quinta-feira, 27 de maio de 2010

Luz- Luxor, Egipto

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Colunas decoradas a queimar de sol. E figuras humanas sempre à procura da sombra. (2006)

domingo, 23 de maio de 2010

Luz - Londres, 1971

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Jesus Christ superstar! Foi uma das revoluções musicais. Cujas consequências culturais foram muito mais além da música. (1971)

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Luz - Lisnave, reparação naval

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Idealizada nos anos sessenta, a pensar no petróleo de Angola, nas rotas de petroleiros pelo Atlântico (quando o Canal do Suez estava fechado) e na escala colossal dos petroleiros (previam-se que ultrapassariam 1 milhão de toneladas!), a Lisnave foi uma verdadeira jóia da Coroa, para utilizar o lugar-comum. Depois, tudo correu mal. Angola ficou independente. O Suez reabriu. Os desastres marítimos, os acidentes ecológicos e as preocupações ambientais obrigaram a construir petroleiros mais pequenos. A famosa doca seca de 1 milhão de toneladas ficou sem uso directo, era necessário colocar vários barcos ao mesmo tempo. A revolução e o radicalismo dos operários da Lisnave ajudaram ao fim. Depois de aventuras estranhas, a Lisnave sobrevive, mas em Setúbal, onde parece ter de novo actividade próspera. Mas ali, na Margueira, sobram os restos de um sonho e de uma ambição desmedida. Creio que não completou vinte anos de actividade. (1980)

domingo, 16 de maio de 2010

Luz - Lisnave

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Os estaleiros da Lisnave, hoje totalmente abandonados, à espera de operações de urbanização, especulação, requalificação ou lá o que seja, ofereciam oportunidades formidáveis para fotografia. Pela cor, pela escala gigante de quase tudo e pelo trabalho humano que lidava com aqueles monstros. Vi-os muitas vezes a trabalhar 24 horas por dia, iluminados de noite como se fosse de manhã. Ali se formou uma das mais coesas e aguerridas (e bem pagas...) comunidades operárias dos tempos modernos. Quando “os da Lisnave” atravessavam o Tejo para ir manifestar a Lisboa, os poderes tremiam! (1980)

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Luz - Jacarandás

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“Os Jacarandás da Avenida D. Carlos I, vistos do último andar do edifício do Café República, em 2009.
É isto que vamos ter dentro de uma ou duas semanas”

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Esta semana, os Jacarandás floriram! E de que maneira! Já estão bem visíveis na Avenida D. Carlos I, um dos seus principais santuários, mas também no Largo de Santos, em Belém e no Parque Eduardo VII.
Há vinte anos que, nestas páginas, assinalo este momento mágico da vida lisboeta. Não estando actualmente a escrever a minha crónica, solicito-lhe um pouco de espaço para poder manter-me fiel!
Ainda por cima, em tempos de mentira, reviravolta e ocultação, é bom perceber que há coisas eternas, cuja repetição sazonal nos dá a garantia de que a vida nos oferece permanência e lealdade!

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Luz - Lisboa, Av. Almirante Reis

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Parte da decoração ainda lá estava há pouco tempo. (1980)

domingo, 9 de maio de 2010

Luz - Lançador de pião, Porto

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À beira da Sé do Porto, antes das obras de há dez anos, um artista exibe os seus talentos. (1979)

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Luz - Itália, Vésperas de referendo

