sábado, 4 de julho de 2015

Douro, lugar de um encontro feliz - Exposição de fotografias

CONVITE

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Press Release
O Museu do Douro inaugura no dia 10 de Julho a exposição de fotografias de António Barreto: “Douro, lugar de um encontro feliz”. A exposição é comissariada por Ângela Camila Castelo-Branco que seleccionou para a mostra fotografias do autor realizadas entre 1978 e 2014. O projecto teve como parceiros a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte e a Liga dos Amigos do Douro Património Mundial.
A exposição consta de 55 fotografias a cores e a preto-e-branco mostrando a diversidade de pontos de vista e de impressões proporcionada pela Região, com particular foco nas vinhas, no vinho, no rio e nos socalcos e encostas dos vales do Douro e seus afluentes. Nesta região, ocorreu, há séculos, um encontro feliz entre trabalhadores, lavradores e comerciantes, entre portugueses e estrangeiros (ingleses, escoceses, holandeses…), de que resultou um grande vinho e uma paisagem única. Esta última, de excepcional beleza, é o resultado de um enorme esforço humano de trabalho, cuidado e disciplina. Assim como é testemunho de capítulos importantes da história de Portugal e do seu comércio.
A exposição estará patente ao público, na sede do Museu do Douro, no Peso da Régua, de 10 de Julho a 28 de Setembro de 2015. Depois deste período, entra em itinerância pela Região Demarcada do Douro.
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António Barreto nasceu no Porto em 1942. Sociólogo, professor universitário e político, foi deputado e membro do governo, assim como colunista de vários jornais. Sócio correspondente da Academia das Ciências de Lisboa. Prémio Montaigne em 2004. Autor da série de televisão “Portugal, um retrato social” e do documentário “As horas do Douro”. Presidente da Fundação Francisco Manuel dos Santos, de 2009 a 2014. Sócio fundador da APPh. (Associação Portuguesa de Photographia). Autor de vários livros, entre os quais “Um Retrato do Douro”, “Douro”, “Fotografias 1967-2010” e “Douro; Rio, Gente e Vinho”.-Branco nasceu em Lourenço Marques, Moçambique,
Ângela Camila Castelo-Branco nasceu em Lourenço Marques, Moçambique, em 1966. É documentalista no Arquivo Histórico da RTP (Rádio Televisão de Portugal). Estudou fotografia no AR.CO (Centro de Arte & Comunicação Visual) de 1993 a 1997. Foi comissária de diversas exposições. Proferiu conferências. Tem publicado vários textos sobre História da Fotografia. Foi responsável pela organização e selecção iconográficas de vários livros. Coleccionadora de fotografias de Portugal e das ex-colónias. Sócia fundadora e membro da Direcção da Associação Portuguesa de Photographia (APPh.).
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domingo, 28 de junho de 2015

Luz - Ponte D. Luis, na Ribeira do Porto, a terminar nas brumas de Gaia.

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A fotografia foi feita de manhã. As brumas e os nevoeiros do Porto e de Gaia são famosos e muito fotogénicos. No primeiro plano, dois dos muitos barcos de recreio que agora são numerosos e que trouxeram uma vida nova, seja a esta Ribeira, seja ao rio Douro, vale acima. (2014)

domingo, 21 de junho de 2015

Luz - Cais das Colunas, Terreiro do Paço, à beira Tejo, Lisboa

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Talvez não seja evidente, mas a parte que se vê da margem do rio, em primeiro plano, é mesmo o princípio do Cais das Colunas. Este foi restaurado, recomposto e arranjado como parte das grandes e atrasadas obras da Praça do Comércio, da Ribeira das Naus, do Cais do Sodré e vizinhanças. Tudo demorou tempo a mais. Nada verdadeiramente acabou ainda, podem ver-se por ali restos de obras, ajustes ulteriores, desvios provisórios e outros dispositivos da nossa imaginação poderosa para designar coisas mal acabadas! Mas é verdade que, no conjunto, está ali uma nova área interessante para o passeio, a estética, o turismo, o património e a urbanização. Ainda faltam muitas árvores, talvez cresçam! Este Cais das Colunas, com os seus mitos e encantos, é dos pontos que atrai mais gente aos gritinhos a fazer “selfies” e outras parvoíces. Mas também há quem vá para ali simplesmente ler! Ao fundo e à direita da fotografia, restos da velha Estação do Terreiro do Paço onde partem barcos de recreio e cruzeiro no Tejo, assim como as linhas de passageiros para o Montijo. O velho edifício está agora podre. Em vez de ser aproveitado, foi abandonado, para dar lugar a um novo mesmo ao lado. Ficámos com os dois. O que aqui se vê, com ancoradouro e plataforma de embarque, é o velho. (2014)

