Cais de Gaia sobre o rio Douro. A poucos metros do início da ponte D. Luís. Três publicidades (e uma nesga de outra...) anunciam outras tantas caves de vinho Porto. É domingo de manhã. O longo cais de Gaia, atrás das personagens, revela o miserável estado em que se encontrava ainda há pouco tempo. Ainda não tinha sido objecto de enorme arranjo, reparação, reordenamento e limpeza, incluindo a construção de todos os bares e restaurantes que fazem a noite de Gaia e o almoço dos turistas. (1979)
domingo, 21 de outubro de 2012
domingo, 14 de outubro de 2012
Luz - Veneza, 1971
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Rua da cidade. É o fim da tarde de um dia de Outubro. A rua, banal, está suja.
Três mulheres diferentes. Só eu sei quem são e o que fazem neste improvável
encontro, melhor dizendo, cruzamento. (1971)
quinta-feira, 11 de outubro de 2012
Violência familiar
NÃO HÁ estatísticas. Nunca haverá. Mas estou convencido que a
“violência doméstica” se define principalmente por dois factos. Primeiro: é a
violência exercida pelos homens contra as mulheres. Segundo: é a violência praticada
pelo Pai, pela Mãe, ou pelos dois contra as crianças. Por isso prefiro falar de
“violência familiar”, predominantemente masculina. É bom evitar os efeitos
perniciosos do eufemismo.
Também não possuo
estatísticas, mas tenho a certeza que a violência familiar de carácter sexual é
quase exclusivamente da responsabilidade dos homens, sendo as vítimas as
mulheres e as filhas crianças ou adolescentes. Prefiro estes conceitos crus e realistas
a outros termos mais suaves ou neutros.
Não há evidência
empírica, muito menos números que mereçam confiança, mas o que se vê é pouco. O
que se sabe ou o que é visível é apenas uma parte muito pequena desta sórdida
história que é a da violência masculina contra as mulheres e as crianças da
família. Quem é violento não diz nem confessa. Quem é vítima tem medo de dizer.
Quem é agredido tem vergonha de revelar. Quem vê ou sabe não tem coragem para denunciar.
Quem ouve falar acha muitas vezes normal. Quem regista não presta atenção. Quem
investiga arranja quase sempre desculpas. Quem julga tem pretextos e
escapatórias. Quem estuda dissolve na sociedade as culpas individuais.
Também não há elementos
credíveis sobre as várias modalidades de violência, mas tenho para mim que os
fenómenos essenciais são, por um lado, a pancadaria física de toda a espécie e,
por outro, a agressão sexual nas variantes conhecidas. Não é de bom tom
dizê-lo, mas a combinação entre violência e violação tem o condão de atrair um
grande número de homens, tanto actuais como antigos. É uma combinação que associa
o poder ao animal, com a sofisticação da humanidade mais brutal. Creio que
mesmo as especialidades mais requintadas de violência psicológica e simbólica
têm, na agressão física e sexual, a causa, o instrumento e o fim como
explicação principal.
Apesar da falta de
dados, estou finalmente convencido que a violência sexual masculina e a
violência familiar atravessam todas as classes sociais, todos os meios
culturais, todas as regiões, todas as convicções políticas e todas as
religiões. Analfabeto ou doutorado, patrão ou trabalhador, católico ou
muçulmano, citadino ou campónio, minhoto ou transmontano, popular ou erudito:
nos anais da violência masculina e familiar há de tudo!
Por mais sólidas que
sejam as minhas convicções, não consigo perceber! Porquê? Que leva um homem a
chegar a casa, desancar a mulher que é suposto amar, violar a filha púbere e
bater no filho adolescente? Não percebo. Qual a razão? Será porque a maior
parte desta violência é invisível? Será porque o cinema, a fotografia, a
televisão e a literatura nos habituaram? Porque a maioria das vítimas se calam?
Porque a opinião pública não considera esta violência importante nem grave?
Será porque todos pensam finalmente que sempre foi assim? Porque as pessoas
acham que a violência faz parte integrante das famílias? Porque o senso comum
aceita que a violência seja um instrumento de educação e uma forma de expressão
afectiva? De tudo um pouco. Mas nada disso me basta como resposta. A verdade é
que há coisas difíceis de perceber. Porque são complexas e porque exigem muito
conhecimento. E sensibilidade. Ou então a capacidade de se colocar dentro da
pele dos agressores ou das vítimas. Ou finalmente porque são mesmo difíceis de
entender. Não consigo perceber. Perceber é uma das mais fascinantes actividades
humanas que se conheça. Perceber é meio caminho andado para compreender. Ora,
compreender é aceitar. E aceitar é quase tolerar. E tolerar é concordar. Ou
ficar indiferente. Esta também é uma armadilha da compreensão.
Creio compreender a
violência política e social; a militar e a policial; a terrorista e a racial; a
religiosa e a económica. Isto é, creio ser capaz de enumerar razões e causas
verosímeis de fenómenos de violência nas variedades descritas acima. Mas não consigo
perceber a violência familiar. Não consigo perceber como se troca o amor pela
pancadaria. Por que se substitui o sexo pela agressão. Por que se prefere a
violação à carícia. Por que se procura e obtém prazer na violação e na agressão
da filha.
Os dicionários e as
enciclopédias não ajudam muito a compreender. A não ser que se fizesse um dicionário
de preconceitos e ideias imbecis ou um vocabulário de termos sórdidos do
machismo. Com contributos qualificados. “Uma boa bofetada nunca fez mal a
ninguém”, diz o popular com ar convencido. “Quando chegares a casa, bate-lhe!
Se não souberes porquê, ela sabe!”, conta, com um sorriso cúmplice, o
conhecedor das tradições árabes.” No fundo, bem lá no fundo, as mulheres querem
é ser dominadas”, garante o fino psicólogo. “É conhecido: quando uma mulher diz
‘não’, quer dizer ‘sim’”, afirma o especialista em linguística analítica. Mais
truculento, mas não menos generalizado, o perito em ideias gerais assegura
que “no fundo, são todas umas putas”. O
perito em provérbios não esquece de atribuir às mulheres o famoso “quanto mais
me bates, mais eu gosto de ti”, uma espécie de santo e senha para todas as
selvajarias. E mesmo a música tradicional e a cultura popular contribuem para
tão importante auxiliar da língua portuguesa. Uma das mais famosas cantilenas
da história de Portugal reza assim:
Sebastião come tudo, tudo, tudo,
Sebastião come tudo sem colher,
Sebastião fica todo barrigudo
E depois dá pancada na mulher.
Tentei, para meu
benefício, enumerar as possíveis causas da violência familiar e machista. São
numerosas. O poder, com certeza. A frustração dos maridos. O ciúme, justificado
ou não. O desejo de outras, concretizado ou contrariado. O medo de outros, de
terceiros que possam olhar para as suas mulheres. Os falhanços e as negas. Os
males da vida profissional. As maçadas do emprego. As dificuldades económicas.