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Corria a campanha para o referendo sobre o divórcio. As leis respectivas, aprovadas dois ou três anos antes, foram contestadas por grande grupos de cidadãos e por vários partidos. O referendo destinava-se a confirmar ou revogar as leis. Os favoráveis ao divórcio ganharam. Este casal de namorados deveria estar a pensar noutra coisa. (1974)

domingo, 2 de maio de 2010

Luz - Istambul, rapariga e foto de Ataturk

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Numa longa e barulhenta avenida, ao longo deste muro de muitas centenas de metros, há dezenas de fotografias enormes, a preto e branco, com uma espécie de resumo da vida pública do herói nacional, Kemal Attaturk. Terá sido ele o responsável pela “modernização” e pela “ocidentalização” da Turquia. Ainda hoje, graças a ele e às suas leis (mas também às Forças Armadas que detém um imenso poder), o Estado é oficialmente “laico”. (2005)

quinta-feira, 29 de abril de 2010

segunda-feira, 26 de abril de 2010

domingo, 25 de abril de 2010

Luz - Genebra, Le Lignon

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Nos anos sessenta, este tipo de construção fazia furor. Apesar de algumas más experiências em França (os famigerados HLM, “Habitation à loyer modéré”) muitas cidades europeias replicavam, com ajustes e correcções, o modelo. Em Genebra, neste sítio chamado Le Lignon, fez-se um enorme conjunto destinado à classe média. Não se pode dizer que o resultado seja de uma grande felicidade. (1970)

terça-feira, 20 de abril de 2010

segunda-feira, 19 de abril de 2010

domingo, 18 de abril de 2010

Luz - Gardhaia, Argélia, Jogadores de dominó

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Gardhaia fica no M’Zab, um oásis no Sarah. É um conjunto de seis aldeias, rodeadas de muralhas, uma espécie de local de passagem entre o Norte e o Sul do deserto. Durante o dia, as temperaturas oscilavam entre os 35 e os 50 graus! Só em sítios como este se suportava o calor. (1972).

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Luz - Foz do Douro, Porto

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Aqui, entre o Castelo do Queijo e Matosinhos, era a praia Internacional da minha juventude. Depois de muitos anos de degradação do local (ainda se vê uma ruína...), um colossal arranjo foi feito, abrindo caminhos pedonais, pistas de bicicleta e acessos ao mar ou ao Parque da Cidade longe dos automóveis. Serão talvez precisos alguns anos para dar uso ao local e para deixar crescer árvores. Entretanto, aos fins-de-semana e a horas de lazer, as pessoas vêm em grande número. (2004)

domingo, 11 de abril de 2010

Luz - Estudante em Bath

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A caminho ou de regresso do colégio. A arquitectura de Bath é extraordinária. Há “crescents” em vários sítios da cidade, uns monumentais e abertos para grandes espaços, outros integrados na malha urbana. (1995)

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Luz - Estátua de Ramsés, Memphis

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O guarda do museu medita ou dormita. Um raio de luz trouxe à vida o estranho e doce sorriso do Faraó. (2006)

domingo, 4 de abril de 2010

Luz - Estados Unidos

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Algures, numa cidade de Nova Inglaterra, uns americanos almoçam “fast food”. Como milhões outros, todos os dias, a todas as horas, por todo o país. (1978)

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Luz - Espanta pássaros, São Miguel, Açores

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À distância, a imagem era simplesmente estranha. Um dispositivo especial para afastar a passarada das sementes e dos cultivos. À medida que me aproximava, fiquei horrorizado! Eram enormes gaivotas, mortas e pregadas em suportes de madeira. Uma espécie de dissuasor pelo terror! (1988)

domingo, 28 de março de 2010

Luz - Escadaria em Lisboa

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Sinceramente, não me lembro desta fotografia. Já lá vão muitos anos. E não tive tempo para ir verificar. Creio que é uma bela escadaria, como as há várias em Lisboa, ali perto da Bica, paralela à calçada percorrida pelo elevador. Sai da Rua de São Paulo e vai por ali acima. Bonita. Interessante. Mal cuidada na altura. Vale a pena lá voltar para ver como está hoje. (1981)

quinta-feira, 25 de março de 2010

Luz - Egipto, Luxor

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Fui visitar o Egipto muito tarde na minha vida. Sonhava com a viagem há anos. Finalmente, decidi-me. Com excepção da vida urbana do Cairo, não tive uma desilusão, uma decepção. Há poucos sítios no mundo onde o que se encontra nunca fica abaixo do que se espera. O Egipto é um desses sítios. (2006)