domingo, 14 de junho de 2015

Luz - O rio Douro, na Régua

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O rio corre da esquerda para a direita da fotografia. Ao fundo, aquele monte, na minha juventude, estava quase desabitado. Em baixo, ficavam Godim, os Quatro Caminhos e o Salgueiral. A estrada continuava para a Rede, Mesão Frio, Amarante e o Porto. Lá em cima, ficavam Fontelas, Loureiro e uma mão cheia de lugares. Hoje, já se pode ver a urbanização a subir pela montanha fora. A beleza da paisagem não é a primeira realidade a ser preservada! Na imagem, percebe-se como o rio dá uma curva enorme para a esquerda, em direcção a Resende, Caldas de Aregos, Entre-os-Rios, Castelo de Paiva e até ao Porto. Esta curva e esta paisagem foram festejadas por Ramalho Ortigão, num seu escrito incluído nas “Farpas”. Dormiu lá em cima, numa quinta de gente amiga. De manhã, ao acordar, deparou-se com esta mesma paisagem (vista ao contrário) e ficou extasiado! Talvez hoje, com as construções, o casario, as torres e os prédios, não tivesse o mesmo espanto. Mas o vale do Douro e a curva do rio ainda lá estão para nos fazer reter a respiração! (2014)

domingo, 7 de junho de 2015

Luz - Nas margens do rio Douro, entre o Porto e Vila Nova de Gaia.

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Pai e filha, na Ribeira, ao pé do rio. Em frente, do lado de lá do Douro, escondida na bruma da manhã, Vila Nova de Gaia, na zona dos grandes armazéns e das caves de vinho. (2014)

domingo, 31 de maio de 2015

Luz-Nas margens do rio Douro, entre o Porto e Vila Nova de Gaia.

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Pai e filha, na Ribeira, ao pé do rio. Em frente, do lado de lá do Douro, escondida na bruma da manhã, Vila Nova de Gaia, na zona dos grandes armazéns e das caves de vinho. (2014)

domingo, 24 de maio de 2015

Luz-Nas margens do Tejo, Lisboa

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Vista de cacilheiros ou equiparados, em frente ao Terreiro do Paço, a caminho de Almada ou do Barreiro. (2014)

domingo, 17 de maio de 2015

Luz-Nas margens do rio Nilo, Egipto.

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Algures entre Luxor e Edfu. A descida do Nilo, em barco de cruzeiro, desde Assuão, no Sul do Egipto (onde se construiu a grande barragem e se fez a respectiva albufeira), até perto do Cairo, é uma das viagens com que se sonha desde pequenino. Esperei sessenta anos. Finalmente, foi possível. Além de muitos outros menos conhecidos, lugares mágicos como Abu Simbel, Luxor, o templo de Karnak, o Vale dos Reis e a pirâmide de Saqqara, passear no deserto e descer o rio Nilo de barco eram sonhos inevitáveis. O percurso era de encanto e deslumbramento. No barco, com tempo e vagar, aproveitavam-se os dias para ler e estudar. E ficar horas encostado à amurada a olhar. Para fotografar e descansar. E tomar refrescos sem parar. Na parte mais fértil das margens do rio, tudo correspondia ao que se dizia e aprendia na escola. Aquelas são das terras mais produtivas do mundo, dão várias colheitas por ano e há uma actividade agrária incrível em, todo o sítio. Parece que há menos actividade e menos produção do que antigamente, dado que a barragem de Assuão e a regularização do rio e das cheias trouxe alterações ecológicas prejudiciais. Mas o que se vê nas margens é igual ao que dizem os lugares comuns e os mitos! (2006)

domingo, 10 de maio de 2015

Luz-Casario moderno em Jerusalém.


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Bairros e partes da cidade moderna vistos do meu hotel. A cidade moderna parece-se mais ou menos com isto: tudo em construção. Casas com dois a quatro andares, em maioria. Novos edifícios com dez, vinte ou trinta andares a crescer por todo o lado. É curioso que haja alguma homogeneidade nos estilos de construção e nas cores dos edifícios. A cor de areia domina tudo. O que aliás se repete na parte velha da cidade, nas muralhas, nos monumentos, nos templos e nos edifícios públicos. Não cheguei a perceber se era espontâneo, tradição, norma ou imposição. Mas pareceu mais que se tratava desta última. Dá alguma alegria ver que numa cidade de região árida, as árvores (ciprestes, cedros, oliveiras…) espalham-se por todo o tecido urbano. Não há muitos parques, mas árvores não faltam. (2012)