As vicissitudes do futebol. As perdas ao jogo. O álcool, sendo que este nunca
vale por si, vem sempre com alguma coisa atrás. Resumindo e concluindo: nem uma
atenuante, nem uma desculpa, nem um motivo que sirvam para fundamentar a eterna
complacência da justiça, isto é, do Direito e dos magistrados, perante a
violência contra as mulheres.
Pior que tudo e também
difícil de perceber é o que se passa na cabeça e na alma das mulheres e das crianças
agredidas e violadas. A começar pela culpa, sentimento horrível quando são as
próprias vítimas a afligir-se! A dependência financeira é também um velho tema.
O argumento dos cuidados com os filhos também. A fraqueza física é factor
indiscutível. A concepção predominante dos deveres da mulher (cozinha e cama)
ainda vigora. O medo de falar, de denunciar, de levar mais pancada, de ser
violada, de ficar aleijada, de perder os filhos e de ficar sem emprego, este
medo fundo que rói os ossos, mói a alma e paralisa as energias. É deste medo e
do papel extraordinário que pode desempenhar a ajuda de outrem que fala este
livro e de que se ocupam estes cinco contos que se lêem seguramente com
proveito, mas que se deveriam ler como se de uma penitência se tratasse. De uma
penitência positiva. De uma penitência que nos ajudasse a nunca ser cúmplices,
nem sequer pela indiferença.
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Prefácio ao livro Isto não é um conto – Histórias de
violência baseadas na vida de seis mulheres, edição da Link e do Montepio, com
textos de Afonso Cruz, Alice Vieira, António Figueira, Karla Suárez, Maria
Teresa Horta e Patrícia Reis.
terça-feira, 9 de outubro de 2012
Apresentação de Fernando Henrique Cardoso
Senhoras e senhores,
A HONRA é minha! E nossa, da Fundação Francisco
Manuel dos Santos. É um privilégio apresentar a todos os
convidados e participantes deste Encontro um dos mais ilustres homens do
século.
Fernando Henrique Cardoso é sobretudo um grande intelectual e um
académico. Também foi um grande político. E um grande homem de Estado. Sendo
tão difícil ser bem tudo isto, ele conseguiu. Mas fica predominante a sua
estatura e a sua vocação de intelectual e académico. Em tempos de políticos
profissionais de plástico e de pronto-a-vestir, só um intelectual é capaz de
dizer “Falo sempre do jeito que falo,
como um professor”! Só um académico tem o atrevimento de, depois de trinta
anos de vida política intensa, intitular as suas memórias de “The accidental
President”! Só um homem de cultura é capaz de evitar lugares comuns pomposos e
dizer que uma das qualidades essenciais do político consiste em “ter os pés no
chão e os olhos abertos”!
Quando jovem resistente e adversário da ditadura, Fernando Henrique
Cardoso dedicou-se ao pensamento, à teoria e à ciência social. Devem-se-lhe
alguns dos escritos mais interessantes sobre o desenvolvimento, o
subdesenvolvimento e a dependência. E já então também sobre a liberdade e a
democracia. Nunca Fernando Henrique subestimou a liberdade, em nome, por
exemplo, do crescimento económico, da independência nacional ou até da
revolução social. Num mundo dominado ainda por várias formas de imperialismo, a
sua voz brasileira tinha eco longe, na Europa e nos Estados Unidos, incluindo
nas Nações Unidas que o reconheceram como um dos mais interessantes e criativos
estudiosos do desenvolvimento.
Afastado das universidades pela ditadura brasileira, Fernando
Henrique Cardoso estudou e ensinou no Brasil e na América Latina, mas também
nos EUA e na Europa, a começar pela Grã-Bretanha e por França. Era reconhecido
como um dos mais importantes cientistas sociais da América Latina, das Américas
e, se querem mesmo saber, do mundo.
Numa altura em que a direita, na América Latina e em muitos mais
sítios, se preocupava sobretudo com o crescimento económico e a esquerda com as
desigualdades e a revolução social, poucas foram as vozes que tentaram sempre
manter as duas prioridades no horizonte do pensamento e da acção: a liberdade e
o desenvolvimento: a democracia e o crescimento; a igualdade e a eficiência.
Fernando Henrique tentou. E, em grande parte, conseguiu.
Quando a democracia regressou ao Brasil, Fernando Henrique Cardoso
iniciou um percurso político notável. Foi Senador, Ministro dos negócios
estrangeiros e sobretudo Ministro das finanças (da Fazenda, diz-se no Brasil).
Este último cargo, não o queria! Foi nomeado de madrugada, enquanto dormia. Mas
exerceu-o depois de modo inesquecível. Mais tarde, foi presidente do Brasil. À
sua acção, como Ministro e como Presidente, ficou ligada a política monetária e
financeira, o famoso Plano Real, que trouxe ao Brasil estabilidade, baixa
inflação, mais igualdade, mais investimento e nova energia para o
desenvolvimento! E além de tudo e sobretudo a consolidação e a estabilidade da
democracia. O extraordinário percurso político deste grande país que é o Brasil
fica em boa parte a dever-se a este homem e à sua acção firme. Ajudou à
abertura do país ao exterior, abriu a economia pela destruição de monopólios e
pela privatização de alguns grupos e teve acção efectiva nos sectores da
educação e da saúde das regiões e das classes mais pobres.
Pelo que sabemos, do Brasil ou de Portugal, da Europa ou da América
Latina, a associação entre liberdade e estabilidade, ou entre desenvolvimento e
democracia, é uma das grandes dificuldades dos tempos presentes. Fernando
Henrique nunca marginalizou a democracia, nunca subestimou a liberdade, nunca
se alheou da população e do povo em nome da estabilidade política. E
desempenhou um papel decisivo na reconciliação nacional entre adversários
políticos dos tempos da ditadura. Isto, apesar de terem sido tempos de morte,
de assassinato, de guerrilha e de tortura. Foi preciso pedir perdão, em nome do
Estado, e perdoar, em nome dos cidadãos. Foi preciso reparar, mas também evitar
a vingança a fim de preparar o futuro com mais coesão. Em tudo isso, Fernando
Henrique Cardoso revelou uma extraordinária perícia e um humanismo a toda a
prova.
Nos seus livros, na sua obra à frente do Instituto Fernando
Henrique Cardoso, nas suas conferências e na acção muito variada de carácter
humanitário e de defesa da cidadania, Fernando Henrique mostra-se sempre fiel a
um estilo inconfundível, claro, directo, sem elipses barrocas, sem clichés e
com uma fortíssima dimensão cultural. Consegue mesmo coisa extraordinária que é
a de ter uma noção de política como decência, sem nunca cair no moralismo
vizinho da hipocrisia. Nas suas “Cartas a um Jovem político”, consegue traçar
as qualidades e os defeitos do político, sem ilusões, com marcado sentido do
serviço público e do bem geral. Com a ternura do professor e o saber da
experiência, Fernando Henrique diz-lhe que a política só vale a pena se for
para melhorar o país e o povo! Se eu fosse jovem, deixar-me-ia tentar!
Senhoras e Senhores: o Presidente Fernando Henrique Cardoso.