domingo, 21 de março de 2010

Luz - Douro, Vindima


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Este homem, a lavar as pernas, acaba de sair de um lagar, onde esteve a pisar uvas. (1979)

quinta-feira, 18 de março de 2010

Luz - Douro, Homens aos cestos

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Vão descarregar os cestos nos lagares da Quinta de Espinho, algures no Vale do Rodo, entre a Régua e Santa Marta de Penaguião. (1979)

domingo, 14 de março de 2010

Luz - Douro, cestos vindimos

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Estes cestos já acabaram. Há mais de dez anos que não os vejo a uso. Cheios de uvas pesavam 60 a 70 quilos. Com isto às costas, colina acima ou encosta abaixo, os homens faziam aqui um dos mais penosos trabalhos de toda a agricultura portuguesa. (1984)

quinta-feira, 11 de março de 2010

Luz - Debulha do trigo, Castela

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Nos planaltos de Castela, entre Burgos e Léon. Em 1971, vivia eu exilado na Suíça, decidi visitar os meus Pais e irmãos. Marquei férias para a Galiza, eles foram lá ver-me. Ao regressar a Genebra, de carro, reparei numa região onde os costumes ainda vinham dos séculos passados. (1971)

segunda-feira, 8 de março de 2010

Vinte anos depois...

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Uma vez na vida... Sempre foi uma ambição: ser director de um jornal! Por um dia, a direcção do Público concretizou esse desejo adolescente. A ideia de que ser director de jornal permite ter influência é aliciante. Informar, ajudar a pensar, corrigir o erro, promover a decência e a cultura, defender a liberdade e denunciar os abusos parecem ser tarefas fáceis, desde que se possa dirigir um jornal. O sonho é simples. Depois, tudo se complica. É necessário negociar com a realidade, a publicidade, o accionista e a redacção. É preciso acertar, ser isento, saber com quem se fala, perceber as aspirações dos leitores, convencer e argumentar. Após quarenta anos de colaboração em jornais, vinte dos quais no Público, percebi os limites do ofício. Mas é, em qualquer circunstância, uma extraordinária profissão e uma excepcional missão. Informar com independência, ajudar a pensar e contribuir para a liberdade dos cidadãos é um formidável programa.

Apesar de defeitos e de erros, este jornal distingue-se, hoje e nestes vinte anos, pela qualidade e pela seriedade. Deve o seu papel aos directores mais duradouros, Vicente Jorge Silva e José Manuel Fernandes (sem esquecer os episódicos Francisco Sarsfield Cabral e Nicolau Santos, nem a recém-chegada Bárbara Reis), assim como aos vários membros da direcção editorial, alguns dos quais ainda por aqui andam vinte anos depois. Mas também é devedor do extraordinário accionista que garantiu, com elevados custos financeiros e políticos, meios e independência durante duas décadas.
Desde o seu aparecimento, o Público ilustrou-se por algumas características, entre as quais a inovação e a responsabilidade. Viveu anos de desenvolvimento e consolidação, mas também de crise e instabilidade. Os seus jornalistas não foram infalíveis, mas a criação de uma equipa coesa é um feito de um percurso relevante. O rigor e a seriedade não se festejam: constituem o dever do jornal e dos jornalistas. Mas, num país complacente, cumprir o dever é já assinalável. É todavia indispensável pensar que esses atributos não nos são exclusivos. O que pode fazer a diferença e a força de um grande jornal é a sua independência.
Toda a imprensa escrita está ameaçada. O Público não escapa. A digitalização e a informação instantânea são as responsáveis. Todos os prognósticos, optimistas ou catastróficos, têm alguma razão. Ninguém, realmente ninguém sabe o que irá acontecer dentro de poucos anos. Teremos ainda jornais? Serão estes apenas recordações ou “nichos” do mercado para uns tantos incorrigíveis? Conhecerão novas formas? Uma coisa é certa: a liberdade de expressão, o acesso à informação e a criação cultural estão em causa. Se os homens e as mulheres do nosso tempo estiverem atentos, poderá ser para o melhor. Mas não é certo...