sábado, 2 de maio de 2015

Luz-Rua de Jerusalém

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Uma qualquer rua, a uma qualquer hora. Há elementos casuais de composição prévia e de ironia posterior. Um sentido proibido. Uma loja chamada TNT. Uma menina de capuchinho vermelho. Três soldados de patrulha fortemente armados. Dois rapazes em conversa e telemóvel. Um lugar da fruta e de gelados Olá… Os soldados e as suas armas são evidentemente o factor perturbador de uma rua qualquer a uma qualquer hora. Mas em Jerusalém, é assim. Entre a paz e a guerra. Estive na cidade poucos dias, mas nunca esquecerei. O peso e a densidade da história. A pluralidade tensa. O significado de tudo, dos palácios aos templos, das pedras às ervas e às árvores. A civilização contemporânea vai-se imiscuindo por entre os vestígios e restos de três ou quatro mil anos de vida e de conflito. Ali percebi que há problemas sem solução, guerras perpétuas e conflitos como modo de vida. O máximo que se poderá conseguir é aprender a viver assim, com conflito, guerra, tensão e rivalidade. Com solução é que não. (2012)

domingo, 26 de abril de 2015

Luz - Um quiosque de jornais, Lapa, Lisboa

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É o quiosque da esquina da rua Borges Carneiro com as ruas da Lapa, dos Navegantes e do Quelhas. Por outras palavras, é o quiosque dos “Quatro Caminhos”. Todos os dias, venho aqui ver as novidades. Todos os dias esta organização zela por mim e faz-me chegar os jornais e revistas. A Maria Irene e o Floriano tratam do negócio e ocupam-se dos clientes como se fossem seus amigos. Declaração de interesses: frequento este quiosque com grande regularidade.

domingo, 19 de abril de 2015

Luz - O Chef, Lapa, em Lisboa

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É uma formidável loja de “comida pronta”, mas também restaurante, café e casa de chá. Há momentos do dia em que a paz é total, ali se pode ler o jornal, beber o café, descansar ou meditar. É ali que se podem resolver, com mérito e benefício, todos os problemas de refeições fora de horas e de faltas imprevistas no frigorífico. Pode comprar-se e levar para casa, pode comer ali numa mesa a qualquer hora. É uma casa de fidelidades: há pessoas que ali vão, regularmente, há décadas. Há outras que passam quase todos os dias. Há os regulares, a dias certos e a horas exactas. Só falta mesmo dizer que a comida é excelente. Com especial menção para as empadas, os ovos verdes, a massinha chinesa, a massa com camarão, a feijoada, o arroz de pato, os famosos “queques do Chef”… Declaração de interesses: frequento o Chef com grande regularidade.

domingo, 12 de abril de 2015

Luz - Terreiro do Paço, Lisboa

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À espera do autocarro. A imagem é feita a partir do alto do Arco da Rua Augusta, aberto ao público há pouco tempo (talvez um ano…).

domingo, 5 de abril de 2015

Luz - Depósito de carros eléctricos na Outra Banda, Almada


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Por aqui passei, há vinte ou trinta anos! A estes maravilhosos carros, não sei o que lhes aconteceu. Recordo-me de ter pensado, na altura, que cada carro destes, à espera de destruição e vandalismo, poderia ser recuperado e vendido a cidades e museus que não desprezam os seus carros eléctricos. Naqueles tempos, Lisboa parecia apostada em destruir os carris e as viaturas o mais depressa possível. Era a modernização! Nesses mesmos anos, pela Europa fora, faziam-se esforços loucos para recuperar as linhas similares, em França, na Alemanha, na Suíça… Depois disso, alguma sensatez se desenvolveu nas cabeças dos nossos vereadores, secretários de Estado e Ministros: nem todas as linhas foram destruídas! E já se fala mesmo, hoje, em relançar alguns percursos. Ainda recentemente fiz várias vezes as linhas do 28 e do 25, do princípio ao fim, de ida e volta… Experiência a não perder. Nos percursos onde existem, são estes carros que vou utilizando.

segunda-feira, 30 de março de 2015

Luz . Paris, Cemitério do Père Lachaise


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Só quando fui visitar o cemitério, há muitos anos, soube que o Padre François La Chaise tinha sido o confessor do rei Luís XIV. As suas propriedades ficavam no local onde hoje se situa este cemitério que, com quase 50 Hectares, é o maior de Paris. Fundado em 1804, transformou-se num local de peregrinação. Muita gente se passeia por ali a fim de visitar os seus ídolos. São mais de dois milhões de turistas por ano! E os que querem ir para este sítio depois de mortos, suprema honra para tantos, têm que se inscrever e ficar em lista de espera! Desde Oscar Wilde ao Jim Morrison (ao que dizem, os túmulos mais visitados de todos…), passando por marechais de Napoleão, combatentes das guerras mundiais, heróis e mortos da Resistência, da Comuna de Paris e do Holocausto! Não deve haver no mundo cemitério com tanta gente famosa e ilustre! Quando por lá passeei, notei, no meu caderno: Molière, Balzac, Marcel Proust, Paul Éluard, Collette, Benjamin Constant, Auguste Comte, Fernand Braudel, Modigliani, Delacroix, Ingres, Rossini, Chopin, Yves Montand, Gilbert Bécaud, Edith Piaf, Sarah Bernhardt, Maria Callas e Nadar, além de memoriais em homenagem a Judeus, Muçulmanos, Cristãos, Protestantes, Anarquistas e Comunistas, sem esquecer os famosos “Fédérés” (combatentes da Comuna de Paris fuzilados em 1871), nem a filha de Karl Marx.

domingo, 22 de março de 2015

Luz - Lisboa, Terreiro do Paço, torreão ocidental e cacilheiro.