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Fundação Francisco Manuel dos Santos
Encontro “O
Presente no Futuro – Os Portugueses em 2030”
Lisboa, Centro Cultural de Belém, 14 e 15 de
Setembro de 2012
domingo, 7 de outubro de 2012
Luz - Vale do Inferno, La Rosa, 2008
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Este “Vale do Inferno”, da quinta La Rosa, perto do Pinhão, nada tem de infernal. É um dos trechos mais impressionantes das margens do Douro cultivado. Estes socalcos e estes muros estão entre os mais bonitos, mais altos e mais bem conservados de toda a região. A família Berqvist, proprietária da quinta há mais de 100 anos, mantém estes socalcos e aliás toda a quinta com enorme cuidado. Estes tubos em cartão ou plástico brancos e verdes, que estão a ser aplicados pelas mulheres trabalhadoras, dão uma imagem bizarra... À distância, fazem pensar nas cruzes de um cemitério de guerra... Estes dispositivos ou “tubos” são conhecidos por “Snapmax”, marca da primeira variedade que surgiu na região e assim ficou. Colocam-se à volta do pé tenro da vide, servem para criar uma zona de calor, humidade e conforto. São como uma estufa, nome pelo qual também podem ser conhecidos. Além disso, servem de tutor do crescimento e protegem a videira dos roedores. (2008)
domingo, 30 de setembro de 2012
Luz - Vale do Douro, 2006
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Mais uma vista do Vale deste maravilhoso rio. Fotografia tirada de dentro do rio, a bordo de barco de turismo. A localização é no chamado “Douro superior”. Na margem esquerda, à direita nesta imagem, consegue ver-se uma inscrição numa pequena casa branca: “Quinta do Vesúvio”. Não é o edifício principal da quinta, quase monumental, é apenas uma inscrição de identificação. A Quinta do Vesúvio, mais uma da “Ferreirinha”, a Dona Antónia, era uma das mais famosas daquela senhora e daquele grupo ou família. Há poucos anos, foi vendida ao mais importante grupo de vinho do Porto, o dos Symington. À esquerda da imagem, na que é a margem direita do rio, as escarpas mostram paredes de granito, presente em certos troços de uma região com bem mais xisto. Na rocha, umas estranhas “pinturas” amarelas: são pólenes de árvores e arbustos que dão um curioso colorido a certas partes do vale. (2006).
quinta-feira, 27 de setembro de 2012
Encontro “O Presente no Futuro – Os Portugueses em 2030” (Sessão de Abertura)
Senhoras e Senhores,
EM NOME da
Fundação Francisco Manuel dos Santos, saúdo todos os presentes, convidados,
oradores, relatores, voluntários, parceiros, agências e empresas organizadoras.
Dou-vos as boas vindas e exprimo os meus votos de uma excelente jornada de
debates e convívio.
Saúdo o mais
velho convidado deste Encontro, com 88 anos. Saúdo a família que inscreveu três
gerações, pais, avós e filhos ou netos. Saúdo o mais novo convidado, que, com
um mês de vida, ainda não me pode perceber!
Após três anos e
meio de existência, esta Fundação tem hoje uma iniciativa de grandes dimensões.
Esta é a nossa primeira grande conferência. Pretendemos criar uma tradição ou
um hábito. Gostaríamos de realizar um Encontro deste tipo todos os anos.
Este Encontro
foi organizado sob a orientação científica de Maria João Valente Rosa, com a
ajuda de um Conselho Científico e a colaboração de muita gente liderada pela
comissão executiva de José Soares dos Santos
e Pedro Castro.
O “Presente no Futuro – Os Portugueses em 2030”
foi o tema escolhido. Aproveitámos a publicação pelo Instituo Nacional de
Estatística dos resultados finais do Censo 2011. Assim como os trabalhos da
PORDATA. E as previsões e projecções da população para 2030 e 2050 preparadas
por Maria Filomena Mendes e Maria João Valente Rosa.
É uma boa altura para olharmos para nós e para tentarmos descortinar o que
podemos ou queremos ser dentro de duas ou três décadas. Com as projecções que
serão analisadas ao pormenor durante estes dias, vemos que a população
portuguesa se encontra numa fase de extraordinária importância. Alguns cenários
sugerem que Portugal pode perder entre dez a trinta por cento da sua população
em vinte a trinta anos!
A missão desta
Fundação tem, à cabeça, o estudo, a divulgação, a informação, o conhecimento e
o debate. Com esta Conferência, cremos estar a cumprir essa missão. Tanto mais
que consideramos que o povo português não está devida e suficientemente
informado, nem tem oportunidades bastantes para debater os seus problemas e as
suas opiniões. Talvez seja esta uma tradição ou um antigo fardo, mas não nos
conformamos. Se a nossa primeira preocupação, o nosso objectivo central e o
nosso desígnio fundamental é a liberdade, também sabemos que a informação, a
opinião independente e o debate público são condições e instrumentos de
liberdade. É para isso que queremos colaborar. Porque não acreditamos que as
autoridades e as forças políticas sejam suficientes para proteger a liberdade.
E parece até que as instituições políticas não estão à altura da gravidade dos
problemas, das carências dos Portugueses e da procura de soluções. Por isso
temos a certeza de que todos devemos contribuir.
Parece haver
algo de estranho. Enquanto, lá fora, no país e na sociedade, se vivem momentos
particularmente difíceis, aflitivos mesmo, nós estamos aqui a discutir o que
será dos Portugueses dentro de vinte a trinta anos! Enquanto o mundo, lá fora,
sofre e luta pela sobrevivência, nós, no conforto deste Encontro, estudamos e
discutimos os cenários para 2030! Parece absurdo, mas não é.
Foi uma decisão
nossa: prever, projectar e antecipar... Para melhor decidir hoje. Para tudo
saber hoje. Para formar opinião hoje. Isto, porque queremos preparar as
próximas décadas. E porque pretendemos cuidar de um bem valioso: a liberdade de
escolha.
Não me ocorre
discutir aqui a política nacional, nem, por exemplo, as recentes medidas
oficiais decorrentes dos acordos de assistência internacional. Não é para isso
que aqui estamos. Mas sei, sabemos que os Portugueses estão preocupados.
Inquietos. Por vezes até aflitos. Vivem um dos momentos mais difíceis da nossa
história recente, uma das mais sérias crises sociais e económicas. Muitos não
sabem como vão viver amanhã, em 2013 ou 2014, e nós estamos aqui a discutir
2050! Parece irónico, mas não é. Partimos do princípio que as melhores soluções,
mesmo para os problemas do dia, são as que forem pensadas com profundidade, com
participação e com conhecimento ou informação.
Mais ainda, as
decisões tomadas hoje vão moldar o país que teremos em 2030. Nas migrações, por
exemplo. Na habitação e no urbanismo. Na organização da educação e da formação
profissional. O que fizermos hoje, como o fizermos e quando o fizermos, não
terá apenas efeitos nos défices, nos rendimentos ou na segurança de amanhã ou
depois. Será o princípio do que seremos dentro de duas décadas.