Este número do jornal respeita a agenda de um diário e as regras de uma rotina essencial. Mas tentei acrescentar colaborações e investigações com um denominador comum: os últimos vinte anos, os mesmos que constituem a vida do Público. Foram anos que deixaram marcas, tanto na vida nacional como no mundo. A economia cresceu como jamais, a crise financeira explodiu como nunca. Mais de duma dúzia de guerras, com relevo para a antiga União Soviética, o Ruanda, o Uganda, o Congo, o Sudão, a Somália, a antiga Jugoslávia, a NATO, os Estados Unidos, o Iraque e o Afeganistão, fizeram milhões de mortos, de deslocados, de refugiados e de órfãos. Ao mesmo tempo, por esse mundo fora, a corrida ao estatuto de democrata, com e sem reais méritos, impressionou os mais cépticos. A globalização consolidou-se, abrindo fronteiras e nações e ajudando centenas de milhões de esfomeados a sobreviver, mesmo se em situação de quase trabalho forçado. Mas essa mesma globalização destruiu empresas e comunidades, vidas e esperanças, assim como contribuiu para a expansão de duas chagas perenes: a SIDA e o terrorismo. Sonhos aparentemente impossíveis realizaram-se: terminou a guerra fria e acabaram o comunismo e o apartheid. Mas vivemos hoje sob permanente ameaça, o que é bem visível na segurança pública, nos sistemas de vigilância, nos cuidados com os viajantes de avião, nas escutas telefónicas, na intrusão à vida privada... Computadores, Internet, telemóveis e redes sociais transformaram a vida de toda a gente em menos de vinte anos. Ao mesmo tempo que multiplicaram as vias e os instrumentos de informação e demoliram fronteiras e obstáculos à difusão, aquelas tecnologias e os novos hábitos mostraram também que poderiam constituir-se em novos condicionamentos de controlo. A futilidade parece reinar nas nossas vidas. A informação orientada e racionada é hoje uma prática corrente. Por isso, nunca, como hoje, a profissão de jornalista foi tão decisiva para a liberdade e a autonomia dos cidadãos. Poderes públicos e grupos privados têm ao seu alcance um inacreditável arsenal de meios e instrumentos para condicionar, dosear e embalar os factos, para já não dizer disfarçar e alterar a verdade. Uma vez mais, a grande arma de defesa dos cidadãos é a independência da informação.

Em Portugal, foram igualmente vinte anos de enormes consequências. De mudanças. De novas incertezas. Com a ajuda da liberdade e da Europa, os Portugueses progrediram indiscutivelmente. Mas também perceberam que as décadas de prosperidade e de progresso chegavam ao fim. Desde o início do século XXI, Portugal começou a perder terreno perante os seus parceiros. Ao lado de alguns melhoramentos notáveis, como na Saúde pública, sectores inteiros, como a Justiça e a Educação, afundam-se na crise crónica, na incapacidade de mudança, no desperdício ou na mediocridade. A Justiça, muito em particular, transformou-se no pesadelo de todos, na impotência dos cidadãos, na hipoteca das liberdades e na incerteza do Direito e dos direitos. A Ciência teve uma expansão notabilíssima, mas o ensino superior viu-se relegado para uma posição inferior e as Universidades foram menorizadas. Os Portugueses, ricos em aspirações, deixaram de conhecer limites à sua ambição, em muito superior às suas capacidades. Estimulados por governos sequiosos de apoio nas sondagens, gastaram o que tinham e não tinham, a ponto de, como alguém disse, parecerem não ter filhos: vivem hoje carregados de dívidas. Melhor, sem qualquer dúvida, do que há vinte anos. Mas pior do que há dez. Quase perdemos a agricultura, a floresta e o mar, recursos naturais de alto valor, mas desperdiçados pela facilidade da vistosa obra pública. O produto e o valor acrescentado, com origem nos recursos naturais e na indústria transformadora, cifram-se em cerca de um terço do valor nacional: esta a mais aterradora deficiência das nossas capacidades. O défice externo de bens e pagamentos, o endividamento e o serviço da dívida só têm solução se forem servidos pela disciplina, pelo trabalho, pelo sacrifício e pela credibilidade política. Actualmente, são todos insuficientes.