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Ficava neste torreão o antigo Ministério da Marinha. Actualmente, já por lá vi duas exposições de fotografia. Creio que ambas da responsabilidade da Câmara de Lisboa. O ponto de vista do torreão sobre o Tejo ou sobre o Terreiro do Paço é muito interessante. Esta imagem é o inverso: foi feita a partir do alto do Arco da Rua Augusta, agora aberto ao público (e ainda bem!). A fotografia, tal como outras semelhantes que se podem fazer de muitas ruas de Lisboa que “descem para o rio”, faz-me imediatamente pensar num livro muito curioso que li há mais de 50 anos “O navio dentro da cidade”, de André Kedros, um escritor grego que viveu no século XX e muito escreveu sobre a liberdade e sobre a resistência grega aos ocupantes alemães. Tanto quanto percebo, não se trata de um “cacilheiro” como os outros, mas sim do que foi adaptado e transformado pela Joana Vasconcelos para figurar na Bienal de Veneza. (2014)

domingo, 15 de março de 2015

Luz - Nilo, em Assuão, no Egipto

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A bordo de uma feluca (ou faluca). Imagino que toda a gente tenha “a viagem da sua vida”. Ou “as viagens…”. É lugar comum. Mas deve ser verdade. Quase não conheço pessoa que não tenha ambicionado, durante anos, fazer uma ou várias viagens que, pelas mais variadas razões, se tenham gravado antecipadamente na memória e nos desejos. Por vezes, concretizam-se. Outras vezes, ficam-se pelos sonhos. Eu tive muitas dessa viagens, mas sobretudo, de que haja vestígios, cerca de 12, desde os meus 16 anos. Fiz a lista num pedaço de papel que ainda guardo. A que acrescentei, ao longo dos anos, mais uma dúzia e meia. Fui realizando quase tudo, ainda me faltam quatro ou cinco, num total de trinta e poucas. A origem destas sugestões é a mais diversa. Livros, histórias aos quadradinhos, desenhos animados, conversa de casa ou de amigos, filmes, revistas, fotografias… tudo o que nos vai ensinando o que é o mundo. O Tintim, O Diabrete, o Cavaleiro Andante, O Mosquito e O Mundo de Aventuras foram as primeiras informações sobre mundos estranhos e longínquos. “Não hei-de morrer sem lá ir”: eis a frase com que concluía certas leituras, antes de inscrever o sítio no tal pedaço de papel. O porto e a cidade de Assuão, a barragem do Nilo e o templo de Abu Simbel foram dos primeiros a entrar. Sobretudo desde 1956, quando Nasser decidiu construir aquela enorme barragem e o mundo, por intermédio da UNESCO, se empenhou em ajudar, com dinheiro, projectos, empresas e cientistas, a encontrar soluções para alguns monumentos que ficariam submersos com a albufeira. Em frente da cidade, o Nilo continua imponente. Uns quilómetros acima, a barragem. Mais longe ainda, os templos de Abu Simbel deslocados, pedra a pedra, muitas dezenas de metros acima. Nas falucas, ao fim da tarde, com mais de trinta graus de calor e uma brisa morna, vê-se de perto a paz. (2006)

domingo, 8 de março de 2015

Luz - Saqqara, Egipto

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Também se escreve Sakkarah. Trata-se de uma localidade no Egipto, perto de Mênfis, a cerca de 50 quilómetros a Sul do Cairo, na qual existem vestígios de várias pirâmides. A mais importante e mais famosa é a de Djoser, que ficou conhecida como pirâmide de Saqqara. Foi consdtruída pelo mais famoso dos arquitectos egípcios da antiguidade e um dos mais famosos do mundo, Imhotep. O seu traço de distinção é o de ser uma pirâmide em escadas ou degraus. Começou a ser construída por volta de 2.500 anos antes de Cristo e terá hoje entre 4.000 e 4.500 anos! É simplesmente o mais antigo edifício completo (mais ou menos…) do mundo! Vi desenhos desta pirâmide em álbuns de banda desenhada (no meu tempo, chamavam-se “revistas de quadradinhos”…), já não sei se incluídos em aventuras do Tintin, do Professor Mortimer ou de qualquer outro. Sei que nunca mais a esqueci. Quando tive a oportunidade, depois de chegado ao Cairo, foi o meu primeiro desejo: Saqqara! Acrescento que, no Egipto, as reminiscências, os desejos infantis, a curiosidade, a vontade de visitar mitos e lendas… dão conta de qualquer espírito! De Alexandria ao Nilo, do Vale dos Reis a Assuão, de Abu Simbel ao Suez, de Luxor ao Museu do Cairo (o mais desordenado e caótico museu do mundo, seguramente um dos mais fascinantes!), é um desfiar de maravilhas históricas e de encantamento! E convém nunca esquecer que o país, se assim se lhe pode chamar, o Estado, o Império ou aquela civilização tem mais de 5.000 anos de vida! (2006)

domingo, 1 de março de 2015

Luz - Palace Theatre, West End, Londres.

