quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Questões de cidadania

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Advertência

Este foi o texto que apresentei em Coimbra durante uma reunião do Clube dos Rotários de Coimbra Olivais. Como se pode ver, nada de semelhante com as declarações que me são atribuídas a propósito dos direitos sociais e da crise.
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NOS TEMPOS ACTUAIS, todos os dias assistimos à referência permanente aos direitos humanos e aos direitos dos cidadãos. Tudo se transformou em direitos. Vida, expressão, associação, deslocação, privacidade, bom nome e reputação, escola, cultura, saúde, segurança social, emprego, habitação... Há dias, um antigo presidente da República disse mesmo que “a água de boa qualidade é um direito humano fundamental”.

A esta explosão de direitos, parece nada haver a opor. Seria uma espécie de progresso das sociedades. Quanto mais direitos, mais igualdade, mais democracia, mais liberdade e mais segurança.

Contra esse optimismo inocente, há todavia reservas. A primeira é quase melancólica. Em princípio, não deveria haver direitos sem deveres e contrapartidas. Esse não parece ser o caso. A modernidade política e cultural incide sobretudo na proliferação dos direitos, não na confirmação dos deveres correspondentes. Os dirigentes políticos são pródigos em direitos, sobretudo nas leis e na Constituição, mas são aparentemente mais contidos na questão dos deveres. Na verdade, são assim porque não querem pagar o ónus eleitoral da afirmação de deveres, mas desejam colectar as vantagens do alargamento dos direitos. O que não impede que as leis correntes consagrem cada vez mais obrigações: taxas, pagamentos, multas, procedimentos, proibições, autorizações, licenças, alvarás, etc. Há mais direitos, menos deveres, mas os cidadãos são cada vez mais dependentes. Até porque são frequentes as obrigações que colidem directamente com direitos antigos. Por exemplo, os dispositivos de vigilância e controlo (chips dos automóveis, câmaras de vídeo, cartão único de cidadão, etc) contrariam os direitos de privacidade e de liberdade de deslocação.

A segunda reserva é mais séria. A identificação e a equiparação de direitos de várias espécies e de vantagens, privilégios, estatutos e benefícios só podem ser prejudiciais para o que é realmente importante: os direitos humanos e os direitos dos cidadãos. Na verdade, cada espécie de direitos tem a sua forma específica de garantia e de protecção. Ora, uma equiparação excessiva conduz necessariamente a uma banalização do significado e do conteúdo de cada direito. Uma falha ou uma violação do meu direito à integridade física ou de votar deve ser severamente punida: tanto o Estado como a sociedade têm o dever de proteger os meus direitos fundamentais e de castigar os prevaricadores. Violações contra esses direitos são crimes públicos. Não são comparáveis com falhas aos meus direitos ao emprego, ao trabalho, à habitação ou ao descanso. Por isso não se trata da mesma espécie de direitos.

Há cada vez mais a tendência para este alargamento de conceito. Hoje, a cidadania é uma soma vastíssima de direitos, incluindo, para além dos humanos, cívicos e políticos, os chamados direitos sociais, económicos, culturais, ao ambiente, à qualidade de vida e, por que não, à felicidade. Creio que esta tendência é errada. Tanto teoricamente como na vida prática.

É sobre as diferenças entre estes direitos e suas implicações que me proponho discorrer nesta sessão convosco.

Gostaria de, com algumas breves considerações, delimitar o conceito de cidadão. Não qualifico nem adjectivo o conceito. Um cidadão com mais ou menos poder é à mesma um cidadão. Um analfabeto é tão cidadão quanto um catedrático. Um cidadão com saúde ou doente é igualmente um cidadão. Um cidadão activo e empenhado na participação cívica e política é tão cidadão quanto um outro passivo, distante e alheado das causas comuns. Um cidadão preso e condenado por crime é um cidadão, mesmo se tem alguns dos seus direitos temporariamente limitados. Uma pessoa que vota é tão cidadão quanto aquela que se abstém. Um cidadão a viver num país onde existe um serviço público de saúde, de educação ou de segurança social é tão cidadão quanto um outro a viver num país onde não existe qualquer forma pública de prestação de cuidados de saúde. Mas um escravo não é um cidadão. E um estrangeiro, com menos direitos que os nacionais, não é um cidadão a parte inteira.

O mesmo digo dos conceitos de cidadania. Não qualifico esta última com adjectivos, qualificações ou circunstâncias. A cidadania não implica humanização ou decência. Um malfeitor é um cidadão. Um rebelde é um cidadão igual a um indivíduo conformado e bem comportado. A bondade, a decência e a eficiência são muito importantes na organização das sociedades e dos serviços públicos, mas não resultam da cidadania. Todos estes são conceitos que derivam de outros valores e de outras entidades. A moral pública, por exemplo. Ou a qualidade de um regime político. Ou ainda as tradições culturais de um povo. Finalmente, a exigência, certamente moral, mas também cultural, de comportamentos que respeitem os outros ou que valorizem a integridade e a autonomia dos seres humanos e dos contemporâneos. O homem que agride a mulher e os filhos, o automobilista que ameaça os transeuntes, o passante que falha nos seus deveres de prestação de apoio a quem corre o risco de morrer, o esperto que passa à frente nas filas dos serviços públicos, são, apesar do seu comportamento moralmente reprovável, eventualmente juridicamente condenável, todos cidadãos com os mesmos direitos e deveres.