Ninguém ou quase ninguém está isento de responsabilidades na situação a que chegámos: Governo, autarquias, empresas e cidadãos. Mas, se é necessário o esforço de todos, é evidentemente para as elites políticas e económicas que olhamos com mais insistência. Delas não depende tudo, mas, sem elas, não haverá orientação do esforço nem desenho do rumo a seguir. Ora, francamente, não parecem hoje estar à altura das necessidades e da urgência. Delas se exige uma excepcional capacidade de entendimento e de sacrifício das suas pequenas vaidades. É bom que saibam que há já quem duvide que seja possível resolver os nossos problemas com democracia. Se, além de ficarmos mais pobres, perdemos liberdades, então o drama será completo.

«Público» (Editorial) de 5 Mar 10

domingo, 7 de março de 2010

Luz - Crianças e Nannies, Hungerford

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Algures, a Sul de Oxfordshire, Inglaterra. (1986)

quinta-feira, 4 de março de 2010

Luz - Cour Carrée, Louvre, Paris

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É um dos pátios do Louvre. Pouco frequentado por turistas e visitantes dos museus, aqui se respira um ar especial. É muito particular o som dos passos e das vozes. O sítio convida ao silêncio. Nas suas últimas vontades, André Malraux deixou o pedido para que as cerimónias fúnebres oficiais (ele tinha a certeza que as haveria...) se desenrolassem aqui. Assim foi. (1999)

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Luz - Claustros de um College de Oxford

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Muitos colégios de Oxford são maravilhosos edifícios com datas de construção (ou de início) que podem ir até aos séculos XIV e XV. Muitos têm enormes jardins e parques. Pertencem a uma universidade que cultiva a ideia de “comunidade académica”. (1995)

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Luz - Christ Church, College de Oxford

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Este é um dos mais antigos, ricos e belos colégios de Oxford. Foi a este colégio que pertenceu o professor Lewis Carroll, criador da Alice. Esta menina era filha de uns pequenos comerciantes, cujo quiosque ainda lá está, do outro lado da rua. A sala de jantar deste colégio é a famosa sala onde foram filmadas numerosas cenas dos filmes do Harry Potter, que não vi nem li, mas que transformaram o colégio num local de atracção turística incrível. (1998)

domingo, 21 de fevereiro de 2010

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Luz - Chegada de um barco vindo do Ultramar

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Trata-se do “Niassa”, já ancorado no cais da Rocha do Conde de Óbidos. Regressa de África, com alguns dos últimos soldados portugueses. Jamais esquecerei a chegada deles e de “Retornados”, ao cais ou ao aeroporto, em 1974 e 1975. Fui ver em vários momentos. Quando se tratava de “Retornados”, eram cenas dramáticas de desespero e desenraizamento. Com os soldados, o ambiente era diferente: alegria e alívio, entre eles e seus familiares que os esperavam durante horas. (1974)

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Luz - Centro Cultural de Belém, Lisboa

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Está à espera? A vigiar? A esconder-se? Tem medo? Quer fazer uma surpresa? (1996)

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Luz - Cemitério em Inglaterra

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Os cemitérios ingleses são, geralmente, o contrário dos nossos. Poucos mausoléus, relva por todo o lado, placas e pedras funerárias por aqui e por ali, sem ordem aparente, enormes e belíssimas árvores. Há quem vá para ali ler, ouvir música, descansar e até namorar. (1991)