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A ópera rock “Jesus Christ Superstar” foi, no início dos anos 1970, um verdadeiro acontecimento. A música era de Andrew Lloyd Webber e as letras e guião de Tim Rice. A qualidade da música era fabulosa. O uso da tradição musical e teatral do “gospell”, a utilização de um enredo bíblico, a encenação de episódios da vida de Jesus, a criação de um “plot” político em que estão envolvidos Jesus Cristo, os seus discípulos e o grande “mau da fita”, Judas, foram factores que chocaram, inovaram e atraíram multidões. Episódios famosos e difíceis de se transformar em cenas de musicais, como a última ceia, o julgamento de Cristo, a morte de Judas e a Crucifixão de Cristo, fazem parte do enredo. Mais de quarenta anos depois, ainda esta ópera rock é encenada em vários países do mundo, mantém-se em cartaz em muitas cidades importantes e dá origem a diversos filmes. (1972)

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Luz - Azenhas do Mar

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Era o fim de Janeiro de 2014. Foram uns dias de mau tempo como raramente se tinha visto em Lisboa e em Portugal. Chuva interminável. O mar com uma raiva pouco frequente. Praias que se perderam para sempre, ou quase. Cafés e casas à beira mar que desapareceram. Fui um dia almoçar às Azenhas, a um restaurante em cima do mar. Era um dia de sol de inverno. Mas o mar não acalmava. No fim do almoço, as ondas batiam nas vidraças das janelas. Tentei registar o melhor possível a espuma, as ondas e as gotas… (2014)

domingo, 15 de fevereiro de 2015

Luz - Porto e aldeia da Carrasqueira, Comporta, Portugal

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Eis um muito interessante local perto da tão conhecida e famosa (pelas boas e más razões) Quinta da Comporta, entre o Sado e o Atlântico. Trata-se de um “porto palafítico”, solução adequada à construção de instalações de apoio à pesca. Nas marés baixas, seria quase impossível aceder aos barcos, por entre terras lamacentas e pantanosas. Estas construções feitas sobre estacas de madeira desenvolvem-se ao longo de corredores com centenas de metros, incluindo também pequenas “casotas” destinadas a guardar equipamentos, artes e apetrechos de pesca. Ao que parece, este é o maior porto palafítico da Europa. Há muitas décadas, quando estas estacas foram colocadas e as construções instaladas, tratava-se também de encontrar uma solução para outro problema, que não era apenas o das marés baixas e dos terrenos lamacentos. Com efeito, os proprietários dos terrenos não autorizavam nenhuma construção com carácter definitivo, o que era impeditivo do desenvolvimento de uma actividade piscatória permanente. Esta mesma proibição de construir com carácter permanente está também na origem, na região e na aldeia, das casas típicas de madeira, terra batida e colmo. (2014)

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Morreu um homem livre: Manuel de Lucena



Manuel Lucena, por volta do ano 2000, à janela do seu escritório no Instituto de Ciências Sociais, na Rua Miguel Lúpi
fotografado por António Barreto”
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VI-O EM 1962, em Lisboa e em Coimbra, na agitação do movimento estudantil. Conheci-o em 1968, no exílio. Encontrámo-nos depois em Paris, Genebra, Roma, Argel e Lisboa. Fundámos a “Polémica” com o Medeiros Ferreira, o Carlos Almeida e o Eurico Figueiredo. Trabalhámos no mesmo Instituto durante mais de trinta anos. Colaborámos intimamente em diversos projectos. Afastámo-nos e aproximámo-nos várias vezes. Sempre com a certeza da amizade.
A sua monumental obra sobre a evolução do sistema corporativo português (“O Salazarismo” e “O Marcelismo”) é um dos expoentes maiores das ciências sociais portuguesas. O mesmo se pode dizer das suas reflexões sobre o sistema político do Estado Novo, que, singularmente, classificava de “fascismo sem movimento”.
Mais do que a inteligência, luminosa e meticulosa, mais do que a cultura, fenomenal e sem fronteiras, tanto quanto o carácter, íntegro e inconformista, o que mais apreciei nele foi a sua liberdade. Foi o homem mais livre que conheci. Porque começava por ser livre no pensamento. Nunca recusou, por preconceito ou fé, olhar para um facto ou analisar uma ideia. Nunca classificou antes de compreender.
Era conservador e revolucionário. Tinha, da família, da religião, dos costumes e da moral crenças e convicções muito próprias que as tribos habituais tinham dificuldade em reconhecer como suas. Gostava de Portugal e de Angola, custava-lhe ver um sem outra, mas desertou do exército colonial e recusou fazer a guerra, porque nenhum, Portugal e Angola, merecia tal.
Era o terror dos editores, dos directores de jornais e dos chefes de redacção: nunca respeitou prazos nem dimensões. Mas o que escrevia acabava sempre por o reabilitar e fazer esquecer a indisciplina.
Foi um verdadeiro marginal. Podia ter ganhado dinheiro, nunca o fez. Podia ter exercido cargos políticos, nunca aceitou. Podia ter acedido a posições importantes, nunca o quis.
Conseguia fazer o mais difícil: poder e saber dizer não e sim.
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Texto também publicado no Observador.

