma horrenda “tatuagem” com gaiola e literatura chinesa. Bem que gostava de saber o que dizem os ideogramas! Seria engraçado que ela julgasse que se trata de poesia oriental, mas que o artista que tatuou se tivesse dado a uma liberdade poética e escrevesse qualquer coisa de inconveniente… Neste novo sítio de Lisboa, ou antes, neste velho sítio, tanto tempo desprezado e agora renovado e arranjado, os turistas são aos milhares todos os dias. Já lá os vi com e sem sol, com e sem calor, com e sem chuva. Assim como com e sem vento. Este é, aliás, um dos piores incómodos de Lisboa ao ar livre. Mas foi seguramente esta uma das razões do abandono a que foi votada a Lisboa do rio, assim como um motivo para a quase inexistência, durante décadas e décadas, de esplanadas na cidade. Agora, com meios de protecção de toda a espécie, são finalmente possíveis um copo ou uma refeição ao ar livre e com a maravilhosa luz de Lisboa ao fim da tarde. Pena é que venham cada vez mais os piercings, as tatuagens, os brincos extravagantes, os cadeados e as grilhetas penduradas do nariz… (2014)

sábado, 4 de julho de 2015

Douro, lugar de um encontro feliz - Exposição de fotografias

CONVITE

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Press Release
O Museu do Douro inaugura no dia 10 de Julho a exposição de fotografias de António Barreto: “Douro, lugar de um encontro feliz”. A exposição é comissariada por Ângela Camila Castelo-Branco que seleccionou para a mostra fotografias do autor realizadas entre 1978 e 2014. O projecto teve como parceiros a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte e a Liga dos Amigos do Douro Património Mundial.
A exposição consta de 55 fotografias a cores e a preto-e-branco mostrando a diversidade de pontos de vista e de impressões proporcionada pela Região, com particular foco nas vinhas, no vinho, no rio e nos socalcos e encostas dos vales do Douro e seus afluentes. Nesta região, ocorreu, há séculos, um encontro feliz entre trabalhadores, lavradores e comerciantes, entre portugueses e estrangeiros (ingleses, escoceses, holandeses…), de que resultou um grande vinho e uma paisagem única. Esta última, de excepcional beleza, é o resultado de um enorme esforço humano de trabalho, cuidado e disciplina. Assim como é testemunho de capítulos importantes da história de Portugal e do seu comércio.
A exposição estará patente ao público, na sede do Museu do Douro, no Peso da Régua, de 10 de Julho a 28 de Setembro de 2015. Depois deste período, entra em itinerância pela Região Demarcada do Douro.
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António Barreto nasceu no Porto em 1942. Sociólogo, professor universitário e político, foi deputado e membro do governo, assim como colunista de vários jornais. Sócio correspondente da Academia das Ciências de Lisboa. Prémio Montaigne em 2004. Autor da série de televisão “Portugal, um retrato social” e do documentário “As horas do Douro”. Presidente da Fundação Francisco Manuel dos Santos, de 2009 a 2014. Sócio fundador da APPh. (Associação Portuguesa de Photographia). Autor de vários livros, entre os quais “Um Retrato do Douro”, “Douro”, “Fotografias 1967-2010” e “Douro; Rio, Gente e Vinho”.-Branco nasceu em Lourenço Marques, Moçambique,
Ângela Camila Castelo-Branco nasceu em Lourenço Marques, Moçambique, em 1966. É documentalista no Arquivo Histórico da RTP (Rádio Televisão de Portugal). Estudou fotografia no AR.CO (Centro de Arte & Comunicação Visual) de 1993 a 1997. Foi comissária de diversas exposições. Proferiu conferências. Tem publicado vários textos sobre História da Fotografia. Foi responsável pela organização e selecção iconográficas de vários livros. Coleccionadora de fotografias de Portugal e das ex-colónias. Sócia fundadora e membro da Direcção da Associação Portuguesa de Photographia (APPh.).
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domingo, 28 de junho de 2015

Luz - Ponte D. Luis, na Ribeira do Porto, a terminar nas brumas de Gaia.