Não esqueçamos, por outro lado, que os conceitos sobre os quais reflectimos são conceitos mutáveis que adquirem valor e sentido diferentes conforme os países, as culturas e os tempos históricos. Por exemplo, cidadão já foi uma maneira de distinguir os homens livres dos servos ou dos escravos que com eles conviviam. Tempos houve, com efeito, em que cidadãos livres e escravos coexistiam. Hoje, admitir tal hipótese é negar o sentido essencial de cidadania que deve ser universal. A cidadania já foi um privilégio com exclusão de outros, sendo hoje um estatuto de vocação universal e que dificilmente admite exclusão de outrem. A cidadania, em Roma, era o privilégio de alguns. Noutras circunstâncias, na Idade Média, também. Hoje, é a condição de todos.

A categoria de cidadão já foi uma distinção entre nacionais e estrangeiros. Hoje, do mesmo modo, a tendência universal é a de equiparar estrangeiros e cidadãos em quase todas as situações, até mesmo, último reduto, no cumprimento de deveres militares ou no exercício do direito de voto. A Constituição portuguesa, e bem a meu ver, estipula sem reservas (a não ser a da capacidade eleitoral e política) que os cidadãos estrangeiros residentes em Portugal gozam dos mesmos direitos e estão sujeitos aos mesmos deveres que os cidadãos nacionais. Mesmo a excepção eleitoral foi posta em causa, dado que já é possível, aos cidadãos da União Europeia, exercer alguns direitos de voto em país estrangeiro e em determinadas circunstâncias.

Convém pois reter que direitos, deveres e cidadania são conceitos mutáveis e diversos conforme os tempos e os locais.

A cidadania é uma instituição ou um valor razoavelmente positivo, composta de exigências e atributos, em geral direitos e deveres, que estabelecem os padrões de comportamento entre os indivíduos e entre eles e as instituições que organizam a sociedade. Os atributos da cidadania tendem a ser os mais universais possíveis, sem interferência ou qualificação ideológica, étnica, religiosa, sexual e outra. Ao contrário dos códigos de conduta de inspiração moral e religiosa, os direitos e deveres dos cidadãos tendem a ser neutros desse ponto de vista. As regras de auxílio, de cortesia, de respeito, de civilidade, de estacionamento, de vestuário de comportamento no espaço público são ditadas por critérios morais, jurídicos, religiosos e políticos, mas não pelo critério da cidadania. Por isso, num Estado de direito moderno, quando os critérios étnicos, culturais ou religiosos colidem com o critério da cidadania, este deverá sobrepor-se sempre que estiver em causa o espaço público, as relações entre todos os membros da comunidade e a igualdade de todos perante a lei.

Uma questão muito interessante é a que se traduz na nossa Constituição. Tradicionalmente, os direitos dos cidadãos eram limitados aos direitos fundamentais, aos direitos humanos, aos direitos cívicos e aos direitos políticos. Já se notava aqui um alargamento: os direitos humanos, mais vastos na sua concepção do que os direitos de cidadania, eram já identificados, na linguagem corrente, mas também na Constituição, com os direitos dos cidadãos.

No século XX, uma evolução interessante conduziu ao alargamento da noção de direitos. Em resumo e abreviando, foram sendo criados novos direitos e chegou a falar-se de direitos de segunda e terceira geração. Entre estes, os direitos sociais assumem especial relevo.

Em Portugal, muito particularmente, os direitos sociais foram equiparados aos direitos fundamentais. Formam um capítulo integrado na primeira parte da Constituição intitulada “Direitos e deveres fundamentais”. Nem todas as Constituições o fazem. Talvez a maior parte o não faça. Quer isto dizer que, na ordem jurídica portuguesa, o “direito à saúde”, o “direito ao trabalho”, o “direito à educação” ou o “direito ao alojamento” estão equiparados, para todos os efeitos, aos direitos tradicionais de primeira geração.

Há, evidentemente, problemas. A garantia do direito à vida, à livre expressão, ao voto, à associação e à deslocação é e deve ser oferecida pelo Estado e pela Justiça, a custo, se for necessário, de força e coacção. O mesmo já não pode ser dito do “direito à saúde”, o “direito ao trabalho” ou o “direito à habitação”. Quer isto dizer que, apesar de um tratamento jurídico que os equipara, estes direitos acabam por ter um significado diferente. Num caso, estaremos diante de direitos impositivos, que exigem garantias efectivas e cujas violações podem constituir crimes públicos. Noutro caso, no dos direitos sociais, estamos diante de direitos programáticos que se traduzem numa espécie de aconselhamento do Estado, dos governos e das instituições no sentido de resolver alguns problemas sociais como sejam o desemprego ou a doença. Os direitos sociais obedecem a um princípio ou critério de oportunidade. Os desempregados não têm garantido o seu direito ao trabalho e ao emprego, mas não é por isso que deixam de ser cidadãos, nem é por isso que têm razão de interpor processo seja a quem for.

Um caso interessante merece breve referência. Há um século ou século e meio, surgiu em vários países europeus a ideia de “escolaridade obrigatória”. Praticamente todos os países aderiram a este princípio e tornaram-no lei. Em certos casos, o princípio teve mesmo acolhimento constitucional. Qual a razão? Havia com certeza razões filosóficas, políticas e morais. Mas também havia outras. O Estado tinha interesse em obrigar os pais a enviar os filhos à escola. Militares, por exemplo: era necessário construir exércitos que falassem uma só língua e que se distinguissem dos outros. Económicas, sem dúvida: nas grandes empresas industriais, era indispensável comunicar e organizar o trabalho, o que só era possível com meios de comunicação formal numa só língua. Nacionalistas, com certeza: os Estados modernos nasceram, muitas vezes, com uma relação directa ao princípio de “uma língua, um povo, um Estado nacional”. Esta obrigatoriedade chegou a pontos inesperados, por exemplo, até à proibição de os pais instruírem os filhos em casa. Hoje, a escolaridade obrigatória é um conceito em perda de valor: foi substituído pelo “direito à educação”. Os objectivos são essencialmente os mesmos, suavizados e modificados pelos tempos e pela História, mas o critério primordial alterou-se: a obrigação transformou-se num direito.