domingo, 8 de fevereiro de 2015

Luz - Palácio de Carlos V, Alhambra, Andaluzia, Espanha

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Pátio interior do palácio. Carlos V (que também é conhecido pelo nome de Carlos I) queria estar perto ou na colina do Alhambra e mandou construir este palácio. Antes dele, já os Reis católicos tinham mandado arranjar alguns aposentos reais a seu gosto no Alhambra. Mas a ideia ou a solução não agradaram a Carlos V, que não se contentou com nada menos do que um palácio novo. Aqui viveu um tempo, logo depois de seu casamento com Isabel de Portugal, no século XVI. Desde os anos 1950, é a sede do Museu de Belas Artes de Granada. Este pátio interior, de forma circular, parece ser um raro exemplo da arquitectura renascentista. Diz quem sabe que esta forma anuncia mesmo o início da arquitectura maneirista. Nota: Há cerca de mês e meio, publiquei aqui uma imagem de uma fachada exterior de um palácio no Alhambra, sem no entanto o ter identificado. Sei agora, após breve investigação, que é a fachada lateral deste mesmo Palácio de carlos V. (2008)

domingo, 1 de fevereiro de 2015

Luz - Terreiro do Paço, Lisboa

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Esta imagem foi feita a partir do alto do arco da Rua Augusta que agora está acessível e cuja visita recomendo. O Terreiro do Paço só era visível de uma certa altura (com alguma proximidade, sem o excesso do, por exemplo, do castelo de São Jorge) se fôssemos aos gabinetes do segundo andar dos ministérios, o que, naturalmente, não está ao alcance de toda a gente. Talvez dentro de algum tempo, com as novas utilizações de que se ouve falar (antiquários, galerias, alfarrabistas, etc.), seja possível ver esta bela praça de uma certa distância. Para já, fiquemo-nos, e muito bem, com o arco da Rua Augusta. O Terreiro do Paço (que também se chama Praça do Comércio e a que os ingleses chamaram, durante muito tempo a “Praça do Cavalo Preto”) é seguramente uma das mais belas praças do mundo. Desprezada e mal utilizada durante décadas, com carros e estacionamentos, está hoje arranjada. Em muitos aspectos, ficou melhor. As esplanadas tornam a coisa viva. A ausência de estacionamento e a proibição parcial de circulação foram melhoramentos indiscutíveis. Noutros, não. O solo não me parece ter sido o mais bem escolhido, dado que a clareza excessiva, em tempos de Verão e de Sol intenso, ferem a vista. Ainda sobra, num canto perto do torreão poente, uma dúzia de estacionamentos inadmissíveis para os senhores ministros e os senhores secretários de Estado. Faltam evidentemente árvores, o que o Terreiro já teve a toda a volta e de que há testemunhos fotográficos. E as arcadas foram poluídas com cartazes publicitários e logótipos de anúncios referentes aos restaurantes e comércios que ali se encontram agora. De qualquer modo, o balanço global é bom. Até a limpeza da estátua de D José foi bem, apesar dos que dizem que estas coisas com “patine” deveriam ficar sempre… com patine… (2014)

domingo, 25 de janeiro de 2015

Luz - Exposição de fotografias de rua, Barcelona.

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Nas ruas e avenidas que levam à Praça da Catalunha, assim como às Ramblas, estava uma curiosa exposição de fotografias. Estas eram de boa qualidade, bem impressas, de grande formato e colocadas em “outdoors” (Creio que é assim que se lhes chama hoje… Há uns anos, pelo menos em Lisboa, chamávamos-lhes “bombocas”, por causa de um dos primeiros produtos que tinha recorrido a este truque publicitário…). A exposição tinha um fio condutor, ou um traço comum a todas as imagens: sendo provocatórias, as fotografias tinham como objectos pessoas, ângulos e formas pouco ou nada fotogénicos. Como é o caso desta senhora idosa, com rugas e celulite. A ideia era simples: destruir os conceitos datados, mercantis e convencionais que estabelecem os critérios do belo, da moda e do que é esteticamente valorizado. Não era inédito, nem excepcionalmente interessante. Mas era curioso, até pelo dispositivo: imagens misturadas com as pessoas e a publicidade, nas ruas, entre os transeuntes, obrigando-nos a parar um segundo para pensar. (2012)