Se não soubermos
cuidar hoje da informação, do debate, da opinião livre e da coesão social,
então perderemos mais tarde o bem mais precioso: a liberdade de escolha.
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Fundação Francisco Manuel dos Santos
Lisboa, Centro Cultural de Belém, 14 e
15 de Setembro de 2012
domingo, 23 de setembro de 2012
Luz – Tourada, Terceira, Açores, 2011
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Não gosto de touradas, muito menos quando os bichos estão presos com cordas puxadas por uns tantos rapazolas, bem protegidos atrás dos muros, das árvores ou dos candeeiros. Mas também reconheço que esta modalidade, sem sangue nem farpas ou bandarilhas com arpões, tem muito menos violência do que as outras touradas, a pé ou a cavalo. Já aqui publiquei uma ou duas fotos relativas a uma destas corridas em São Mateus, perto de Angra do Heroísmo. São festas sociais ou romarias onde se come, bebe, intriga, namora e faz negócios. (2011)
domingo, 16 de setembro de 2012
Luz - Tonéis, RCV, Gaia 2007
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Armazém antigo da Real Companhia Velha, em Gaia. Enormes tonéis de vinho do Porto à direita e pipas empilhadas à esquerda. Estas últimas contêm “Colheitas” de 1981 e de 1982. A “Colheita” é uma das especialidades de vinho do Porto. Pertencem a um só ano, uma só vindima, tal como os “vintages”. Mas, ao contrário destes, fazem longos estágios em madeira, isto é, em pipas e tonéis. (2007).
domingo, 9 de setembro de 2012
Luz - Terceira, Açores 2011
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Num intervalo de uma tourada à corda ou corrida de touros á
corda, em São Mateus,
a poucos quilómetros de Angra do Heroísmo. Há duas centenas ou mais destas
corridas ao longo do ano. Realizam-se nas aldeias, nas vilas ou nos bairros das
cidades. Parece mesmo que existe uma “coordenação” a fim de evitar que haja
muitas corridas ao mesmo tempo. É tradição própria da Ilha Terceira, mesmo se
noutras ilhas se pode esporadicamente organizar uma tourada parecida. As
primeiras destas touradas de que há registo datam do século XVII. Há
verdadeiros fanáticos que percorrem a ilha de tourada em tourada. E de cerveja
em cerveja, acrescente-se... Os touros são largados nas ruas, durante pequenos
percursos, de quinhentos a mil metros, amarrados a uma corda que se vai
esticando até certo limite. As pessoas aproximam-se e fogem quando o touro
chega. Não consta que haja feridos graves. Não se maltratam os touros de modo
excessivo. Terminada a tourada, os animais voltam para as pastagens e ainda podem
ser utilizados mais umas tantas vezes. É cerimónia social e romaria, mais do
que arte tauromáquica. Dentro de casa, em cima dos muros ou atrás das grades,
os visitantes e os turistas não correm grandes perigos. A maior parte, aliás,
está atarefada e consumir enormes piqueniques e imensas grades de garrafas de
cerveja. Uns rapazolas mais destemidos lá vão tentando impressionar as moças...
Só uma vez vi um levar umas “marradas” sérias. (2011).
quinta-feira, 6 de setembro de 2012
Carta endereçada à Directora do "Público" (*)
Senhora Directora,
POR VÁRIAS vezes, no decurso das últimas semanas, fui surpreendido por escritos alusivos à “História de Portugal” da autoria de Rui Ramos (coordenador), Bernardo Vasconcelos e Sousa e Nuno Gonçalo Monteiro, publicada em 2009. A maior parte desses textos apareceram no Público e o seu principal autor é Manuel Loff. Sei bem que a liberdade de expressão não pode ser limitada de ânimo leve, nem sequer pela qualidade. Mas é sempre triste ver que a inteligência, o rigor e a decência têm por vezes de ceder perante essa liberdade última que é a de publicar o que se pensa.
Quando tive a honra de apresentar o livro, na Sociedade de Geografia, anunciei o que para mim era um momento histórico. Com efeito, esta “História de Portugal” quebrava finalmente o duopólio fanático estabelecido há muito entre as Histórias ditas “da esquerda” e da “direita”.
As várias formas de “nacionalismo” e de “marxismo” e respectivas variantes tinham dominado a disciplina durante décadas. Apesar de algumas contribuições magistrais (e a de José Mattoso é das principais), ainda não se tinha escrito uma História global, compacta e homogénea que rompesse com a alternativa dogmática, que viesse até aos nossos dias e que, especialmente para o século XX, “normalizasse” a interpretação da 1ª República e do Estado Novo. Ambos estavam, mais do que qualquer outro período, submetidos à tenaz de ferro das crenças religiosas e ideológicas e ao ferrete das tribos.
Com esta História, estamos longe daquela tradição que cultiva e identifica inimigos na história. Agora, deixa de haver intrusos e parêntesis. Os regimes políticos modernos e contemporâneos, de Pombal à Democracia, passando pelos Liberais, pelos Miguelistas, pela República e pelo Salazarismo, eram finalmente tratados com igual serenidade académica, sem ajustes de contas.
Um dos feitos desta “História” consiste na “normalização” do século XX, marcado por rupturas e exibindo feridas profundas. Por isso me curvava diante dos seus autores, homenageando a obra que ajuda os Portugueses a libertarem-se de fantasmas. Mas, sinceramente, já não esperava que ainda houvesse demónios capazes de despertar o pior da cultura portuguesa.
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(*) Enviada no dia 1 de Setembro de 2012 e publicada no dia 3.
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domingo, 2 de setembro de 2012
Luz - Stand de rua, Moscovo 2010
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Os curiosos que procurem os seus heróis preferidos. Procurem-se heróis. Estão lá todos... Lenine, Estaline, Mao Tsé Tung, a Gorda do circo, Buda, um Marine, todos os bichos imagináveis incluindo um T-Rex, “La République”, o Tio Sam, Ghandi e o Papa... Do outro lado da estrada, fica a Universidade de Moscovo, o mais acabado e imponente edifício de puro “gótico estalinista”. (2010)
terça-feira, 28 de agosto de 2012
«Imagens perdidas»
Angela Camila Castelo-Branco, com quem colaboro há alguns anos em tudo o que é fotografia, publicou esta versão no blogue dela, “Grand Monde” – ver [aqui].
-.oOo.-
Revista Egoísta, edição de Junho de 2012
Deserto do Sara, Argélia 1973
Imagens Perdidas
Fotografias de António Barreto
Selecção e organização de Ângela Camila Castelo-Branco
Há propostas de
trabalho que nos atraem, mas inquietam. Patrícia Reis, na sua persistente
vontade de surpreender, resolveu quebrar os preceitos habituais de formato de
publicação da revista Egoísta, decidindo que a edição de Junho de 2012 seria
redonda como a Terra. No seguimento da apresentação de um outro portefólio de
fotografias de António Barreto, realizado para a revista anual da Fundação
Eugénio de Almeida (América’78 - Kodachromes de António Barreto), a editora
desafiou o fotógrafo a contribuir com um conjunto de 12 imagens para o número
49 da Egoísta, sob o tema “Noite”.