Nos tempos que correm, as distinções são necessárias. A dignidade de cada variedade de direito é diferente. As garantias e a protecção do Estado e da Justiça também devem ser diferentes. Como diferentes são os deveres do Estado.

Diz-se com frequência que a pobreza, o desemprego, a falta de instrução ou o desconforto são atentados aos direitos dos cidadãos. Não é verdade. As condições sociais, económicas e culturais em que as pessoas vivem são condições para o exercício da cidadania, mas não constituem características do conteúdo desses direitos. As questões sociais e económicas podem facilitar e estimular ou dificultar o exercício dos direitos individuais e as condições de cidadania. Mas não são essenciais à definição dos direitos nem da cidadania. Um doente, um pobre, um deficiente, um rico e um analfabeto são sempre cidadãos. Um escravo não! Uma pessoa sem direitos individuais, sem direito de voto e sem liberdade de expressão e associação ou não é cidadão ou tem as suas capacidades de cidadania limitadas e coarctadas.

É verdade que as condições económicas e sociais condicionam os comportamentos individuais e colectivos, assim como as relações entre grupos e indivíduos. Como é verdade que os cidadãos que sofrem condições de despojamento, de miséria e de precariedade ou fragilidade não são talvez os mais aptos a exercitar os seus direitos de cidadão. Mas repare-se: são estes que muitas vezes permitem as pessoas lutar ou defender os seus interesses.

Há condições sociais, culturais e económicas que têm influência no exercício dos direitos dos cidadãos. A instrução, por exemplo. Saber ler e escrever, ter uma educação secundária, possuir uma formação profissional e uma cultura geral, ajudam fortemente à consciência dos direitos individuais e constitucionais, permitem melhor reclamá-los e defendê-los. Mas não são as condições sociais e económicas que criam esses direitos. Melhoram, as aptidões para o seu exercício, mas não os constituem, não lhes são essenciais.

Para terminar, uma rápida observação. Por que razão me empenho tanto em sublinhar a diferença entres estes direitos? Entre cidadania e moral? Entre civismo e decência? A primeira razão é porque não quero banalizar os direitos de cidadania. São, em certo sentido, mais invioláveis do que outros. São o princípio mesmo sobre o qual assentam as nossas instituições e a nossa liberdade. A segunda razão reside no paralelismo que estabeleço com a democracia. Também neste caso, para mim, o conceito não tem adjectivos nem qualificações. Democracia “económica”, “social” ou “cultural”: eis termos que não utilizo, nem lhes vejo utilidade. Democracia é um princípio político, um consenso, com dignidade constitucional, entre as classes dirigentes de um país e entre elas e a população. Esse consenso é estabelecido à volta de regras simples. Todos votam segundo a regra de uma pessoa um voto. O voto é secreto e individual. Quem vence governo e respeita a minoria. Há eleições periódicas e regulares. Todos se podem candidatar. Poucas mais são as regras. O resto, o acesso à cultura e à saúde, a frequência da escola e da universidade, a qualidade do ambiente e a tranquilidade das cidades, a harmonia nas relações humanas e a certeza do Direito são atributos das sociedades, dos seus princípios de organização moral e das suas tradições e costumes. Nada disso é democracia. Apesar de tudo isso ser tão bom quanto a democracia.
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Rotary Club dos Olivais
Coimbra, 27 de Setembro de 2010

domingo, 26 de setembro de 2010

Luz - Templo em Luxor, Egipto.

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O senhor sentado à esquerda está a fazer um eterno e lento trabalho de conservação e limpeza. Dizia o guia que me acompanhava que alguns destes “artistas” podiam estar por ali dez ou mais anos a limpar meia dúzia de colunas! (2006)

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Luz - Templo em Edimburgo

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Edimburgo é uma das mais belas e interessantes cidades do mundo. Vários séculos, da alta Idade Média aos tempos contemporâneos, passando pelo Barroco e as Luzes, sem esquecer os mais activos dias da burguesia comercial do século XIX, deixaram marcas importantes na cidade. (1986)

domingo, 19 de setembro de 2010

Luz - Teatro La Fenice, Veneza

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É um dos mais famosos teatros de Ópera do mundo. Em 1996, a exemplo do que já tinha acontecido no século XIX, o teatro ardeu! Soube-se que foi fogo posto, mas nunca se descobriu o criminoso. Sei que foi reconstruído e novamente reaberto ao público em 2003, mas ainda o não conheço. No La Fenice, entre muitos outros, foi filmado parte de um dos mais maravilhosos filmes que vi, “Senso”, de Luchino Visconti. (1980)

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Luz - Tayloriana, Oxford

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A “Institutio Tayloriana” é a Faculdade de Letras e Línguas da Universidade de Oxford. (2004)

sábado, 11 de setembro de 2010

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

domingo, 5 de setembro de 2010

Luz - Rio Douro, de Gaia

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À esquerda, Gaia. Ao fundo, à direita, a ponte da Arrábida. Construída nos anos sessenta, projectada pelo famoso engenheiro Edgar Cardoso, foi, em seu tempo, uma obra reputada: era o mais vasto arco de betão esforçado (creio que é assim que se designa...) do mundo. (1985)