domingo, 18 de janeiro de 2015

Luz - A capital mundial do livro antigo, Hay-on-Wye, Inglaterra

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Já aqui trouxe, à “Luz” do Sorumbático e do Jacarandá, várias fotografias feitas em Hay-on-Wye. Nunca será demais recordar esta maravilhosa aldeia situada na fronteira entre o Norte de Inglaterra e o País de Gales. Fica de tal maneira a cavalo entre os dois países, que os habitantes se arrogam com facilidade a ideia de não pertencerem a nenhum dos dois ou mesmo de serem independentes. Há três ou quatro décadas que o senhor Booth (o mesmo que deu o nome a esta livraria, ou antiquário ou alfarrabista) deu início a uma espécie de movimento. Comprou casas, um castelo e o cinema, acabou por os transformar em alfarrabistas. A seguir a ele, dezenas de comerciantes, residentes, forasteiros, alfarrabistas das redondezas e toda a variedade de gente fizeram o mesmo: criaram livrarias, abriram as portas ao público e começaram a negociar em livros antigos. Depois dos livros vieram as gravuras, os mapas, as fotografias e uma infindável “memorabilia” relacionada com a edição, o livro e a gravura. Naquela aldeia, com escassas centenas de edifícios, há literalmente milhões de livros. Quase tudo que se procura pode encontrar-se lá. Ali adquiri livros raríssimos sobre a história de Portugal. Os seus livreiros compram em qualquer parte do mundo, para onde enviam encomendas com cuidado e prontidão. Colocaram a Internet do seu lado, fornecem a Amazon e outros vendedores “modernos” virtuais. A aldeia organiza o mais importante festival anual de literatura da Grã-Bretanha, assim como um dos mais importantes festivais de jazz. Nos “pubs” locais come-se e bebe-se deliciosamente. Quem lá for, nunca mais esquece. E volta. (1988)

domingo, 11 de janeiro de 2015

Luz - Manifestação esquerdista, Genebra, Suíça.

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Já não recordo o tema em disputa, ou antes, contra quem se dirigiam os manifestantes. O estilo destes, assim como as bandeiras vermelhas, não deixam muitas dúvidas. Por outro lado, a alinhada protecção policial ao Chase Manhattan Bank confirma seguramente que os Estados Unidos e o capitalismo devem ser os alvos. Um dia destes, com um pouco de investigação nos meus arquivos fotográficos, ainda encontrarei mais pormenores que permitam melhor identificar a imagem. É também provável que se trate de uma manifestação de solidariedade com várias lutas e vários países ao mesmo tempo, neste caso Portugal, Espanha, Chile (o golpe de Estado contra a Unidade Popular de Salvador Allende tinha ocorrido pouco antes) e as colónias portuguesas. Estive nessa manifestação, só que não sei se esta fotografia foi feita nesse dia… (Ca. 1973)

domingo, 4 de janeiro de 2015

Luz - Conferência Campesina, com Salvador Allende, Santiago do Chile, Chile, 1971.

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Manifestação de organizações camponesas e de sindicatos agrícolas de apoio ao governo de “Unidad Popular” de Salvador Allende (Socialistas, Comunistas, Radicais, Católicos de esquerda, outros de extrema esquerda…) para as políticas de Reforma Agrária. Nesta fotografia, vê-se o palco recheado de dirigentes políticos e de associações camponesas. Salvador Allende é o sexto, na primeira fila, a contar da esquerda. É a sessão de encerramento de uma grande conferência a favor da reforma agrária, seguida de manifestação na rua. Tratava-se de governo minoritário, tendo S. Allende sido eleito com cerca de 35% dos votos populares. Uma velha tradição democrática chilena fazia com que o candidato que tivesse mais votos populares tinha grandes possibilidades de vencer a “segunda volta” que se realizava no Parlamento. Depois de iniciado o governo unitário, a pressão dos comunistas, dos outros grupos de extrema-esquerda e mesmo dos socialistas mais radicais, assim como dos grupos católicos de esquerda, crescia todos os dias. Queriam mais revolução, mais reforma agrária, mais nacionalizações (entre as quais dos principais recursos naturais, os fosfatos e o cobre), mais intervenção do Estado e mais mobilização contra os capitalistas, a direita e os americanos. Assim se viveu durante um ou dois anos. Os Estados Unidos conspiraram e ajudaram a conspirar o mais que se imagina e sabe. A esquerda não mediu a sua fragilidade inicial. A direita não hesitou diante de nenhum meio, da greve à sabotagem, do assassinato ao golpe militar. O resto é conhecido. (1971)