Se o tema, dado a
múltiplas interpretações, permitia fazer correr livremente a imaginação, já o
formato da publicação desestruturava, a priori, toda a lógica de concepção e
enquadramento concebido no acto fotográfico. A fotografia, enquanto resultado de um espaço figurativo
perspectivado pelo fotógrafo, obedece também a uma organização que é limitada
pelo plano focal do aparelho. Captamos imagens através de visores de vários
formatos: rectangulares, quadrados ou redondos. Na ausência de manipulação,
seja por distorção, sobreposição de negativos, montagem, ou intervenção do
Photoshop, o resultado final é
sempre confinado a dois formatos: quadrado e rectângulo; redondo é que nunca,
se exceptuarmos os primeiros rolos da Kodak ou as fotografias obtidas a partir
das câmaras Pinhole.
Apesar de ter presente
que o olhar do fotógrafo constitui o essencial do acto fotográfico, seleccionar
e organizar um conjunto coeso, que obedecesse ao critério atrás descrito,
proporcionou discussão e obrigou a uma reinterpretação das imagens. Uma tarefa
trabalhosa e entusiasmante, tanto mais que António Barreto participou e teve
sempre voz activa na decisão da escolha final.
O presente conjunto de
fotografias respeita uma narrativa evolutiva em diversos momentos e situações
da actividade humana. Nem sempre aquela mudança resulta no desaparecimento de
uma actividade, quase sempre evidencia a transformação ou adaptação da
mesma a uma outra realidade. O fotógrafo mostra-nos a agricultura, o comércio,
o trabalho, o pão que nos chega à mesa e o lazer, em especial a terra da qual tudo podemos esperar: a aridez oxidada dos desertos, a passividade com que é
rasgada e preparada para receber as sementes, a generosidade com que nos recompensa
nas colheitas.
As 12 fotografias aqui
intencionalmente geminadas, procuram mostrar “Imagens Perdidas”. São fragmentos de
vidas e rotinas dispersas no tempo, intemporais portanto mas, apesar de tudo,
imagens que se sentem à vontade no presente. Assim, o homem montado num jumento transportando folhas de palma, segue o seu caminho pelas areias do
deserto, indiferente à estrada de asfalto que o ladeia (M’zab, Argélia 1973).
Por ventura, a sua resistência ultrapassa a das modernas viaturas, cujas carcaças
sucumbem à areia dos desertos, como testemunha o esqueleto de um
“carocha” no deserto do Sara, fotografia do mesmo ano na Argélia. Ainda no
norte de África, e daí para o sul da Europa, apenas dois anos separam a
fotografia do costureiro “berbere”, que ganha a vida com uma máquina de costura
em Beni Esguen, da fotografia em Lisboa onde conversam à janela de um primeiro
andar do número 141 da Rua Augusta os alfaiates da Eugénio de Moraes, Lda.
Das vindimas no Douro ao casal que semeia na Beira Litoral, a agricultura sempre presente, imagens
marcantes de um país que, contudo ainda hoje importa quase metade dos produtos alimentares
que consome. Com o olhar fixo na câmara de António Barreto, o vendedor de
alhos, em Ponta Delgada, é observado com espanto por um rapaz
descalço que calcorreia a calçada negra da cidade com a mesma vivacidade com que
os meninos em Argel se apressam a levar o pão para a mesa que os espera. Em
Angra do Heroísmo, ao olharmos com uma certa nostalgia a fachada do Café
Atlântico, distribuidor de espumantes e vinhos das Caves Monte Crasto,
esquecemos que os líquidos que a boca pede são fruto de trabalho árduo
suportado por homens que, até ao fim do ciclo da vindima, podaram, enxertaram,
cavaram, colheram e transportaram às costas os cestos carregados com 60 quilos
de uva.
Trinta a quarenta anos
nos separam destas fotografias que parecem fazer parte de uma realidade
longínqua. Mudaram os transportes, substitui-se a força braçal pelas máquinas,
intensificou-se a produção, alargaram-se fronteiras... Para melhor ou pior, em
continua batalha de criatividade, o engenho e a arte do homem transformaram a
natureza!
Ângela Camila Castelo-Branco
M' zab, Argélia 1973
Douro 1975 Beira Litoral, ca. 1975
Argel, Argélia 1973 Tourém, Trás-os-Montes 1982
Ponta Delgada, Açores ca. 1980 Angra do Heroísmo, Açores
ca. 1980
Beni Isguen, Argélia 1973 Lisboa 1975
Grécia 1975 Budapeste, Hungria 1974
domingo, 26 de agosto de 2012
Luz - Serralves, Porto 2006
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Este museu foi desenhado por Siza Vieira. O seu casamento com a Casa de Serralves e respectivo jardim parece feliz e harmonioso. Siza fez aqui mais uma vez o que ele sabe fazer de melhor: ir buscar a luz onde ela está, donde ela vem, e levá-la cuidadosamente aos sítios onde ele a quer. Parece que o faz com as mãos. Parece que consegue que a luz faça caminhos curvos, dobre esquinas, suba escadas... (2006)
domingo, 19 de agosto de 2012
domingo, 12 de agosto de 2012
Rua de Hay-on-Wye, 1990
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Nunca me cansarei de visitar e fotografar esta aldeia... A tabuleta anuncia uma visita histórica guiada ao castelo, às livrarias, ao mercado... (1990)
domingo, 5 de agosto de 2012
Luz - Rua de Barbados, 1971
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Uma rua qualquer... Uma fotografia qualquer... Uma maneira de andar... Uma pose de estar encostado à parede... (1971)
domingo, 29 de julho de 2012
Luz - Rio Nilo, diante da cidade de Assuão, Egipto 2006
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Estamos ainda longe da famosa barragem. Mas a cidade tem esse nome. Na minha juventude, a construção desta barragem estava altamente colocada na lista dos objectos de admiração. Fiquei fascinado diante da ideia (e do projecto e da realização...) de “desmontar” o famoso monumento de Abu Simbel e voltar a construir umas centenas de metros ao lado e acima do nível da água da futura albufeira. Proteger a cultura e modernizar, “dominar a Natureza”, como se dizia na altura, eram programas de optimismo histórico! Hoje, essas obras estão lá, para orgulho de muitos, com certeza. Mas entretanto sabe-se que o Nilo teve problemas ecológicos muito sérios, milhões de hectares de terras férteis viraram areia ou foram perdidos para a agricultura, a fauna fluvial transformou-se e empobreceu... Com o que sabemos hoje, teríamos feito a obra igualmente? Passei na região uns dias, entre as águas do Nilo, as margens férteis, as vilas e os mercados e os monumentos. É sítio inesquecível. (2006)
domingo, 22 de julho de 2012
Luz - Da Régua ao Pocinho
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Na linha de caminho-de-ferro, da Régua para o Pocinho. Nesta última estação, o caminho-de-ferro termina. Já não vai até Barca d’Alva, muito menos até Espanha. É a Linha do Norte, que começa no Porto, em S. Bento ou na Campanhã, e ia até Espanha, recebendo ainda passageiros das linhas “afluentes” do Tâmega, do Corgo, do Tua e do Sabor, todas fechadas, condenadas, abandonadas e destruídas. É uma das mais belas linhas de comboio do mundo, com dezenas de quilómetros à beira do Douro, por vezes a meia dúzia de degraus ou poucos metros do rio. Traçada entre vales e vinhas, serviu, durante um século, gente e mercadoria e sobretudo vinho e materiais para a vinha. Afastou os barcos rabelos, foi afastada pelos camiões e pela estrada. Em qualquer parte do mundo, pelo menos nos países civilizados onde houvesse linhas de caminho-de-ferro como estas, sobretudo as do Douro e do Tua, tudo seria feito, em nome da cultura, da qualidade de vida, do turismo decente, da história, da decência, do ambiente e da estética, para que fossem preservadas. Não é assim entre nós! Triste sina!