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Luz - Revista de carros, 28 de Setembro de 1974

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Foi o primeiro grande “apertão” da revolução que, gradualmente, deixava de ser democrática para se ir tornando socialista e comunista. Naquele dia, além de centenas de prisões sem culpa, foram feitas barricadas em vários pontos do país, especialmente Lisboa. Civis e militares colaboravam na revista, nesta imagem na Calçada de Carriche. Procuravam-se “bandidos” e “armas”. Neste sítio, ao fim do dia, os “vigilantes” tinham feito um espólio, que também fotografei: três varapaus, duas mocas, um cassetete, três garrafas de litro vazias (seria para fazer cocktails Molotov?), duas facas, um canivete de média dimensão e uma correia de bicicleta. Era com este armamento que a contra-revolução estava em marcha! (1974)

domingo, 29 de agosto de 2010

Luz - Recrutamento militar, EUA

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Numa agência de recrutamento para a Marinha americana. (1978)

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Luz - Portofino, Itália

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Era um dia de Primavera. O primeiro Sol apareceu. A maior parte dos presentes vinha de assistir à missa numa igreja ali perto. (1974)

domingo, 22 de agosto de 2010

Luz - Porto e Gaia, Ponte D. Luís

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No tabuleiro superior, ainda circulavam carros. Hoje, só o Metro. No rio, alguns barcos rabelos que já só fazem publicidade ao vinho do Porto. (1990)

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Luz - Port Meadow, Oxford

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É um enorme baldio, cerca de 400 hectares, uma “terra comum”, oferecida pelo Rei ao povo de Oxford há mais de 700 anos, com a condição de nada lá se construir e de servir para as pessoas e os animais da cidade e da região. Sete séculos depois, ainda lá está. Sem construções. Sem patos bravos. Limpo e cuidado. Visitado por milhares de habitantes durante todo ano. Ali se estuda, corre, anda de bicicleta, se faz correr os cães, se alimenta as vacas e as ovelhas, se anda de barco, se namora, se procura a solidão e se bebem cervejas... (1998)

domingo, 15 de agosto de 2010

Luz - Pormenor de templo

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Luxor, Egipto. (2006)

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Luz - Ponta Delgada

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O “Relvão”: é uma espécie de Jardim da Liberdade. Foi aqui que uma parte das tropas liberais acamparam enquanto se preparavam para a viagem de mar e o futuro desembarque no Mindelo. Ao que consta, ninguém, nem os generais ou o Rei, sabiam onde desembarcariam. (1990)

domingo, 8 de agosto de 2010

Luz - Perto do Muro de Adriano

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Entre a Escócia e a Inglaterra, o Imperador Adriano (ano 120 da nossa era) tentou fazer a paz. Pensou que era necessário separar os ingleses e romanos dos escoceses, povo atrevido, orgulhoso e revoltado. Como outros reis ou presidentes, escolheu a construção de um muro para evitar confrontos. A sua largura (ou comprimento) é de cerca de 120 km, de costa a costa. Ainda hoje sobram inúmeros troços desse muro, assim como instalações militares e civis. Certos locais são absolutamente maravilhosos. (1984)

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Luz - Parque perto do Crescent de Bath

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Um enorme parque imaculado. Ao fundo, à direita, o início dos edifícios que formam o Crescent de Bath, uma notável construção. (1996)

domingo, 1 de agosto de 2010

Luz - Palais Royal

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Em Paris, um dos meus jardins preferidos no mundo inteiro. (1998)

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Luz - Oxford

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Entrada para a Faculdade de Línguas (Institutio Tayloriana). Ao fundo, um pouco da fachada do Ashmolean Museum, o mais antigo museu do mundo. (2002)

domingo, 25 de julho de 2010

Luz - Ocupação de herdade, 1975

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Naquele Verão, num domingo, fui passear para o Alentejo. Perto do Gavião, a circulação estava interrompida. Havia agitação. Fiquei por ali umas horas a observar. Uma herdade estava a ser ocupada. Os varapaus não denunciam especial violência. Mas várias armas não enganam e mostram bem ao que se vinha. (1975)

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Luz - Numa estação de comboio, Inglaterra

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Estes rapazes estão à espera de um comboio. Não sei para onde iam, nem de onde vinham. Não me admiraria que se dirigissem a um qualquer campo de futebol. Fazer das suas... (1996)

domingo, 18 de julho de 2010

Luz - Nova Iorque, 1978

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Numa esquina de rua. (1978)

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Luz - Nova Iorque

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Vista tirada do Empire State Building. (1978)

domingo, 11 de julho de 2010

Luz - Nova Inglaterra, EUA

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É uma rua qualquer, de uma cidade qualquer, em Nova Inglaterra, nos Estados Unidos. (1978)

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Luz - Nossa Senhora do Sameiro

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Neste Santuário, os sinais da guerra colonial ainda eram evidentes anos depois de acabada. Aliás, ainda hoje, em muitos locais de fé e peregrinação, sobram imagens daqueles tempos e daqueles dramas. (1986)

domingo, 4 de julho de 2010

Luz - Nos banhos de Bath, Inglaterra

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Entrada para os “Banhos da Rainha”. Apesar da fachada bem mais recente, lá dentro, as instalações datariam do tempo dos Romanos, um exagero evidente, mas com alguma razão de ser. (1984)

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Luz - Nevão, Donelo

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Mesmo para um Duriense, é raro ver tanta neve sobre as vinhas! (2009)

domingo, 27 de junho de 2010

Luz - Nazaré

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Na Nazaré, as mulheres estão sempre à espera. (1975)