domingo, 28 de dezembro de 2014

Luz - Terreiro do Paço, Lisboa

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Depois de anos e anos de abandono e desordem,
o Terreiro do Paço foi finalmente limpo, reorganizado e pavimentado. Retiraram-se os carros, quase todos, da maior parte da praça. Ficou uma rua para todo o tráfego e uma nesga infame, ao lado do torreão poente, para uma dúzia de automóveis dos senhores ministros e dos senhores secretários de Estado. À volta de toda a praça (seguramente uma das mais belas do mundo), apareceram restaurantes e cafés, uns discretos, outros com publicidade e ruído infectos. Enfim, paciência. O pavimento da praça ficou certamente claro de mais, a luz reflectida quase fere os olhos. Aliás, pode ver-se: quando chegam à praça, a primeira coisa que fazem as pessoas desprevenidas é pôr óculos escuros. Se os têm. A praça quase se prolonga agora até ao Cais do Sodré. Nesse percurso, há hoje relva, princípios de árvores, escadarias até ao rio, bancos e degraus… O Cais das Colunas foi reaberto e está acessível, menos quando há obras, o que parece ainda hoje, Outubro de 2014, acontecer quase todos os dias. No Terreiro do Paço e áreas adjacentes, vêem-se agora milhares de turistas, parte de um fenómeno realmente novo e que toca directamente a Lisboa e Porto. Por várias razões (Mediterrâneo em guerra, crise económica, custo de vida, voos “low cost”, beleza das cidades, interesse pelas cidades antigas, clima e mesa, etc.), aquelas duas cidades são hoje, desde há uma década, centros de atracção de turistas como nunca se tinha visto antes. Estes autocarros vermelhos fazem parte dos relativamente novos equipamentos de turismo. (2014)

domingo, 21 de dezembro de 2014

Luz - Cabine telefónica com estranhos ocupantes, Genebra, Suíça

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Que poderá dizer-se ou pensar-se desta imagem? O lenço vermelho no exterior e o cão dentro da cabine deixam lugar a hipóteses atrevidas e interpretações selvagens. O senhor não está sequer a falar, como se pode ver pelo auscultador pendurado no seu descanso. Que fará ele? Lê a lista telefónica? Olha para coisas suas? (Ca. 1970)

domingo, 14 de dezembro de 2014

Luz - Alhambra, Andaluzia, Espanha

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Localizado à margem da parte mais conhecida e original do Alhambra, este é um edifício imponente e pesado, talvez sem graça exterior aparente. Mas o trabalho da pedra é impressionante. Não conheço o nome ou o termo técnico para estas paredes e para este género de “almofadas”, mas este é um estilo de obra em pedra frequente em países de origens e tradições hispânicas. É curioso que também em móveis de madeira se possa encontrar uma estética parecida com esta. (2008)

domingo, 7 de dezembro de 2014

Luz - Muralhas de Sacsayhuamán (ou Sacsahuamán), Cuzco, Peru

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Estas muralhas são maravilhosas. Infelizmente, representam apenas uma muito pequena parte do original mandado construir nos séculos XIV e XV para defender a capital do Império Inca. Quando os espanhóis chegaram e conquistaram, retiraram a maior parte da pedra a fim de construir edifícios e desenvolver a cidade. O que fizeram. Na verdade, um número importante das construções, a começar pelos edifícios públicos, monumentos e Igrejas ainda hoje a uso, é feito com pedra saída daqui para as fundações e os muros até ao primeiro andar. Ainda hoje não se conhece tudo destas muralhas. Eram militares, mas também de armazenamento de alimentos e outros bens. As pedras gigantescas foram cortadas e juntas com uma absoluta precisão: em muitos sítios não cabe uma faca ou uma folha de papel entre dois pedregulhos. Não se sabe como foram talhadas as pedras, nem como foram transportadas até aqui. Estas muralhas ficam a um ou dois quilómetros a Norte de Cuzco. Apesar da subida, chega-se lá facilmente a pé. Foi o que fiz, mal aterrei na cidade. Estava de tal maneira eufórico com a minha primeira estadia em Cuzco (antes, Iquitos e Lima, uns dias depois, Machu Pichu e o lago Titicaca, lugares que me encantavam desde a adolescência…), que nem tomei as precauções indispensáveis. Dada a altitude, era necessário começar a andar devagar, prever um dia para me habituar, não beber cerveja, tomar uns comprimidos de Coramina glicose, comer pouco, dormir… Ora, mal desci do avião, fui ver as muralhas, passei lá quase um dia, andei a correr atrás dos lamas, bebi o que encontrei, incluindo uma aguardente inca horrorosa… Nessa noite, fui para a cama com uma dor horrenda em todo o corpo, um estouro na cabeça e as articulações a gemer… O médico das urgências sorriu, disse entre dentes qualquer coisa como “estes parvos destes turistas…”, deu-me os medicamentos habituais e mandou-me descansar um dia. Foi o que fiz e não voltei a repetir a graça. (1971)