domingo, 15 de julho de 2012
Luz - RCV, Gaia. 2006
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Armazém da Real Companhia Velha, em Vila Nova de Gaia. Um dos
maiores e mais antigos. Actualmente, em vias de reconversão. Vivia-se,
neste armazém, o vagar da história. Respirava-se a humidade do tempo e
sentia-se o silêncio do passado. A reduzida luz proporcionava sombras e
relevos extraordinários. E tudo isto ajudava ao envelhecimento do vinho
do Porto.
domingo, 8 de julho de 2012
Luz - Quinta do Infantado, Covas do Douro, 1979
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Numa prensa, à beira de um lagar, depois de se ter retirado o vinho, sobra o mosto que vai ser prensado e escorrido até que não sobre qualquer líquido. Este vinho assim feito não é em geral aproveitado para os melhores lotes. Na verdade, desta maneira extraíam-se também matérias que não faziam bem ao vinho: concentração excessiva, taninos a mais, madeira ácida, até resinas...
domingo, 1 de julho de 2012
Luz - Porto, 1975
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Diante de um cartaz pouco legível, mas de significado inequívoco.
domingo, 24 de junho de 2012
Luz - Passeio em Berlim, Unter den Linden, 2010
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Esta avenida, cujo nome é literalmente “Debaixo das Tílias”, foi uma das glórias de Berlim no século XIX. Numa das extremidades, encontra-se a Porta de Brandenburgo. Não muito longe, o Reichstag. Embaixadas (Americana, Russa, Britânica, etc.) ficam ali, assim ciomo museus, Ópera e Universidade. A avenida cruza várias outras famosas, incluindo Friedrichstrasse e Wilhelmstrasse. Era talvez o centro da cidade em grande parte do século XIX e nas primeiras décadas do século XX. Depois da guerra e da divisão, a avenida ficou no “lado de lá”, a Leste. Manteve-se um sítio interessante e mesmo “chique”, na versão comunista, mas obviamente declinou. Depois da reunificação, o restauro, a reciclagem, o aproveitamento e a reorganização têm sido formidáveis. Sem que tivesse havido uma decisão política, sem que se tenham aprovado decretos disparatados e voluntariosos, o grande centro de Berlim, de negócios, de turismo, de cultura, de ciência e de arte voltou a deslocar-se e regressou a estas paragens. A famosa Ilha dos Museus está por ali perto. A Câmara da cidade tem mantido uma disciplina severíssima, depois de ter criado normas e regras que impedem, por exemplo, a demolição sem justificação e a construção de arranha-céus. Unter den Linden voltou a ser o eixo central da cidade..
domingo, 17 de junho de 2012
Luz - Palais Royal, Paris 1998
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Palácio parisiense que nunca perco quando visito a cidade. Já aqui publiquei várias imagens com alguns apontamentos sobre a história do palácio, dos seus jardins, dos bares e restaurantes, assim como das tertúlias literárias e dos cafés políticos (quase sempre revolucionários) que o palácio albergava. Arcadas deste género, com os seus enfiamentos geométrico, sempre foram uma tentação para a fotografia.
domingo, 10 de junho de 2012
Luz - M’Zab, Sara, Argélia, 1972
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Vindo não se sabe donde, indo para qualquer sítio, este homem transporta ramos de palmeira, certamente de tamareira. O M’Zab é ao mesmo tempo um vale, um oásis e uma região da Argélia, na parte Norte do Sara. É um sítio maravilhoso, composto de cinco cidades muito especiais habitadas pelos Mozabites, uma tribo de Berberes. A mais importante é Ghardaia. A que mais me impressionou é Beni Isguen. São pequenas cidades com uma arquitectura fabulosa, a ponto de terem sido consideradas há duas ou três décadas património mundial da UNESCO. Diz-se que o jovem Corbusier se inspirou naquelas construções muito bem adaptadas às condições de clima, extremamente seco e árido. Quando por ali andei, o termómetro chegou aos 50 graus! Quando viajávamos de carro, pelas pistas ou pelas estradas, era frequente um acontecimento destes: de repente, sem que se perceba o destino ou a origem, aparecia uma pessoa! Com ar de quem estava perfeitamente orientada! Só se via areia para um lado e para os outros!
segunda-feira, 4 de junho de 2012
Estudar em tempos de crise (*)
TENHO GRANDE prazer e honra em estar convosco neste dia tão especial para os
antigos estudantes e futuros profissionais. Em muitos países, este dia é
considerado um dos mais importantes da vida de cada um. Desejo-vos felicidades
e um longo percurso profissional e pessoal!
Não vou ao ponto de considerar a juventude ou o estudo como período de quarentena ou de estágio, mas há algo disso. Quarentena, como disse um historiador francês, ao falar daquele período em que se não está cá nem lá... Ou estágio, como dizem os vinicultores, quando deixam os seus vinhos a preparar... Mesmo sabendo que os estudantes trabalham cada vez mais e que os trabalhadores são obrigados a estudar, a verdade é que a partir de agora a vida para muitos de vós vai mudar. A vossa participação na vida colectiva adquire hoje novo sentido. A responsabilidade para com a vossa comunidade assume nova feição. A assunção de uma ideia de estratégia e de construção do futuro é agora definitiva e premente. Apesar de saber que a vida adulta e profissional é, para muitos, feita de mudança, pode ligar-se o dia de hoje ao fim de uma longa transição. Os sentimentos essenciais de preparação, investimento, urgência, esperança e independência vão evoluir, conhecer novas formas.
Para alguns, o
estudo foi um prazer. Para outros, um sacrifício. Para uns foi fácil. Para
outros, uma corveia, um fardo a exigir árduo esforço. Quase todos se terão
sentido adiados, em preparação, em permanente processo de diferimento. A todos
direi o mesmo: foi uma decisão justa! Estudar e aprender é certamente o que de
mais certo fazem e fizeram até hoje.
Já ouço vozes que
murmuram nesta sala. Então e o desemprego? E a crise económica? E a falta de
saídas profissionais? Só vos posso dizer em palavras simples: sem estudos, sem
diploma, sem grau, seria pior. E quem o não tivesse, arrepender-se-ia toda a
vida.