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Luz - Cemitério dos Prazeres, Lisboa

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Há cemitérios que merecem ser visitados por outras razões que não sejam a saudade dos mortos. O dos Prazeres, em Lisboa, é um deles. Quanto mais não seja, por este fantástico nome: dos Prazeres! Quando recebo amigos estrangeiros, nunca me esqueço de os levar lá, de lhes mostrar os mausoléus loucos que lá estão, de sublinhar a vista para o Tejo e sobretudo de lhes traduzir o nome. “Pleasures”! “Plaisirs”! Não há melhor nome para local como este! (1989)

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Luz - Carruagem de comboio, Linha do Corgo

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A linha ia da Régua a Chaves, passando por Vila Real, Vila Pouca de Aguiar, Pedras Salgadas e Vidago. Foi ficando obsoleta. Deixou de ser rentável. Cada vez mais abandonada. Fecharam o troço de Vila Real a Chaves. Nos últimos anos, à espera que feche definitivamente, sobrou apenas este bocado, da Régua a Vila Real. . Que de vez em quando é fechado “para obras”. Um dia, já sabemos, não reabrirá. Como no Vale do Tâmega, no Tua, no Sabor e no Douro (de Pocinho a Barca d’Alva). Nestas linhas de comboio, os interesses de alguns grupos, a estupidez, a incúria, os patos bravos e a “modernidade” dos novos-ricos cometeram crimes sem perdão. (1980)

domingo, 31 de janeiro de 2010

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Luz - Califórnia.

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É um daqueles armazéns que vendem “surplus” do exército e da marinha, sapatos, blusões, casacos, T-shirts, sacos, mochilas, tendas, tudo o que se queira. (1978)

domingo, 24 de janeiro de 2010

Luz - Cais das Colunas, Lisboa

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O CAIS já não é assim. E não sabemos como será, nem sobretudo quando será. Depois de décadas de caos, uma das mais belas praças da Europa está em obras há anos. (1980)

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Luz - Istambul, Senhoras no Bazar.

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O Grande Bazar de Istambul é fabuloso! Apesar dos turistas, das visitas organizadas e da “caça ao dólar”, ainda é um sítio formidável de vida e comércio. Os seus principais clientes são mesmo “locais”. Abundam as ourivesarias, com ouro e prata verdadeiros, mas também com o mais louco “pechisbeque” do mundo. (2005).

domingo, 17 de janeiro de 2010

Luz - Cadeiras em Bath

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À beira rio, um belo e sossegado parque em dia de mais frio. (1998)

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Luz - Central eléctrica, Didcot, Inglaterra

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Sempre me impressionaram estas fantásticas chaminés, mais apropriadamente chamadas de “torres de arrefecimento”. Ignorante, pensei durante anos que eram torres de uma central nuclear. Até que reparei melhor nas do Carregado e de outros sítios. E me explicaram que não eram exactamente chaminés... (1988)

Luz - Calçada da Glória, Lisboa

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A frase dá para pensar: “quem está anestesiado, não estrebucha”! (2008)

domingo, 10 de janeiro de 2010

Luz - Cabo Espichel

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É um dos meus locais favoritos de Portugal. Do mar às falésias e ao Santuário de Nossa Senhora do Cabo de Espichel. Feliz ou infelizmente, o santuário esteve décadas abandonado, já foi habitado por frades, peregrinos, comerciantes, retornados, ciganos, citadinos de fim-de-semana e turistas. (1979)

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Luz - Brasília

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Podia ser em qualquer parte do mundo. O fascínio é o das cores das terras e dos produtos de construção. (1971)

domingo, 3 de janeiro de 2010

Luz - Bath

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Esta é uma cidade maravilhosa, com uma arquitectura muito interessante proveniente de muitos séculos de história, antes mesmo dos Romanos, que dela fizeram uma cidade de termas. (1988)