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Luz - Nas margens do Douro, Entre-os-rios

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Não muito longe deste local pacífico, aconteceu um dos maiores desastres da história recente do país: a queda do autocarro na ponte de Castelo de Paiva. (1978)

domingo, 20 de junho de 2010

O Cicerone de almas

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FEZ-NOS REGULARMENTE COMPANHIA durante décadas. Nos jornais, na televisão, nos cinemas... No espaço público. Aparecia sempre que se previa, mas surgia onde não era esperado. Levou muita gente pela mão. Na religião ou na política. Na pintura e no cinema. Nos livros e na música. Finalmente, nas cidades portuguesas. Mostrou-nos a sua vida, os filmes, os livros, os quadros e as cantatas da sua vida. Da sua e de outras vidas.

Uma expressão que ele utilizou uma vez, num seu texto, resume bem um programa, o seu, e uma vida, a sua: “Dar a ver...”. Parece que não fez outra coisa. Deu a ver ideias e formas, coisas e almas. Mas também caminhos, ora sensatos, ora irreverentes e inconformistas. Foi o que ele fez na política e no pensamento, nas artes e nas letras, no cinema e na música, entre amigos ou com os seus leitores.

Nos cineclubes, com jovens estudantes, a quem mostrava aquela que viria a ser uma das suas grandes artes. Na JUC (Juventude Universitária Católica) e no “Encontro”, onde procurou Deus e os homens e onde também teve desencontros. No “Tempo e o Modo”, no “Independente” e no “Público”, além de outros jornais, manteve colunas que rapidamente criavam fiéis encantados com a sua versatilidade, a sua cultura e a maneira como levava os seus leitores, quase de braço dado, a visitar Itália, a ouvir Bach ou a rever John Ford.

Durante anos, primeiro na Gulbenkian, depois na Cinemateca, deu a ver milhares de filmes e centenas de cineastas, oferecia aos cinéfilos umas “folhas de sala” inesquecíveis, onde, além da ficha técnica, deambulava pela arte e pela ficção, divagava sobre o belo ou o cruel, sobre as mulheres ou a aventura.

Trazia consigo a Itália toda, da mitologia ao Renascimento, da ópera ao cinema, para que sempre soube chamar os interessados. Conheço pessoas que visitaram igrejas, viram quadros e filmes, passearam por praças e ouviram música por causa do João, depois de terem lido mais uma crónica sua.

Dedicou-se à política, sobretudo antes do 25 de Abril, pela liberdade. Talvez isso explique a previsão que alguém fez um dia: quando vivermos em democracia, o João Bénard deixará de se ocupar de política. Antes disso, lutou pela democracia, contra a guerra, por una Igreja diferente e pela cultura.
Com a sua geração de estudantes e católicos, percorreu o caminho que levou tantos à democracia e à irreverência. Ficou-lhe desse tempo um especial jeito para combinar o moderno com o clássico, o razoável com a rebeldia.

Na política, andou com muitos, com todos os que queriam a democracia, mas talvez tenha sido mais socialista do que outra coisa. Sobra dos seus episódios políticos a percepção clara de um homem independente.

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Este volume inclui os discursos de João Bénard da Costa, Presidente da Comissão das Comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. Ele exerceu esse cargo durante dez anos. Morreu o ano passado e ainda hoje nos faz falta.

Nestas suas funções, celebrou o Porto, Beja, Setúbal, Aveiro, Viseu, Angra do Heroísmo, Bragança, Guimarães e Viana do Castelo... Em cada cidade encontrou a palavra justa, a evocação histórica, a história local e a personalidade ou a personagem adequada a recordar. Fê-lo sempre com excepcional graça e com a muita cultura que tinha, sem nunca recorrer ao lugar-comum, um dos seus mais odiados inimigos e um dos piores hábitos das cerimónias oficiais. E ainda encontrou tempo e oportunidade para prestar homenagem a amigos seus. Festejou Sophia e Eugénio de Andrade, Jorge de Sena e Agustina, Júlio Dinis e Camilo, sem esquecer Bocage, Camões e Pessoa. E não lhe foi necessário um grande esforço para, nesta volta às capitais de distrito, referir Buñuel e El Greco...

Nos seus discursos, agora reunidos, cantou a divisão e a unidade. Qualificando-as. A divisão de opiniões (“Divididos - bendito seja Deus! - por diversas opções religiosas, ideológicas e políticas”) e a unidade de cidadãos (“...é bom que haja adversários. Mas não há inimigos”.).

Criou uma fórmula feliz com que terminava os seus discursos: “Senhor Presidente da República: muito obrigado por me ter dado a palavra. Minhas Senhoras e Meus Senhores: muito obrigado por me terem escutado”. Tenho saudades de o ouvir dizer isto mesmo.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Luz - Miúdos de bairro

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Perdi horas a tentar descobrir ou lembrar-me do sítio desta imagem. Não consigo. Talvez no Porto... Só a homenagem da T-Shirt aos BeeGees fornece uma indicação. Mas podia ser em qualquer sítio do mundo... (1979)

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades

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Senhor Presidente da República,
Senhor Presidente da Assembleia da República,
Senhor Primeiro-Ministro,
Senhor Presidente do Supremo Tribunal de Justiça,
Senhor Presidente do Tribunal Constitucional,
Senhores Ministros,
Senhores Deputados,
Senhores Embaixadores,
Senhor Presidente da Câmara Municipal de Faro,

Senhoras e Senhores,

O DIA DOS PORTUGUESES ou, oficialmente, o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, comemorado em 2010, tem um significado especial. Na verdade, assistimos esta manhã a um desfile das nossas Forças Armadas precedido de uma extensa delegação de Veteranos, de Antigos Combatentes, mais singelamente de combatentes dos exércitos em todas as guerras e conflitos em que Portugal esteve envolvido desde meados do século XX.