Apesar das
frustrações actuais, mau grado o desemprego de milhares de licenciados e
graduados, não obstante a incerteza que parece dominar a nossa existência
contemporânea, uma preparação cultural, profissional e técnica é de
indiscutível valia. Tiveram razão os que insistiram e persistiram. Sabe-se hoje
que um graduado ou titular de um qualquer diploma superior tem muitas mais possibilidades
de encontrar emprego, de formar uma empresa ou de criar a sua própria
actividade independente, do que outra pessoa sem grau ou diploma. Há países em
que a razão é de um para cinco, isto é, o diplomado tem cinco vezes mais
possibilidades de encontrar o seu emprego do que o que não fez estudos
superiores.
Vale a pena
determo-nos um pouco mais nesta questão do emprego e do desemprego dos
universitários e dos titulares de diplomas de estudos superiores. Que pensar do
desperdício de recursos e da frustração dos licenciados que, um ano depois do
seu grau, ainda hoje trabalham em “call centers”? Como olhar para esta enorme
despesa, seja das famílias, seja do Estado, com uma preparação que nem sempre
tem saída? Qual a racionalidade deste investimento que tantas vezes parece não
ter retorno? É imaginável, em tempos de crise, baixar drasticamente o esforço
de estudo e aprendizagem? É aconselhável, em tempos normais ou de dificuldades,
planificar os estudos, isto é, formar e preparar apenas as pessoas que poderão
ter emprego e que correspondam às necessidades da sociedade, das empresas e das
instituições?
As minhas
respostas a estas perguntas são todas negativas. Por várias razões. A primeira
é porque se trata de tarefa absolutamente impossível. Por mais sofisticadas que
sejam as técnicas de previsão, por mais rigorosos que sejam os métodos de
ponderação da incerteza, nunca foi possível prever as necessidades
profissionais com dezenas de anos de antecedência. Ora, é disso que tratamos:
das necessidades económicas, sociais e técnicas de uma geração em relação à
seguinte. Em educação, quando planificamos, é para gerações, não para dois ou
três anos. Regimes ditatoriais, Estados que se julgavam omniscientes e governos
convencidos que dominavam o futuro tentaram, mas nunca conseguiram. Ao decretar
hoje que precisamos, dentro de vinte ou trinta anos, de dois mil médicos, três
mil advogados ou quatro mil engenheiros, estamos a fazer o necessário para
cometer um erro difícil de corrigir. Nenhum dos métodos seguidos até hoje, seja
a planificação central, seja a total liberdade de escolha (ou a “mão
invisível”, como se poderia dizer...) produziu uma qualquer solução para este
problema. Mesmo em Portugal, que não tem ditadura, planificação ou
omnisciência, podemos comparar duas tradições. A do planeamento, como é o caso
da Medicina e da Enfermagem; e as da “mão invisível”, nos casos de muitos
cursos como sejam o ensino, a sociologia, a comunicação social, as relações
internacionais, o jornalismo, os recursos humanos e a gestão de empresas. No
primeiro caso, a insuficiência é absurda e o recurso a profissionais
estrangeiros é permanente. No segundo caso, o desemprego é abundante e a
frustração quase geral.
Que fazer então? A
meu ver, simplesmente deixar a sociedade ajustar-se, permitir que as decisões
sejam tomadas pelos próprios, fazer com que a formação seja a mais aberta
possível e a mais flexível que se imagina. Ao mesmo tempo, organizar o acesso
aos estudos e às profissões de modo a não deixar degradar a qualidade das formações
e a promover o rigor. Estudar é certamente um direito social; mas também é uma faculdade
ligado ao mérito. E não esqueçamos nunca que a formação técnica e cultural é
ela própria geradora de novas aspirações e novas necessidades.
De qualquer maneira,
o critério essencial para a organização dos estudos superiores não é para mim o
da adequação às necessidades económicas e empresariais do futuro. Muito mais
importantes são os critérios ligados ao progresso humano, à liberdade e à
autonomia dos cidadãos; ao desenvolvimento da ciência e da cultura; e à
promoção do conhecimento e da procura da verdade.
Por outro lado, o
desígnio essencial, o objectivo mais importante do ensino e da formação
superior não é o da aprendizagem de uma profissão e de uma técnica, critérios
certamente interessantes, mas não suficientes. O decisivo numa formação
superior é a cultura geral, o raciocínio e o método. Numa expressão simples:
aprender a pensar! Por mais sofisticadas e operacionais que sejam as técnicas
aprendidas e dominadas, é a capacidade de raciocínio, de relação entre
disciplinas e abordagens, de análise e de crítica, de adaptação a novas
situações, de inovação e de interrogação, que dá conteúdo e missão ao ensino
superior. Qualquer ofício, qualquer profissão aprendida com o enquadramento da
cultura geral e da interdisciplinaridade própria do ensino superior adquire uma
versatilidade e uma polivalência de incalculável valor.
Esta linha de
pensamento conduz-nos a outro aspecto bem actual. Na Europa em geral e em Portugal
em particular (tal como em mais dois ou três países mediterrânicos), vivemos um
tempo de crise e dificuldade que tem levado a políticas de austeridade, de
poupança e de contenção de despesas. Tanto despesas públicas, como privadas.
Tanto despesa como crédito. O endividamento das famílias, das empresas, dos
bancos e das Administrações Públicas é de tal monta que ninguém escapa aos
programas ditos de austeridade e de contenção. Portugal é um dos países mais
atingidos e mais empenhados nesse esforço. A este propósito, convém perguntar:
como administrar esse programa de austeridade? Que sectores devem ser mais
atingidos e mais poupados? Será que a educação e a formação devem estar
incluídas nos sectores onde a austeridade se faz sentir? Será que todos os sectores
da vida colectiva devem ser atingidos por igual? Será que faz sentido poupar
alguns sectores? Quais? Com que critérios?
A minha resposta é
a seguinte. Tal como os grupos humanos,
as classes sociais, as instituições e as empresas, todos os sectores devem ser
objecto de poupança e austeridade. Todos os sectores devem sobretudo ser
objecto de reforçada luta contra o desperdício. Mas alguns sectores devem ser
protegidos de um excesso de austeridade. Sem privilégios, devem ser objecto de
algum esforço. Entre esses, a educação sem qualquer dúvida. Porquê? Porque é, a
prazo, um sector com capacidade reprodutiva e com potencialidade para
proporcionar um retorno. Direi também o mesmo na sua formulação negativa:
porque é um dos sectores em que um recuo geracional mais desgaste ou mais
estragos produziria. Um excesso de austeridade, em tempos de crise, pode
simplesmente ser irrecuperável na geração seguinte. Pode deixar cicatrizes que
dificilmente saram. E diminuirá seguramente as próprias capacidades e energias
para ultrapassar a crise.