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A fotografia foi feita de manhã. As brumas e os nevoeiros do Porto e de Gaia são famosos e muito fotogénicos. No primeiro plano, dois dos muitos barcos de recreio que agora são numerosos e que trouxeram uma vida nova, seja a esta Ribeira, seja ao rio Douro, vale acima. (2014)

domingo, 21 de junho de 2015

Luz - Cais das Colunas, Terreiro do Paço, à beira Tejo, Lisboa

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Talvez não seja evidente, mas a parte que se vê da margem do rio, em primeiro plano, é mesmo o princípio do Cais das Colunas. Este foi restaurado, recomposto e arranjado como parte das grandes e atrasadas obras da Praça do Comércio, da Ribeira das Naus, do Cais do Sodré e vizinhanças. Tudo demorou tempo a mais. Nada verdadeiramente acabou ainda, podem ver-se por ali restos de obras, ajustes ulteriores, desvios provisórios e outros dispositivos da nossa imaginação poderosa para designar coisas mal acabadas! Mas é verdade que, no conjunto, está ali uma nova área interessante para o passeio, a estética, o turismo, o património e a urbanização. Ainda faltam muitas árvores, talvez cresçam! Este Cais das Colunas, com os seus mitos e encantos, é dos pontos que atrai mais gente aos gritinhos a fazer “selfies” e outras parvoíces. Mas também há quem vá para ali simplesmente ler! Ao fundo e à direita da fotografia, restos da velha Estação do Terreiro do Paço onde partem barcos de recreio e cruzeiro no Tejo, assim como as linhas de passageiros para o Montijo. O velho edifício está agora podre. Em vez de ser aproveitado, foi abandonado, para dar lugar a um novo mesmo ao lado. Ficámos com os dois. O que aqui se vê, com ancoradouro e plataforma de embarque, é o velho. (2014)

domingo, 14 de junho de 2015

Luz - O rio Douro, na Régua

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O rio corre da esquerda para a direita da fotografia. Ao fundo, aquele monte, na minha juventude, estava quase desabitado. Em baixo, ficavam Godim, os Quatro Caminhos e o Salgueiral. A estrada continuava para a Rede, Mesão Frio, Amarante e o Porto. Lá em cima, ficavam Fontelas, Loureiro e uma mão cheia de lugares. Hoje, já se pode ver a urbanização a subir pela montanha fora. A beleza da paisagem não é a primeira realidade a ser preservada! Na imagem, percebe-se como o rio dá uma curva enorme para a esquerda, em direcção a Resende, Caldas de Aregos, Entre-os-Rios, Castelo de Paiva e até ao Porto. Esta curva e esta paisagem foram festejadas por Ramalho Ortigão, num seu escrito incluído nas “Farpas”. Dormiu lá em cima, numa quinta de gente amiga. De manhã, ao acordar, deparou-se com esta mesma paisagem (vista ao contrário) e ficou extasiado! Talvez hoje, com as construções, o casario, as torres e os prédios, não tivesse o mesmo espanto. Mas o vale do Douro e a curva do rio ainda lá estão para nos fazer reter a respiração! (2014)

domingo, 7 de junho de 2015

Luz - Nas margens do rio Douro, entre o Porto e Vila Nova de Gaia.

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Pai e filha, na Ribeira, ao pé do rio. Em frente, do lado de lá do Douro, escondida na bruma da manhã, Vila Nova de Gaia, na zona dos grandes armazéns e das caves de vinho. (2014)

domingo, 31 de maio de 2015

Luz-Nas margens do rio Douro, entre o Porto e Vila Nova de Gaia.

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Pai e filha, na Ribeira, ao pé do rio. Em frente, do lado de lá do Douro, escondida na bruma da manhã, Vila Nova de Gaia, na zona dos grandes armazéns e das caves de vinho. (2014)

domingo, 24 de maio de 2015

Luz-Nas margens do Tejo, Lisboa

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Vista de cacilheiros ou equiparados, em frente ao Terreiro do Paço, a caminho de Almada ou do Barreiro. (2014)