Ao ver desfilar umas dezenas de antigos combatentes, de todos os teatros de acção militar em que Portugal participou, não sentimos vontade nem necessidade de lhes perguntar pela guerra, pela crença ou pela época. Sentimos apenas obrigação de, pelo reconhecimento, pagar uma dívida. Sentimos orgulho por saber que é a primeira vez na história que tal acontece e que está aberta a via para a eliminação de uma divisão absurda entre Portugueses. Com efeito, é a primeira vez que, sem distinções políticas, se realiza esta homenagem de Portugal aos seus veteranos.

Centenas de milhares de soldados portugueses combateram em nome do seu país, do nosso país, desde os inícios do século XX até à actualidade. Já não há sobreviventes do Corpo Expedicionário Português enviado para Flandres, na 1ª Grande Guerra Mundial, nem das forças que, no mesmo conflito, lutaram em África. O último veterano dessa guerra, José Maria Baptista, morreu a 14 de Dezembro de 2002. Depois daquele conflito, as guerras foram, durante décadas, poupadas aos Portugueses. Só a partir de finais dos anos 1950 os soldados e outras forças militarizadas voltaram a encontrar-se em situações de combate aberto, primeiro no então Ultramar português, depois em múltiplos teatros de guerra, em associação com forças armadas dos nossos aliados da NATO e da União Europeia e em missões organizadas sob a égide das Nações Unidas. Independentemente das opiniões de cada um, para o Estado português todos estes soldados foram Combatentes, são hoje Antigos Combatentes ou Veteranos, mas, sobretudo, são iguais. Não há, entre eles, diferenças de género, de missão ou de função. São Veteranos e foram soldados de Portugal. É assim que deve ser.
Em Portugal ou no estrangeiro, no Continente ou no Ultramar, na Metrópole ou nas Colónias, as Forças Armadas portuguesas marcaram presença em vários teatros de guerra e em diversas circunstâncias. Militares portugueses lutaram em terra, no mar ou no ar, cumpriram os seus deveres e executaram as suas missões. Em Goa, em Angola, em Moçambique, na Guiné, no Kosovo, em Timor ou no Iraque. Todos fizeram o seu esforço e ofereceram o seu sacrifício, seguindo determinações políticas superiores. As decisões foram, como deve ser, as do Estado português e do poder político do dia. Mas há sempre algo que ultrapassa esse poder. O sacrifício da vida implica algo mais que essa circunstância: é, para além das vicissitudes históricas e dos ciclos de vida política, a permanência do Estado.

Os soldados cumprem as suas missões por diversos motivos. Por dever. Por convicção. Por obrigação inescapável. Por desempenho profissional. Por sentido patriótico, político ou moral. Só cada um, em sua consciência, conhece as razões verdadeiras. Mas há sempre um vínculo, invisível seja ele, que o liga aos outros, à comunidade local ou nacional, ao Estado. É sempre em nome dessa comunidade que o soldado combate.

Na verdade, em todos os episódios de guerra referidos e noutros mais, há fenómenos de natureza diversa. Houve decisões políticas de carácter exclusivamente nacional, mas também houve actos de colaboração em missões multinacionais, como houve decisões estratégicas colectivas das alianças de que Portugal é membro. Também conhecemos decisões políticas tomadas em vários quadros: com e sem legitimidade democráticas, com e sem referenda parlamentar. E até, finalmente, situações em que o Parlamento fica aquém daquela que deveria ser a sua função. Com efeito, a Constituição e as leis não obrigam, infelizmente, a que as missões no estrangeiro sejam aprovadas pelo Parlamento. Apenas admitem o “acompanhamento do envolvimento” militar no estrangeiro, o que nem sempre é rigorosamente cumprido.

A análise destas diferenças pode ser importante do ponto de vista político, histórico e intelectual. Mas, no plano do reconhecimento de um povo, do respeito devido e do esforço do soldado, essas distinções são secundárias ou inúteis. Foram, simplesmente, militares portugueses que tudo deram ou tudo arriscaram. É esse o reconhecimento devido.

Um antigo combatente não pode nem deve ser tratado de colonialista, fascista, democrata ou revolucionário de acordo com conveniências ou interesses menores. A sua origem, a sua classe social, a sua etnia, as suas crenças ou a sua forma de vínculo às Forças Armadas são, a este propósito, indiferentes: foram, simplesmente, soldados portugueses.

Pelo sacrifício, pela duração e pelas implicações políticas, as guerras do Ultramar foram evidentemente as que mais marcaram as gerações das últimas décadas. Mas, ao longo dos trinta anos de democracia e de compromissos internacionais, muitas centenas ou milhares de cidadãos portugueses estiveram presentes em teatros de guerra e em missões de protecção da paz ou de mediação. Novos sacrifícios foram feitos, vidas foram interrompidas, carreiras e famílias suspensas.