É possível que outras pessoas digam algo de parecido a propósito de outros sectores, da saúde à segurança social, do emprego à segurança pública, do ambiente à energia ou da indústria à produção alimentar. É possível, sim. Isso faz parte do debate democrático a que só uma decisão informada e pública pode dar continuidade e solução. Ora, a verdade é que não sentimos isso neste nosso actual tempo de crise. Que se saiba, que seja conhecido e partilhado por muitos, os Portugueses não realizaram nem assistiram a um debate sobre as alternativas e as prioridades. Têm assistido, isso sim, a uma sucessão de decisões e medidas destinadas a poupar e conter a despesa em todos os sectores imagináveis, sem que haja, a meu ver, a perspectiva que aqui sublinhei, a de preservar as situações que podem melhor permitir a recuperação ulterior.
Gostaria ainda de
alertar para um segundo ponto: esta ideia de que estudar em tempos de crise é
aconselhável, recomendável e ainda mais necessário do que habitualmente parece
aplicar-se exclusivamente às autoridades e aos poderes públicos. A maneira como
exprimi o meu ponto de vista pode sugerir isso. Se é esse o caso, aproveito
para corrigir. Esta ideia, na minha opinião, diz respeito a toda a gente,
públicos e privados, pais e filhos, escolas e famílias, empresas e
instituições. Incluindo estudantes. Em tempos de crise, o melhor que podem
fazer, para além de procurar e encontrar soluções de sobrevivência própria e
dos seus, o melhor que podem fazer, dizia, é estudar e preparar o futuro, seja
este o tempo de duração da crise, sejam os tempos que virão depois. E, para
isso, o esforço público não é suficiente. O contributo das famílias é
indispensável. Não só em termos quantitativos, mas também qualitativos. Na verdade,
a decisão de cada um é mais inteligente e mais sensível do que a regra
burocrática e administrativa, universal e abstracta. A regra, do ponto de vista
dos direitos, é fundamental. Mas, vistas as coisas do lado da vida real e dos
percursos familiares e pessoais, a decisão individual e concreta é essencial.
A este propósito,
desejo referir uma outra questão relativa ao contributo das famílias. Não se
pense que este é apenas ou deve ser apenas financeiro. A participação das
famílias na vida escolar e académica deveria ser muito superior à que é
actualmente. Mais eficiência, mais rigor e menos desperdício seriam talvez de
esperar. Mas também escolhas mais certeiras. E organização de cursos com mais
racionalidade. A este propósito, sabemos que a situação em Portugal não tem
evoluído bem, nem no melhor sentido. O sistema escolar português tem uma
tendência acentuada para expulsar da escola os pais, tal como as comunidades e
as empresas. Ora, essa evolução, sobretudo em tempos de crise, é negativa. O
envolvimento das comunidades e o empenho permanente dos pais são, a meu ver e
de acordo com experiências conhecidas em outros países ou em certos
estabelecimentos privados portugueses, essenciais para estruturar escolas com
melhor performance e mais adequadas às necessidades reais das pessoas. Devo
dizer mesmo, no que aos pais diz respeito, que em Portugal é desconhecida a
cultura dos “deveres dos pais” perante a escola dos filhos. Parece que a
pressão se faz no sentido de que a escola os deve substituir em todas as
tarefas e missões. Os próprios pais, muitas vezes, pretendem delegar a
totalidade dos processos educativos na instituição. Chega-se mesmo a falar da
“formação integral do cidadão” como missão da escola, o que me parece errado
sob todos os pontos de vista. À escola compete muito, mas não tudo. E talvez
nem sequer a maior parte.
Como dizia no
início desta exposição, não acredito na capacidade política de prever as
necessidades profissionais, técnicas, culturais e económicas para as próximas
gerações. Mas acredito na capacidade humana de decidir sobre a sua própria vida
e as suas expectativas. Uma experiência que conhecemos bem é a do “numerus
clausus” para os estudos de Medicina. Por um lado, creio que o princípio do
dispositivo do “numerus clausus” é positivo. Com efeito, o acesso ao ensino
superior, ainda por cima a estudos especialmente caros, condicionado pelo
mérito parece-me certo. É necessário merecer frequentar os graus mais elevados
de formação e ensino, não se trata meramente de um direito de cidadão ou de um
direito social. O “numerus clausus” é um dos mecanismos conhecidos para
submeter o acesso às escolas superiores a um critério de mérito.
Por outro lado, o dispositivo, tal como o conhecemos, levou a consequências desastradas. Falta de médicos em vários sectores. Dificuldade em expandir tanto a saúde pública como a medicina privada. Partida para o estrangeiro de centenas de estudantes de medicina. E problemas muito sérios com a acumulação de vínculos profissionais públicos e privados. Mas sobretudo criou uma situação insustentável: estudantes da categoria de “Muito bom”, dezassete ou dezoito valores, são recusados à entrada da faculdade da sua escolha! Um país que assim procede não está bem! Como é sabido, o que acontece em Medicina pode acontecer também noutras áreas académicas. Muito está em causa. É dificultada a reposição de uma geração de cientistas e profissionais. Ficam em crise o direito e as expectativas de quem merece ter acesso às instituições de formação superior. É desvalorizada a ideia de justiça e de recompensa para quem cumpre os seus deveres e alimenta fundadas esperanças. Sem esquecer que o acto de formação e aprendizagem cria por si uma dinâmica de crescimento e progresso. Desengane-se quem pense, por exemplo, que Portugal fica a ganhar com os que vão estudar Medicina para Bucareste, Salamanca, Barcelona ou Praga. Desse modo, alegadamente, poupar-se-iam recursos portugueses, ficando o país a lucrar, depois, com o respectivo regresso. Na verdade, além das frustrações e do desperdício de tempo, o país perderia os efeitos muito positivos de uma disciplina em expansão e desenvolvimento. Sem falar, com certeza, no improvável regresso de muitos desses emigrantes.
Volto ao ponto de
partida. Deixo-vos os meus votos de felicidade e de bom trabalho. A maior parte
dos vossos estudos superiores desenrolaram-se em pleno clima de crise e de
dificuldades. Não sei quais foram os sentimentos predominantes durante estes
anos. Imagino que tenham sido de incerteza. É natural. Mas quero dizer-vos mais
uma vez: tiveram razão! Parabéns e felicidades.
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(*) - ISLA – Lisboa, 30 de Maio de 2012
domingo, 3 de junho de 2012
Luz - Museu, São Petersburgo, 2011
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Esta é a Galeria Militar do Museu Hermitage, em São Petersburgo. Está decorada com três centenas de retratos de Marechais, Generais e outros oficiais que se ilustraram durante a Grande Guerra Patriótica (a de 1812, contra os exércitos de Napoleão). A Galeria foi construída poucos anos depois e manteve-se desde então. Muitos dos quadros foram pintados por um pintor inglês importante, George Dawe. Entre os retratados, contam-se o Czar Alexandre I (ao fundo, à direita, em quadro de maior dimensão), o príncipe Kutuzov (quem não se lembra da “Guerra e Paz”, de Tolstoi?) e o Duque de Wellington. A presença de estrangeiros, aliados dos Russos contra Napoleão, é assegurada por vários ingleses, alemães, austríacos e prussianos.
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