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Luz - Atenas, Grécia

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EM JULHO DE 1974, já depois de vir a Portugal “ver o 25 de Abril”, voltei a Genebra tratar da minha vida e preparar-me para regressar a Portugal. Antes disso, fui “despedir-me da Europa”, escolhi uma viagem à Grécia, onde nunca tinha ido. Cheguei a Atenas no dia do “golpe” que derrubou a ditadura dos Coronéis. Sorte a minha! Tinha perdido o 25 de Abril, tive, em troca, um “golpe democrático”. Fiquei por Atenas uns dias a festejar. Invoquei a minha qualidade, duvidosa, de correspondente do jornal “República” (tinha um cartão de identidade) e estive em todos os locais importantes. Assisti à Chegada de Karamanlis e aos primeiros encontros com os democratas gregos. Nas ruas, era uma enorme agitação festiva. Nesta imagem, a polícia tenta conter a multidão que cercava o hotel onde os democratas se reuniam e onde Karamanlis acabava de chegar. (1974)

domingo, 27 de dezembro de 2009

Quatro décadas: da mudança à incerteza - Intervenção na Academia das Ciências de Lisboa

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ERA UM PAÍS FECHADO. Um Estado autoritário. E um povo inculto. Era Portugal do início dos anos sessenta. Pequeno, pobre e periférico. País rural, quarenta por cento da população, mais do que qualquer outro na Europa ocidental. Uma alta natalidade estava na origem da população mais jovem do continente. Uma obscena mortalidade infantil (mais de oitenta por mil) e uma esperança de vida reduzida (sessenta anos para os homens e sessenta e cinco para as mulheres) denunciavam o atraso social e económico. Os horizontes eram fechados, a escola medíocre e insuficiente, a saúde pública quase inexistente, poucos os empregos industriais e a liberdade diminuta. A maior parte dos agregados domésticos não tinha acesso aos serviços públicos de água, de electricidade ou de saneamento. As infra-estruturas eram pobres e ineficazes, as deslocações eram difíceis. Os portugueses viajavam pouco dentro do seu próprio país. O número de analfabetos elevava-se a quarenta por cento da população. Legalmente oprimidas, as mulheres tinham pouco empregos (apenas quinze por cento da população activa), eram mantidas à margem do espaço colectivo e não tinham o mesmo estatuto de cidadania que os homens: viviam e morriam, em maioria, fechadas nas suas vidas domésticas. Era assim que viviam os portugueses há cinquenta anos.

À margem da Europa, o país vivia um relativo isolamento. Virado para o Atlântico e para África, onde possuía o último e imenso império colonial, os seus contactos com os países vizinhos eram reduzidos. Para as autoridades políticas, o isolamento era uma virtude. A tradição nacional, que valorizava o catolicismo e a ruralidade, era defendida e cultivada. A memória de um passado glorioso era o substituto de um futuro incerto. O oceano, fonte de memórias antigas, abria o país ao mundo. Mas a fronteira terrestre separava-o, mais do que aproximava, do único e grande vizinho, com o qual as relações não eram, quase nunca tinham sido, próximas, boas e amistosas. O Ultramar era o horizonte. Poderoso na ideologia e na retórica, mas afastado na geografia e na economia. A versão oficial proclamava uma sociedade multirracial, da Europa à Ásia. Mas, na verdade, a sociedade portuguesa era uma das mais homogéneas de todas as europeias. Os seus traços característicos punham em evidência uma grande unidade cultural, religiosa e étnica. Uma só língua dava forma a esta homogeneidade. Nas ruas das cidades, era raro, muito raro, cruzar um africano, um asiático ou qualquer outro estrangeiro. Além de tudo isto, o regime autoritário reforçava a ausência de pluralidade na sociedade portuguesa. (...)

Texto integral [aqui]

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Luz - Argélia

Numa rua de Argel (1972)
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