Todos esses militares, os de Luanda ou do Líbano, os da Guiné ou da Bósnia, merecem o nosso respeito. São antigos combatentes. São Veteranos. São soldados que cumpriram os seus deveres e que, com excepção dos que tenham moralmente abusado das suas funções, merecem a nossa homenagem. Não há lugar, não deve haver lugar para diferenças entre esses Veteranos. Não há Veteranos melhores ou piores do que outros. Não há Veteranos que mereçam aplauso e Veteranos a quem se reserve o esquecimento. Não há Veteranos ou Antigos Combatentes fascistas ou democráticos, socialistas ou comunistas, reaccionários ou revolucionários. Não há Veteranos de antes ou de depois do 25 de Abril. Não há Antigos Combatentes milicianos ou de carreira ou contratados. Há Veteranos e Antigos Combatentes, ponto final! É o que nós lhes devemos. Nós, todos, os que fizeram ou não, os que concordaram ou não com as guerras, sem distinção de época, de governo ou de cor política.

Portugal não trata bem os seus antigos combatentes, sobreviventes, feridos ou mortos. É certo que há, aqui e ali, expressão de gratidão ou respeito, numa unidade, numa autarquia, numa instituição, numa lei ou numa localidade. Mas, em termos gerais e permanentes, o esquecimento ou a indiferença são superiores. Sobretudo por omissão do Estado. Dos aspectos materiais aos familiares, passando pelos espirituais e políticos, o Estado cumpre mal o seu dever de respeito perante aqueles a quem tudo se exigiu.

Em cada momento, em cada conflito, houve quem tivesse ideias diferentes e se opusesse à intervenção militar. Uns, mesmo nessas condições, cumpriram as ordens oficiais, outros recusaram-se. Por oportunidade, por convicção política, por uma interpretação diferente do interesse nacional, houve refracção e objecção. Em certos casos, pensava-se que as operações militares não tinham sido referendadas pelo povo soberano ou eram contrárias à ética e ao interesse nacional. Noutros casos, faltava o assentimento parlamentar. Aliás, o acompanhamento parlamentar do envolvimento militar é deficiente, apesar de estatuído pela Constituição.

Houve soldados que combateram sob um regime autoritário, outros em regime democrático. Houve soldados que combateram integrados em forças nacionais, outros em forças aliadas ou internacionais. Como houve soldados que, de outras origens étnicas então e tendo hoje nacionalidade diferente, serviram nas Forças Armadas portuguesas.

Em 1974, jovens militares decidiram derrubar o regime autoritário e dar uma oportunidade à democracia. Outros tentaram estabelecer um novo regime político que eventualmente limitaria as liberdades. Outros ainda ficaram independentes e equidistantes. Enquanto outros, finalmente, teriam preferido continuar sob o regime anterior. Prefiro os primeiros, os que ajudaram a fundar o Estado democrático. Mas, pelo sacrifício das suas vidas e pelo cumprimento dos seus deveres, respeito-os todos.

Qualquer guerra ou envolvimento militar é controverso e suscita opiniões diversas e contraditórias. É assim no Afeganistão ou no Iraque. Foi assim no Ultramar. Como também na Flandres, nas Linhas de Torres ou em Aljubarrota. Essas divergências podem ser legítimas e compreensíveis. Traduzem ideias, interesses, convicções e doutrinas diferentes. Assim como versões diversas do interesse nacional. Mas isso não justifica a ausência de respeito por aqueles que combateram, que correram riscos, que ficaram feridos ou deram a sua vida.

As diferenças de opinião e de crença não devem impedir de respeitar todos os que fizeram a guerra, com convicção ou por obediência ao poder político, desde que, evidentemente, o tenham feito sem abuso. Merecem as pensões que lhes são devidas. Merecem atenção e cuidado. Merecem um Dia do Combatente oficialmente estabelecido. Merecem que as suas associações sejam consideradas de utilidade pública. Merecem estar presentes nas cerimónias públicas e oficiais. Mas sobretudo merecem respeito.

Os Portugueses são parcos em respeito pelos seus mortos e até o Estado não é muito explícito no cumprimento desse dever. Pois bem: está chegada a altura de eliminar as diferenças entre bons e maus soldados, entre Veteranos de nome e Veteranos anónimos, entre recordados e esquecidos. Pela Pátria ou pelo seu País, pelo Estado ou pela sua profissão, foi pela sua comunidade nacional que todos eles combateram e se sacrificaram.

É possível que o comportamento do Estado, a atitude de políticos e os sentimentos de cidadãos para com os militares sejam determinados, em parte, pela avaliação que se faz do modo como deram ou retiraram apoio a certos dirigentes e a certas formas de regime. Não se nega o facto. Mas, perante o antigo combatente, recusa-se o juízo de valor.

Aos Veteranos e antigos Combatentes que hoje estiveram connosco pela primeira vez, nada se lhes pede. Nada devem aos seus contemporâneos. Nós é que estamos em dívida para com eles. São o Estado e a sociedade que lhes devem algo. O que lhes pedimos hoje foi muito simples: aceitem a homenagem que o Estado e os Portugueses vos prestaram! Não estamos aqui a festejar a guerra, mas sim os soldados! E não há melhor dia, do que o Dia de Portugal, para o fazer.
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Faro, 10 de Junho de 2010

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Luz - Mesquita, Istambul

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Preparando-se para as orações, três homens lavam os pés. Uma mulher passa. (2005)

domingo, 6 de junho de 2010

Luz - Manif, Genebra

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Na Suíça, a polícia defende bem os seus bancos! (1973)

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Luz - Manif anticolonialista, Genebra

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Manifestação de solidariedade com os democratas espanhóis, portugueses e chilenos e de apoio à independência das colónias. (1973)

domingo, 30 de maio de 2010

Luz - Machu Pichu, Peru

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Mais do que uma das “maravilhas do mundo”, Machu Pichu é uma demonstração do génio humano e do esforço inacreditável que se pode fazer para viver. Construída a 2500 metros de altitude, fica a cerca de 80 km de Cusco, a capital do Império Inca. A sua construção ter-se-á iniciado em 1400, mas a cidade foi abandonada pouco depois, talvez um século mais tarde, com a conquista do Peru pelos espanhóis. Num dos pontos da cidade, uma enorme rocha, levada até lá a força de braço (os Incas não conheciam a roda...), serviria para, um dia, amarrar o Sol, a que se lançaria uma enorme corda! A cidade esteve vários séculos praticamente desconhecida, até ser redescoberta, em 1911, por um arqueólogo e historiador americano Hiram Bingham.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Luz- Luxor, Egipto

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Colunas decoradas a queimar de sol. E figuras humanas sempre à procura da sombra. (2006)

domingo, 23 de maio de 2010

Luz - Londres, 1971

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Jesus Christ superstar! Foi uma das revoluções musicais. Cujas consequências culturais foram muito mais além da música. (1971)

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Luz - Lisnave, reparação naval

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Idealizada nos anos sessenta, a pensar no petróleo de Angola, nas rotas de petroleiros pelo Atlântico (quando o Canal do Suez estava fechado) e na escala colossal dos petroleiros (previam-se que ultrapassariam 1 milhão de toneladas!), a Lisnave foi uma verdadeira jóia da Coroa, para utilizar o lugar-comum. Depois, tudo correu mal. Angola ficou independente. O Suez reabriu. Os desastres marítimos, os acidentes ecológicos e as preocupações ambientais obrigaram a construir petroleiros mais pequenos. A famosa doca seca de 1 milhão de toneladas ficou sem uso directo, era necessário colocar vários barcos ao mesmo tempo. A revolução e o radicalismo dos operários da Lisnave ajudaram ao fim. Depois de aventuras estranhas, a Lisnave sobrevive, mas em Setúbal, onde parece ter de novo actividade próspera. Mas ali, na Margueira, sobram os restos de um sonho e de uma ambição desmedida. Creio que não completou vinte anos de actividade. (1980)

domingo, 16 de maio de 2010

Luz - Lisnave

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Os estaleiros da Lisnave, hoje totalmente abandonados, à espera de operações de urbanização, especulação, requalificação ou lá o que seja, ofereciam oportunidades formidáveis para fotografia. Pela cor, pela escala gigante de quase tudo e pelo trabalho humano que lidava com aqueles monstros. Vi-os muitas vezes a trabalhar 24 horas por dia, iluminados de noite como se fosse de manhã. Ali se formou uma das mais coesas e aguerridas (e bem pagas...) comunidades operárias dos tempos modernos. Quando “os da Lisnave” atravessavam o Tejo para ir manifestar a Lisboa, os poderes tremiam! (1980)

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Luz - Jacarandás

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“Os Jacarandás da Avenida D. Carlos I, vistos do último andar do edifício do Café República, em 2009.
É isto que vamos ter dentro de uma ou duas semanas”

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Esta semana, os Jacarandás floriram! E de que maneira! Já estão bem visíveis na Avenida D. Carlos I, um dos seus principais santuários, mas também no Largo de Santos, em Belém e no Parque Eduardo VII.
Há vinte anos que, nestas páginas, assinalo este momento mágico da vida lisboeta. Não estando actualmente a escrever a minha crónica, solicito-lhe um pouco de espaço para poder manter-me fiel!
Ainda por cima, em tempos de mentira, reviravolta e ocultação, é bom perceber que há coisas eternas, cuja repetição sazonal nos dá a garantia de que a vida nos oferece permanência e lealdade!

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Luz - Lisboa, Av. Almirante Reis

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Parte da decoração ainda lá estava há pouco tempo. (1980)

domingo, 9 de maio de 2010

Luz - Lançador de pião, Porto

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À beira da Sé do Porto, antes das obras de há dez anos, um artista exibe os seus talentos. (1979)

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Luz - Itália, Vésperas de referendo

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Corria a campanha para o referendo sobre o divórcio. As leis respectivas, aprovadas dois ou três anos antes, foram contestadas por grande grupos de cidadãos e por vários partidos. O referendo destinava-se a confirmar ou revogar as leis. Os favoráveis ao divórcio ganharam. Este casal de namorados deveria estar a pensar noutra coisa. (1974)

domingo, 2 de maio de 2010

Luz - Istambul, rapariga e foto de Ataturk

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Numa longa e barulhenta avenida, ao longo deste muro de muitas centenas de metros, há dezenas de fotografias enormes, a preto e branco, com uma espécie de resumo da vida pública do herói nacional, Kemal Attaturk. Terá sido ele o responsável pela “modernização” e pela “ocidentalização” da Turquia. Ainda hoje, graças a ele e às suas leis (mas também às Forças Armadas que detém um imenso poder), o Estado é oficialmente “laico”. (2005)

quinta-feira, 29 de abril de 2010

segunda-feira, 26 de abril de 2010

domingo, 25 de abril de 2010

Luz - Genebra, Le Lignon

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Nos anos sessenta, este tipo de construção fazia furor. Apesar de algumas más experiências em França (os famigerados HLM, “Habitation à loyer modéré”) muitas cidades europeias replicavam, com ajustes e correcções, o modelo. Em Genebra, neste sítio chamado Le Lignon, fez-se um enorme conjunto destinado à classe média. Não se pode dizer que o resultado seja de uma grande felicidade. (1970)

terça-feira, 20 de abril de 2010

segunda-feira, 19 de abril de 2010